Consultor e diplomata disputam vaga de embaixador nos EUA

Consultor e diplomata disputam vaga de embaixador nos EUA

O anúncio do novo embaixador do Brasil nos Estados Unidos é esperadoparaacontecer durante a visita do presidente | air Bolsonaro a Washington, na próxima semana, e dois nomes despontam na lista para substituir oatual ocupante do posto, Sérgio Amaral O mais cotado éo diplomata Nestor Forster, apoiado pelo chanceler Ernesto Araújo e amigo do guru ideológico do governo, Olavo de Carvalho.

Mas o consultor e advogado Muríllo de Aragão, da Arko Advice, ganhou força nosúltimos dias, principalmente pelobom trânsito que tem co m a ala m ilírardo Planalto bastante influente junto ao presidente. A idéia inicial de Bolsonaro era fazer um anúncio cruzado durante sua visita ao presidente dos EUA, Donald Trump.

O líder brasileiro divulgaria a esc olha de seu novo embaixador ao mesmo tempo em que a Casa Branca nomearia o americano designado para o Brasil. Membrosdo governo americano, porém, afirmam que náo há consenso sobre o embaixador no Brasil e, por isso, talvez não seja possível fazer o anúncio durante a visita.

As apostas sobre Aragão estavam mais fortes até a semana passada. Quem o defende afirma que ele pode ajudar na busca por investimentos no país. Ele é visto como o mais capacitado para explicar as reformas aos investidores estrangeiros. Seus críticos, por sua vez, dizem seusnegócios nosEUA eisso poderiam trazerconfli tos de interesse.

No Itamaraty, a preferência épor um diplomata de carreira. Coma aproximação da viagem, Forster voltoua ganhar destaque. Ele foi responsável, juntocomAraú jo, pela lista de convidados da`SantaCeia` da direita que receberá o presidente , com o mos trou a Folha.

Amigo de Olavo de Carvalho, Forster apresentou Araújo ao escritor. Ele era cotado para ser chefe de gabinete do chanceler e sua nomeação chegou a sair no Diário Oficial da União, mas depois foi revista, o que aumentou a expectativa de que venha a ser escolhido como embaixador.

Em aula magna, chanceler questiona relações com a China

Em aula magna para alunosdo Instituto Rio Branco na segunda {11), o chanceler Ernesto Araújo disse que oBrasil não venderá sua alma para exportar minério de ferro e soja. A China é a maior compradora do Brasil desses produtos. `Nós queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma. Isso é um princípio muito claro.

Querem reduzir nossa política externa simplesmente a uma questão comercial` disse. O ministro disse aos futuros diplomatas que o Brasil, nos últimos anos, fez uma opção equivocada de q uerer se integrar ãAmérica Latina,Europa e BRICS, em vez de se alinhar aos Estados Unidos. Segundo ele, esses parceiros não foram capazes de contribuir para o desenvolvimento do país.

`Essa aposta equivocada talvez explique porque o Brasil foio país que mais cre sceu no mundo quando seu principal parceiro dedesenvolvimento eram os EUA, e depois estagnou, quando desprezou essa parceria e passou a buscar a Europa, a integração latinoamericana, e, mais recentemente, o mundo pós-americano dos Brics`, disse Araújo.

O chanceler também questionou se a parceria com a Beijing seria benéfi ca para o Brasil. `A C lima passouasero grande parceiro comercia] do Brasil e, coincidência ou não, este tem sido um período de estagnação para o país`. Para o ministro, não há diferença entre as políticas externas dos partidos PT e PSDB, e as duas siglas criticam o governo Bolsonaro `porque finalmente vamos fazer alguma coisa nova`.

Marina Dias e Patrícia Campos Mello