Economias da América Latina recuperam em 2017

Economias da América Latina recuperam em 2017

O FMI considera que a América Latina e o Caribe estão a conseguir sair da crise – com o Brasil a apresentar maiores dificuldades e a Venezuela à deriva. Boas notícias para as exportações nacionais para fora do perímetro da União Europeia.

Num quadro em que a América Latina e o Caribe estão a emergir gradualmente da recessão económica, a Venezuela continua num movimento contrário: o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a economia do país produtor de petróleo, submergido numa hiperinflação galopante – patrocinada principalmente pela falta de alimentos e pelo consequente mercado negro – sofra uma queda real do PIB de 7,4% este ano.

No seu documento ‘Outlook económico para as Américas’, o FMI parece até ser um pouco conservador em relação à Venezuela: afirma que, em 2018, a economia do país vai contrair mais 4,1%. Mas as estimativas de outras entidades são mais severas: depois de a economia ter contraído cerca de 18% em 2016, ninguém parece convencido que a Venezuela não atinja no final do ano uma nova contração de dois dígitos.

Até porque, diz ainda o FMI, as receitas em divisas caíram 30% nos últimos dois anos – com o culpado do costume; o preço do petróleo anormal e inesperadamente baixo nos mercados internacionais pelo segundo ano consecutivo. Resultado: a Venezuela está prestes a não conseguir pagar as obrigações da dívida que se encontram em mãos estrangeiras.

No resto dos países da América Latina, os sinais são mais positivos. Assim, na Argentina, o PIB deverá crescer 2,4% em 2017 (com o consumo privado, o aumento do investimento público e a recuperação das exportações a puxarem pela economia).

Menos bem está o Chile – que também passa pelo ‘calvário’ dos baixos preços internacionais de várias ‘commodities’ – que deverá apresentar um crescimento no final do ano da ordem dos 1,7%.

Na Colômbia, o FMI espera uma recuperação moderada, que talvez não chegue ao 1%, mas aquele organismo ressalta que o lado positivo é que o país conseguiu recuperar de um ano de 2016 muito difícil.

As perspetivas para a região do Caribe estão a melhorar, com o FMI a ponderar crescimentos entre os 1,5% e os 3% tanto este ano como em 2018 – quase todos alavancados pelo turismo e pelas exportações de matérias.

A acompanhar a Venezuela no lado negativo está o Brasil: após dois anos de recessão, o FMI considera que o enorme país da América Latina não vá além de um crescimento de 0,2% no final do ano. Para aquela organização, e apesar da total confusão em que o país mergulhou em termos políticos, uma colheita abundante de soja, o consumo interno em alta, a inflação a diminuir mais rapidamente que o esperado do que o esperado e os preços a crescer do minério de ferro. Permitiram ao Brasil escapar a uma enorme dor de cabeça, que se esperava ser severa ainda há pouco tempo.

O crescimento positivo geral da América Latina é importante para Portugal – que tem tentado encontrar naquela geografia uma região alternativa às exportações para os países da União Europeia. A recente viagem do primeiro-ministro António Costa à Argentina e ao Chile perspetiva a abertura de novas rotas comerciais – que serão sempre mais positivas quanto maior for o ritmo de crescimento dos países clientes das exportações nacionais.