Prévia do PIB surpreende e indica crescimento de 2,3% no primeiro trimestre

Prévia do PIB surpreende e indica crescimento de 2,3% no primeiro trimestre

Em março, porém, economia encolheu 1,6% com aumento dos casos de Covid. Economista alerta para risco de terceira onda se não houver avanço na vacinação

Depois de apresentar números positivos no segundo semestre de 2020, a economia brasileira continuou crescendo em um ritmo mais lento e registrou alta de 2,3% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta quinta-feira.

O resultado positivo se concentrou em janeiro e fevereiro e foi puxado para baixo por uma queda generalizada de atividade em março. Foi o mês em que o recrudescimento da pandemia causou a necessidade de novas medidas de distanciamento social e caiu 1,6% ante fevereiro, a primeira queda em quase um ano.

De acordo com o IBGE, o setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB, caiu 4% em março e voltou a ficar abaixo do nível pré-pandemia. Já a produção industrial caiu 2,4% naquele mês, devido à paralisação de diversas fábricas por conta da falta de insumos, como peças e componentes.

O varejo também sofreu com o aumento de casos de Covid-19, além do desemprego elevado e da inflação, que diminuem o poder de compra do consumidor. As vendas no comércio caíram 0,6% em março.

Vacinação e preservação do emprego
Helena Veronese, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, vê uma tendência “leventemente positiva” para os próximos meses, apesar da possibilidade de um novo número negativo em abril por conta da alta de casos seguida das medidas de distanciamento.

— Daqui pra frente a tendência é leventemente positiva, mas vai depender da evolução de basicamente duas variáveis: uma é a evolução das medidas de manutenção de emprego e renda, como elas vão de fato bater na sociedade, e depois a evolução da pandemia, que passa pela vacinação — explicou.

A economista da GAP Asset, Luana Miranda, ressalta que o resultado do trimestre surpreendeu positivamente, mas pode apresentar riscos pelo comportamento da população.

Miranda explica que a atividade econômica mais positiva mostra, por um lado, que a população está consumindo de outra forma, com o aumento de compras pelas internet. No entanto, por outro, pode significar que os cuidados com a saúde, como evitar aglomerações, não estão na lista de prioridades.

— A gente vê a mobilidade subindo e isso é bom para a atividade econômica, mas é um risco futuro de ter novas restrições mais fortes, de fechar tudo, de ter uma terceira onda. Ao mesmo tempo que a mobilidade voltando rápido é bom pra atividade no curto prazo, ela gera riscos para os próximos trimestres. Esse é o principal risco para o ano — disse.

O IBC-Br é considerado uma espécie de prévia do PIB por calcular o índice de atividade econômica, mas usa metodologia diferente do IBGE, responsável pelo número oficial. A divulgação do PIB oficial será em junho.

Primeira queda em quase um ano
A queda de 1,6% em março foi a primeira desde abril do ano passado, quando o IBC-Br registrou baixa de 9,8%. Desde do tombo histórico daquele mês, a atividade vinha se recuperando em passos lentos, principalmente no fim do ano passado.

Neste início de ano, essa recuperação continuava em janeiro, com alta de 0,9% em relação a dezembro, e em fevereiro, que cresceu 1,9% também em comparação com o mês anterior.

No entanto, o aumento de casos e de mortes causadas pela Covid-19 em março levou a uma nova onda de fechamentos nas cidades, o que contribuiu para o resultado negativo.

Veja medicamentos que podem ser afetados, após decisão do STF sobre patentes

O tombo na atividade em 2020 foi concentrado no segundo trimestre, quando o IBC-Br registrou baixa de 9,8%. Desde então foram três trimestres de retomada cada vez mais lenta, com 8,1% de alta no terceiro trimestre, 3,2% no último trimestre de 2020 e, finalmente, 2,3% no primeiro de 2021.

Veronese explica que essa recuperação mais lenta tem duas explicações. A primeira é a base de comparação, que fica mais alta em cada trimestre e a segunda é a retomada em si que é mais lenta.

— A recuperação está acontecendo bem devagarinho porque ainda estamos na pandemia, temos taxa de desemprego ao redor de 15%. Não é recuperação em “V”, alto e avante. Temos que colocar a casa em ordem. Temos um cenário político um pouco turbulento — disse Veronese.

Recuperação no ano
Para Luana Miranda, o número positivo dos primeiros três meses do ano deve se repetir no restante do semestre.

— As pessoas que viam um segundo trimestre muito negativo tinham uma visão que abril seria pior ou tão ruim quanto março. A gente está vendo um cenário que provavelmente abril vai ser melhor do que março, o que vai fazer diferença para o trimestre — projetou.

A expectativa do mercado é que o ano seja de recuperação. De acordo com o relatório Focus, a projeção de atores do mercado financeiro é de uma alta no PIB de 3,2%. Essa é a mesma expectativa do Ministério da Economia.

O Banco Central é um pouco mais otimista e prevê crescimento de 3,6% para este ano. O Fundo Monetário Internacional (FMI) compartilha da mesma projeção.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino