Análise: Lealdade de alguns países a Maduro impede ações mais firmes

Análise: Lealdade de alguns países a Maduro impede ações mais firmes

Mercosul e OEA fracassaram em avançar com medidas de punição contra Venezuela

Mercosul e OEA fracassaram em avançar com medidas de punição contra Venezuela

Em menos de uma semana, Mercosul e OEA fracassaram na tentativa, promovida por países de peso como Brasil, Argentina, Canadá, EUA, Peru e Colômbia, entre outros, de condenar e até avançar com medidas de punição contra o governo de Nicolás Maduro. Na hora de dar um passo mais contundente contra a Venezuela, às vésperas da realização da polêmica Constituinte, os países que vêm denunciando a repressão, perseguição política e violações constitucionais esbarram em outros que ainda defendem Maduro. A lista dos aliados do presidente inclui, entre outros, Bolívia, Equador, Cuba, Nicarágua, El Salvador, República Dominicana, Haiti e Uruguai.

Juntos, os países conseguiram impedir ações e declarações duras de Mercosul e OEA contra a Venezuela. Ontem, o presidente cubano, Raúl Castro, foi enfático:

Devem tirar as mãos dessa nação. Compete apenas ao povo e ao governo bolivariano superar suas dificuldades, sem intromissão estrangeira.

A Venezuela pode parecer isolada, mas ainda conta com respaldos importantes de vizinhos que, segundo fontes diplomáticas da região, recebem em troca, principalmente, petróleo a preços vantajosos. Pequenos países centro-americanos como a República Dominicana e El Salvador dependem, em grande medida, do petróleo venezuelano. Uma ajuda que Maduro daria basicamente para garantir apoio diplomático em votações e discussões essenciais, como a que ocorreu ontem no Conselho Permanente da OEA. Apenas 13 países, entre eles EUA, Canadá, Brasil, Argentina, Paraguai, Peru, Colômbia e Chile, pediram que o governo venezuelano suspenda a Constituinte.

Para uma fonte da Casa Branca que ontem, na contramão, anunciou sanções econômicas a 13 altos funcionários chavistas a Constituinte poderia representar o fim da democracia.

Estamos acompanhando de perto e, no futuro, os que estão agindo sofrerão consequências alertou.

Nem o Mercosul conseguiu chegar a um consenso. Na semana passada, Brasil, Argentina e Paraguai queriam aprovar uma declaração contra a Constituinte. Mas a iniciativa naufragou na resistência dos uruguaios. Agora, o Brasil, no comando da presidência Pro Tempore do bloco, avalia ações unilaterais. Está claro que como Mercosul nada será feito. Com a lealdade (comprada ou não) de pequenos países, Maduro vem conseguindo sobreviver nos foros regionais e continentais.

A radicalização de Maduro em seis pontos

Antes mesmo da tensão da noite de terça-feira, Maduro alertara em discurso a apoiadores que ele e seus apoiadores iriam pegar em armas caso seu governo fosse derrubado, para garantir a paz no país.

Desde que manifestou oposição à Constituinte e denunciou a ruptura da ordem constitucional no país, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz sofre ataques do governo. Na terça-feira, o Tribunal Supremo de Justiça anulou a nomeação do vice-procurador, indicado por ela. Se Maduro realizar a Constituinte, dizem analistas, é provável que ela saia.

Na terça-feira, o Supremo Tribunal de Justiça concedeu ao Defensor do Povo, Tarek William Saab, faculdades para realizar investigações, emitir opiniões e receber denúncias de casos sobre direitos humanos. Até agora, o único que podia atuar nesta área era o Ministério Público, comandado pela procuradora-geral Luisa Ortega Diaz.

Em abril, Maduro defendeu a necessidade de ampliara Milícia Nacional Bolivariana para meio milhão de integrantes e reforçar seu armamento. Em discurso em cadeia nacional, o chefe de Estado assegurou que a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) deve garantir um fuzil a cada miliciano. A ONU e outras ONGs criticaram a medida.

Em abril, o governo anunciou a decisão da Venezuela de deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA). Na última cúpula do organismo, há uma semana, a então chanceler Delcy Rodríguez se retirou de um dos encontros. Em seus 65 anos de história, nenhum país se retirou voluntariamente da OEA.

Em abri, o presidente anunciou que decidiu ativar o Plano Zamora, apresentado pela Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) para manter a ordem interna contra as supostas ameaças de golpe de Estado `convocadas por `Washington`. Segundo ele, a suposta conspiração foi `reforçada` pelo presidente do Parlamento, Julio Borges.