Ação militar estrangeira é opção, diz líder opositor da Venezuela

Ação militar estrangeira é opção, diz líder opositor da Venezuela

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó disse a Sylvia Colombo que uma intervenção militar estrangeira para derrubar o ditador Nicolás Maduro deve ser considerada. Os distúrbios continuaram no domingo. Mundo A12 Guaidó diz que intervenção militar é opção

O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmoun este domingo (24) que urna intervenção militar deve ser considerada como opção contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Guaidó havia dito em uma rede social que os acontecimentos do sábado, quando a tentativa de entrada de caminhões de ajuda humanitária na Venezuela foireprimida, o obrigavam a tomar umadecisão: `sugerirá comunidade internacional de maneira formal que devemos ter abertas todas as opções para conseguir a libertação desta pátria que luta e seguirá lutando`. Indagado pela Folha, em entrevista por telefone neste domingo (24), sobre se estava fazendo referência a uma intervenção militar, Guaidó respondeu; `Eu quis dizer exatamente isso, que devemos considerar todas as opções`.

`A Constituição venezuelana dá à Assembleia Nacional o direito de solicitar apoio desse tipo. Não é o que bus camos, mas é uma possibilidade q ue, responsavelmente, não podemosdescartardada a atitude das forçase interesses que sustentam a usurpação na Venezuela.` Recém-chegado a Bogotá, onde participa,nestasegunda {25), da reunião do Grupo de Lima, Guaidódisse não temer como irá voltar à Venezuela.

Afirmou ter entrado na Colômbia com ajuda de militares que apoiam sua causa e que o número deles vem crescendo. Voltou a elogiar os oficiais que aproveitaram a confusão do sábado para deserdar do Exército. Cerca de 60 ficaram na Colômbia, e dois sargentosdesertaram epediram refúgio em Pacaraima (RR). `Eles fizeram a coisa certa, e queria alentar que outros o seguissem.

Me disseram que o fizeram por suas famílias e pelo pais e terão anistia` E acrescentou: `Tivemos uma oportunidade única de fazer entrar em nosso país alimentos e remédios de que nossa população tanto precisa, e isso foi impedido, houve feridos e mortos. É uma lástima desperdiçar a oportunidade. Mas é preciso seguir adiante.` Indagado sobre o papel do Brasil no sábado, Guaidó respondeu; `O governo do Brasil fez tudo o que pôde apoiando a entrada da ajuda humanitária, e o fez corretamente, sem ingressar no território da Venezuela.

Estoumuito agradecido`. `Além disso, o Brasil foi testemunha da repressão brutal que asforças que respondem a Maduro cometeram contra a população venezuelana da fronteira, especialmente con tra a população indígena dos pemón`, disse. `Estes crimes queestão sendo cometidos pela ditadura são terríveis, não podem e não ficarão impunes` Ogovemovenezuelano, por sua vez, celebrou como uma `vitória` o bloqueio da entra da da ajuda humanitária. `Hoje consolidamos a vitória de ontem, amanliá con solidaremos ainda mais esta vitória. Nem um único eaminhãocom ajuda humanitária passou`, declarou o número 2 do regime, Diosdado Cabello, em um ato em San Antonio dei Táchira, na fronteira com a Colômbia.

Acompanhado por generais leais a Maduro, o presidente da Assembleia Constihiinte que governa o país assegurou que o governo está firme em sua posição. `Nós não nos rendemos, nem vamos nos render.` `Ontem [sábado] nós mostramos a eles, não caímos no que queriam, não demos os mortosque elesqueriam, agimos de forma muito inteligente até a vitória`, disse.

San Antonio é ligada à cidade colombiana de Cúcuta princ ipal p onto de armazenamento da ajuda enviada pelos EUA pela ponte Simón Bolívar, onde dois caminhões foram queimados. O ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, culpou a oposição pela violência. `Tudo aconteceu na Colômbia`, disse ele, acusando `guarinv beros [manifestantesda oposição] drogados` de incendiai` os veículos.

Brasil tenta ampliar isolamento de Nicolás Maduro

Ricardo Delia Coletta Brasília O vice-presidente Hamilton Mouráo embarcou neste domingo (24) para Bogotá, na Colômbia, para participar da reunião do Grupo de Lima e coordenai´ a resposta do Brasil à crise na Venezuela. Mou rão vai acomp anhado pelo chanceler Ernesto Araújo. O grupo é formado por 14 países dasAméricas, dos quais apenas o Méxiconão reconhece o líderopositor (uan Guaidó comopresidente interino da Venezuela. Os EUA estarão representados pelo vice Mike Pence. Guaidó, que cruzou a fronteira coma Colômbia 110 sábado, desafiando umaproibição judicial de deixar a Venezuela, também participará.

Mourão discutiu os detalhes da mensagem que o Brasil deve levar a Bogotá com o presidente Jair Bolsonaro na sexta. Em nota, o Itamaraty disse que o Brasil `apela à comunidadeinternacional` para que mais países reconheçam Guaidó, o que ampliaria o isolamento internacional de Maduro. Mouráo avalia que é prioritário reduzir a tensão na fronteira, em Roraima.

Ele monitorou de Brasília a escalada da violência na região entre Pacaraima (no Brasil) e Santa Elena (na Venezuela), quando manifestantes que apoiavam a entrada em território venezuelano de duas camionetes com remédios e alimentos se chocaram com forças de Maduro. As camionetes voltaram para o Brasil. Para o governo brasileiro, um dos momentos mais delicados foi quando forças bolivarianas responderam com pedradas e gáslacrimogêneo às agressões de um grupo de venezuelanos que estava em território brasileiro.

U m interlocutor de Mourão ressaltou que não houve reação por parte de militares brasileiros, o que indica que a estratégia é atuar para reduzir a tensão, e náo elevá-la. Mourão também se opõe a um plano de intervenção militar pai a derrubar Maduro. A opinião é partilhada pela ala militar do governo. Embora contrários ao ditador, os militares consideram que um conflito na Venezuela seria `desastroso` parao Brasil. A possibilidade de uma in tervenção mílitarvoltou à tona após postagem de Guaidó em redes sociais na noite do sábado. Ele afirmou que `todas as opções precisam estar abertas para conseguir a liberação` da Venezuela.

Nota emnome dos28 membros da União Européia (UE) afirmou que a recusa do regime a reconhecer a urgência humanitária conduz a uma escalada das tensões. `Rejeitam os o uso de grupos armados irregulares para intimidar os civis e os legisladores que se mobilizaram para distribuir a ajuda.` O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse à CNN que os dias de Maduro na Venezuela `estão contados`. `Apontar os dias exatos é difícil`, afirmou. AFP e Reuters Escalada de tensão na Venezuela