Resistência de países a debates na COP24 irrita secretário-geral da ONU

Resistência de países a debates na COP24 irrita secretário-geral da ONU

Antônio Guterres diz que ignorar mudanças climáticas é tática ´suicida´; possível saída do Brasil de Acordo de Paris gera temor

Antônio Guterres diz que ignorar mudanças climáticas é tática ´suicida´; possível saída do Brasil de Acordo de Paris gera temor

Diante da dificuldade para o avanço das negociações na Conferência do Clima (COP24), o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, afirmou ontem que ignorar as mudanças climáticas é uma estratégia `suicida`.

-Pode soar como um apelo dramático, e é exatamente isso ressaltou, em um discurso feito às delegações nacionais.

-As questões políticas essenciais ainda não foram resolvidas. Desperdiçar esta oportunidade comprometeria nosso maior trunfo para frear a mudança climática. Não seria apenas imoral, mas suicida. O contexto geopolítico não é favorável ao debate. EUA, Rússia, Arábia Saudita e Kuwait se recusaram a aceitar as conclusões do último informe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Há, também, o temor de que o presidente eleito Jair Bolsonaro retire o Brasil do Acordo de Paris documento em que mais de 190 nações se comprometem a reduzir as emissões de gases estufa.

Manifestantes subiram ao palco de uma reunião da delegação brasileira com um cartaz em que se lia `não fez mais do que sua obrigação`, posicionado atrás do atual ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte. Tratava-se de referência à atuação de Duarte na COP. Um dos principais objetivos da convenção é concluir um livro de regras, um documento em que os países detalharão como pretendem reduzir as emissões de gases estufa. Ontem, em São Paulo, Bolsonaro afirmou que, com seu futuro chanceler, Ernesto Araújo, reavaliará a posição do Brasil no Acordo de Paris:

-Vamos sugerir mudanças. Se não mudar, sai fora. Quantos países não assinaram? Por que o Brasil tem que dar uma de politicamente correto, possivelmente danoso a nossa soberania? Ela jamais estará em jogo. Bolsonaro criticou o documento, citando equivocadamente que o acordo exige a obediência a compromissos na verdade, todos são voluntários. Tampouco há punições estabelecidas para quem não os cumprir, como sugere o presidente eleito.

-Exige-se que o Brasil faça o reflorestamento de área do tamanho do estado do Rio de Janeiro. Até 2030, se não fizer, as sanções vêm aí. No primeiro momento, política, depois, econômica, e, num terceiro momento, a sanção da força.

Helena Borges viajou a convite da Fundação Heinrich Bõll Brasil