Preço alto compensa quebra de safra, e faturamento do agro deve crescer

Preço alto compensa quebra de safra, e faturamento do agro deve crescer

Dados do Ministério da Agricultura indicam que Valor Bruto de Produção deverá atingir R$ 1,1 trilhão neste ano, acima do estimado no mês passado

Mesmo com a quebra da safra de grãos, anunciada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) na semana passada, as receitas dos produtores vão aumentar neste ano. A alta se deve aos preços elevados das commodities no país e no exterior.

Dados desta segunda-feira (14) do Ministério da Agricultura indicam que o Valor Bruto de Produção —ou seja, dentro da porteira— deverá atingir R$ 1,1 trilhão neste ano, acima do estimado no mês passado.

O setor de lavouras, que inclui 19 produtos e é o que mais puxa esse valor financeiro, deverá render R$ 763 bilhões, 15% acima do registrado no ano passado. Já a pecuária, que engloba bovinos, suínos, aves, leite e ovos, renderá R$ 346 bilhões.

A quebra de safra, que ocorre basicamente no milho, cuja produção será 12 milhões a menos do que o previsto inicialmente, será compensada pela alta da soja.

A redução da safra do cereal, porém, afetará o saldo da balança comercial. No cálculo médio do mercado, o país deixará de exportar 10 milhões de toneladas de milho e importará outros 2,5 milhões.

Conforme esses dados, ainda provisórios, uma vez que a seca continua afetando a produtividade das lavouras do milho safrinha, o saldo da balança comercial será pelo menos US$ 3,3 bilhões inferior ao que se projetava inicialmente para o cereal.

Os dados da balança comercial da Secex desta segunda-feira indicam que a tonelada do milho está sendo negociada, neste mês, a US$ 265, em média. Esse valor é o mesmo da paridade do cereal brasileiro com Chicago, incluindo o prêmio de agosto e embarques em setembro.

Em parte, essa queda nas receitas com milho será compensada pela soja. Novos números da Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais) desta segunda-feira apontam para um consumo interno de soja de 300 mil toneladas a menos neste ano. Com essa queda, as exportações aumentam, podendo atingir 85,7 milhões de toneladas.

Com isso, as receitas com a venda externa de soja em grãos somarão US$ 43 bilhões. Acrescentando-se farelo e óleo, os exportadores brasileiros vão receber US$ 52 bilhões com o complexo soja.

O consumo interno de soja recua porque o governo reduziu a mistura de biodiesel ao diesel de 13% para 10%. O óleo de soja é a base principal da composição do biodiesel, representando próximo de 70%.

Ao processar menos soja internamente, a indústria colocará um volume menor de farelo no mercado, acirrando ainda mais os preços para os produtores de proteínas.

A escalada dos preços da soja em grão influencia também a do óleo de soja. O preço médio do produto, em São Paulo, é de R$ 7.082 por tonelada, com alta de 108% em relação a junho de 2020.

As exportações brasileiras de soja mantêm um ritmo mais intenso neste mês do que em junho do ano passado. Nas duas primeiras semanas, as vendas externas somaram 5,1 milhões de toneladas, com uma média de 638 mil toneladas por dia útil.

Os preços são bastante favoráveis aos exportadores. Em média, atingem US$ 462 por tonelada, 44% a mais do que em igual período de 2020.

O mercado externo também vai bem para o setor de carnes. Os custos, porém, nem tanto. A tonelada de farelo de soja está em R$ 2.244 em São Paulo, 36% a mais do que há um ano.

Os preços do milho, com a chegada da colheita, caem e registram o menor valor desde o início de abril.
A saca, contudo, ainda está sendo negociada a R$ 95 em São Paulo, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Apesar dessa queda nas últimas semanas, o cereal ainda custa 105% a mais do que há um ano.

Os preços externos das proteínas ajudam, contudo, a cobrir boa parte desses custos. A carne bovina está com valor médio de US$ 5.125 por tonelada neste mês, 19% superior ao de há um ano. Nesse mesmo período, o preço externo da carne de aves subiu 25%, e o de carne suína, 22%.

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 2,7 bilhões nas duas primeiras semanas deste mês, com uma média diária de crescimento de 44% em relação a junho do ano passado.

Os dois destaques, em porcentagem, foram algodão e madeira. O primeiro teve evolução de 162% na comparação com junho de 2020, enquanto as vendas externas de madeira em bruto cresceram 1.515%, de acordo com a Secex

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