Presidente chinês promete 'nova fase de abertura' diante do risco de guerra comercial

Presidente chinês promete 'nova fase de abertura' diante do risco de guerra comercial

Em conferência, Xi Jinping garantiu que irá reduzir as tarifas de importação de automóveis

PEQUIM — Em um imponente salão repleto de empresários e autoridades do mundo financeiro, o presidente Xi Jinping prometeu o que chamou de “uma nova fase de abertura econômica” para a China. O discurso de tom conciliatório, carregado de recados direcionados aos Estados Unidos, anunciou medidas que, se implementadas, atendem demandas importantes dos americanos na queda de braço comercial com Pequim — até agora retórica. Isso explica por que a mensagem foi bem recebida pelos mercados na Ásia e no Ocidente; e é a confirmação de que o governo do Partido Comunista não pretende fechar as portas para uma saída negociada para o impasse comercial entre os dois países.

Para abrir seu mercado de quase 1,4 bilhão de consumidores para o resto do mundo, segundo Xi, a China deve aumentar as importações de produtos considerados competitivos que venham de fora, reduzir de maneira “significativa”, ainda a partir deste ano, a tarifa de importação sobre automóveis e outros produtos estrangeiros, além de proteger os direitos de propriedade intelectual. Também deve reduzir as amarras para que investidores possam atuar no país. Hoje, estrangeiros são o obrigados a entrar em projetos de joint-venture com várias restrições, se quiserem atuar em solo chinês. Tudo isso está no topo da lista de reclamações de Washington, mas também faz parte do rol das queixas de outras nações, que pedem mais acesso ao mercado da China.

— Vamos dar a mesma ênfase a estratégia de “atrair para dentro” e “sair mundo afora”, além de dar início a uma nova fase de abertura da China a partir de conexões com o Ocidente e o Oriente, pelo continente e pelo mar — disse Xi, durante o Fórum Econômico de Boao para a Ásia (na província de Hainan), uma espécie de Fórum de Davos criado pelos chineses.

Analistas mais otimistas torcem para que este tenha sido o sinal de uma trégua para a temida guerra entre duas maiores economias do mundo, antes mesmo que ela passe do plano das palavras para a ação. Mas há uma corrente que vê nas iniciativas destacadas por Xi a repetição de promessas que já haviam sido feita antes e não se concretizaram. Em 2013, por exemplo, o governo chinês já havia dito que reduziria as restrições para as joint-ventures no setor automotivo.

— Praticamente tudo o que o presidente Xi disse em seu discurso, já havíamos escutado antes. O que se quer ouvir são ações tangíveis e não mais promessas. Mesmo assim, foi um bom discurso, se nos concentrarmos mais no tom do que no seu conteúdo. É a confirmação de que reconhecem as demandas e estão prontos para negociar — disse ao GLOBO o professor de economia da Escola de Negócios de Shenzhen, da Universidade de Pequim, Christopher Balding.

A preocupação agora é saber como os chineses pretendem conduzir a abertura a que se refere Xi, que aproveitou para ressaltar que “a mentalidade da Guerra Fria” e o o “isolacionismo” iriam atingir um “muro de pedras”. O presidente chinês aproveitou para cobrar dos países desenvolvidos o fim das restrições que impõem sobre o que chamou de comércio normal e razoável de produtos de alta tecnologia. Xi quer que essas economias flexibilizem os controles de exportações deste tipo de mercados para a China. Muitos países deixam de exportar para o mercado chinês mercadorias desta natureza pelo medo de que terminem copiadas.

O líder chinês disse ainda que o país vai adotar políticas para promover a facilitação de comércio e investimentos, além de estimular a abertura de “portos de livre comércio com características chinesas”. Não está claro que como isso seria feito.

— O país vai trabalhar muito para importar mais produtos que sejam competitivos e necessários ao povo chinês. A China também vai buscar um acelerar o processo de integração ao Acordo de Compras Governamentais da Organização Mundial de Comércio — disse o presidente.

Xi destacou que a segunda maior economia do mundo não pretende exportar mais do que importar, ou seja, obter a todo custo superávits comerciais. E destacou que a China iria recriado o Escritório de Propriedade Intelectual do Estado este ano para reforçar a lei, e aumentar de maneira significativa o custo para aqueles que desrespeitarem as regras.

As declarações de Xi tiveram efeitos positivos no mercado financeiro e as principais bolsas asiáticas fecharam em alta nesta terça-feira. Em Japão, o índice Nikkei subiu 0,5%, a Bolsa de Austrália avançou 0,8% e da Coreia do Sul, 0,3%. Na China, a Blsa de Xangai teve alta de 1,7%. Em Hong Kong, o avanço também foi de 1,7%.

Até agora, Washington e Pequim limitaram-se a mostrar as armas de que dispõem para uma guerra comercial. Aumentos de tarifas e retaliações alardeados entre os dois lados não saíram do papel. A troca de acusações entre americanos e chineses começou ainda durante a campanha do presidente Donald Trump para a Casa Branca, quando o republicano chegou a dizer elevaria para 45% os impostos sobre importados chineses e acusou a China de tirar empregos nos Estados Unidos. NA semana passada, Trump disse or twitter que os chineses cobravam uma tarifa de 25% sobre os carros importados, embora pagassem 2,5%, o que chamou de “comércio estúpido”.

Existe ainda um temor de que uma guerra comercial acabe levando a China a considerar desvalorizar o yuan em relação ao dólar. Durante a sua campanha, Trump acusava o país de manter uma moeda artificialmente fraca. Desde que assumiu o comando da Casa Branca, contudo, o yuan se valorizou em cerca de 9% em comparação com a moeda americana, mantendo-se estável nas últimas semanas, apesar da escalada de tensões comerciais entre os dis países. Em março, a moeda chinesa bateu o nível mais forte desde agosto de 2015.

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