Preço de produtos agrícolas começa a se acomodar no país e no mercado externo

Preço de produtos agrícolas começa a se acomodar no país e no mercado externo

Preços agrícolas passaram por uma bolha recentemente, diz Daniele Siqueira, da AgRural

Os preços dos produtos agrícolas, após a acelerada pressão dos últimos meses, começam a se acomodar, tanto no mercado interno como no externo.

Internamente, não há muito espaço para queda. O produtor está capitalizado, e os que ainda não venderam sua produção têm caixa para segurar o produto no armazém.

Além disso, os preços caem, mas os custos sobem. O recuo do dólar, além de dar menor competitividade às exportações, pesou na hora da compra dos insumos nos últimos meses.

Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, acredita, no entanto, que um recuo do dólar não vai ter grandes influências nesta safra, uma vez que boa parte das vendas já foi antecipada.

Ele cita o caso da soja. Praticamente 100 milhões de toneladas, dos 137 milhões que foram produzidas, já foram comercializadas.

Externamente, os preços também estão em queda, em relação aos picos atingidos nos últimos meses. A soja não deverá voltar ao patamar de US$ 16 por bushel, e o milho, a US$ 8, acredita Brandalizze.

As próximas semanas, no entanto, serão decisivas para a formação dos preços. Daniele Siqueira, da AgRural, afirma que o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga, nesta quarta-feira (30), dados mais consolidados sobre a área de plantio feita pelos americanos.

O mercado acredita em uma maior área cultivada, o que poderia elevar a oferta mundial de grãos.

Há, porém, uma previsão de estiagem nas lavouras do Meio-Oeste dos EUA nos próximos 15 dias. Parte das lavouras de milho e de soja seria prejudicada.

"O mercado de grãos se adequou a um patamar mais acomodado de preços, e só uma severa seca poderá mudar esse cenário", diz Brandalizze.

Os agricultores têm um olhar mais atento, contudo, para o milho. Além do clima mais seco nos próximos dias nos Estados Unidos, as geadas previstas para o Sul do Brasil e para regiões de São Paulo e de Mato Grosso do Sul, dependendo da intensidade desse efeito climático, vão reduzir ainda mais a safrinha.

Estimativa recente da Agroconsult aponta, devido à seca, uma quebra de 19 milhões de toneladas na produção do cereal nesta segunda safra, em relação ao potencial previsto inicialmente.

Brandalizze acredita que não irá faltar milho para o mercado interno, mas o limite para uma queda dos preços do cereal é a paridade da exportação, que está em R$ 76 por saca.

Recentemente, os preços agrícolas passaram por uma bolha, que resultou em uma correção de valores, segundo Daniele. A atuação do capital especulativo no setor deu ainda mais suporte a esses valores, devido ao cenário de oferta menor e de estoques reduzidos.

Alguns dos fatores que pressionaram os preços internacionais das commodities agrícolas, antes desse recuo, ainda podem voltar. Os fundos reduziram a posição comprada, mas, dependendo do comportamento dos juros, veem o mercado agrícola sempre como uma boa opção.

Na avaliação de Daniele, os preços devem ficar bastante sustentados até que haja uma recuperação consistente da oferta. E isso vai depender de boas safras nos principais países produtores, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil.

O fator China também não deve ser desprezado. O país já refez parte de seus estoques, mas continua comprando, principalmente quando os preços em Chicago são favoráveis, como ocorreu na semana passada. Os chineses adquiriram próximo de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos.

A China tem necessidade de comprar sempre, diz Brandalizze. O volume de soja que os chineses necessitam já é conhecido. Produzem 18 milhões de toneladas, mas consomem 120 milhões.

A previsão para o milho é mais difícil, mas os chineses devem produzir de 260 milhões a 270 milhões de toneladas, e a necessidade de consumo é de 300 milhões.

Daniele e Brandalizze não acreditam em um novo ciclo de preços altos das commodities, mas o desempenho das safras de 2021/22 vai determinar boa parte da evolução deles.

No Brasil, enquanto os preços dos grãos se acomodam no campo, os das carnes não cedem e se mantêm em patamares recordes. É o que ocorre com os preços do boi gordo, dos suínos e do frango, conforme cotações do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

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