Presidente da GM prevê onda de demissões

Presidente da GM prevê onda de demissões

Veículos Executivo diz que nível de ociosidade no setor supera 40%

No dia 18 de março, o presidente da General Motors na América do Sul, Carlos Zarlenga, foi o primeiro a dar as más notícias das conseqüências da pandemia na indústria automobilística: suspensão dos investimen tos e férias coletivas para os empregados. As demais montadoras fizeram o mesmo, poucos dias depois. Agora Zarlenga volta a ser o primeiro a traçar um cenário ainda pior três meses depois que o surto começou. Com uma ociosidade de mais de 40% em relação ao planejado pelas montadoras, o execut ivo prevê uma onda de demissões em toda a cadeia do setor a partir do quarto trimestre.

Zarlenga também tem más notícias para o consumidor. Segundo ele, como resultado do repasse dos custos em dólar, desde janeiro, os preços dos canos já subiram, em média, de 6% a 8%. `E vão subir mais`, avisa. Ele diz que no caso cia GM, a filial sul-americana não pediu ajuda financeira ã matriz. Optou por endividar-se com bancos (ainda negocia com BNDES).

`A indústria automobilística não tem sido lucrativa há muitos anos e a exposição à desvalorização cio real piorou os resultados`, afirma. `Em um ano o real desvalorizou-se 40% e, com isso, a lucratividade foi destruída. Não há espaço para mais dívidas`, completa. Para o executivo, exportar seria uma saída para compensar a pressão dos custos e m dóla r. `Mas a carga tributária éasfixiante`.

A situação também não é nada boa do lado dos investimentos. A direção da operação brasileira avalia nesse momento `o que vai fazer e o que vai deixar de fazer`. Isso significa que o programa de investimentos de R$ 10 bilhões para o período de 2020 a 2024 será diferente do que foi planejado. Esse plano de investimentos foi anunciado paralelamente ao programa de incentivos para o setor, criado pelo governo de São Paulo no ano passado.

Em relação à ociosidade, a conta é simples. O setor preparava-se para vender este ano no mercado interno mais de 3 milhões de veículos, mas não passará de 1,2 milhão. `Temos pessoas nas fábricas para produzir o que foi programado`, destaca. O corte de vagas previsto por Zarlenga para acontecer com mais força no quarto trimestre quando se encerram acordos de flexibilização de contratos de trabalho e de jornada atingirá também, afirma, fornecedores e concessionárias.

`Jã começamos a ver alguns anúncios de demissões, mas eu diria que isso nem começou. Utilizamos todas as ferramentas possíveis, mas ocenãrio de incertezas permanece`, destaca.

O executivo prevê uma reestruturação dessa indústria, embora garanta que a GM não vai fechar nenhuma das quatro fábricas que tem no Brasil, além cie uma na Argentina, outra na Colômbia e mais uma no Equador. Ao todo, a companhia emprega 19 mil funcionários na América do Sul.

Nas contas cio executivo, a indústria automobilística levará cinco anos para voltar ao nível de 2019. `Estamos em um momento de falta de renda, de queda da atividade e de falta de confiança do consumidor`, diz.

Os dirigentes das montadoras preveem que este ano o mercado brasileiro vai encolher 40%. Em junho, o resultado das vendas de veículos foi melhor do que maio e abril, mas ficou em torno de 40% abaixo do mesmo mês do ano passado.

No mercado interno, Zarlenga prevê um período ruim para as chamadas vendas diretas, principalmente para locadoras. `O nível de descontos não será o mesmo e não sei se essas empresas vão comprarcom menos descontos porque já enfrentam uma situa ção difícil`.

Os mercados de exportação também enfrentam dificuldades, principalmente a Argentina, o principal destino. `O mercado argentino vo ltará este ano ao que era 20 anos atrás`, diz o executivo.

Zarlenga também defende uma revisão do cronograma do governo para reduzir emissões de poluentes veiculares, que integra o programa Rota 2030, lançado no fim do governo de Michel Temer. Manter o plano atual, diz, `trará ainda mais problemas para a indústria, que acabará fazendo ainda menos investimentos`.

O presidente da GM na América do Sul afirma que a instabilidade política não tem sido tema de suas conversas com a matriz. `O que falamos é sobre a alta do dólar e a perspectiva de recuperação das vendas`, afirma. A única questão que incomoda a direção mundial e que está diretamente relacionada ao governo, destaca, é saber se o país conseguirá fazer as reformas.

Carlos Zarlenga, presidente da GM na América do Sul, afirma que com a alta do dólar a lucratividade foi destruída: `Não há espaço para mais dívidas´

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