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Potencial de disseminação do vírus leva América Latina a fechar mercados populares

Potencial de disseminação do vírus leva América Latina a fechar mercados populares

Argentina, Peru e Bolívia suspenderam funcionamento de tradicionais locais de comércio da região

A cidade de Córdoba, a segunda mais importante da Argentina, havia começado a flexibilizar as restrições de isolamento há duas semanas, reabrindo comércios e mercados de comida e artigos por atacado.
Com 87% dos casos de coronavírus concentrados na Grande Buenos Aires, as outras províncias do país passaram a relaxar medidas em alguns setores.
O resultado, porém, não foi positivo. Em apenas três dias, o Mercado Norte, o mais antigo e mais frequentado da cidade, a poucas quadras do centro histórico de Córdoba, registrou 61 casos de infecção e duas mortes entre empregados, frequentadores e pessoas ligadas ao local.
O governo da província resolveu, então, retroceder no relaxamento, e a cidade voltou a adotar o "lockdown". Apenas os mercados menores de comida puderam seguir funcionando, com uso obrigatório de luvas e máscaras, além de limitação no número de consumidores dentro dos comércios.
Identificados como uma das principais causas de disseminação do vírus, os mercados populares preocupam a Argentina, onde os controles são mais rigorosos, e outros países da América Latina.
"O mercado popular é uma tradição latino-americana e tem presença muito marcada onde há grande população mestiça ou indígena", descreve Carmen Yon, especialista em antropologia da saúde e em questões sanitárias nas regiões amazônica e andina do Peru.
"É importante não só pela atividade comercial, mas porque representam um local de convivência que remonta ao passado da região. Por isso a quarentena tem sido difícil no Peru. Apesar do anúncio de medidas duras, esses focos de contaminação continuam espalhando o vírus."
Em Lima, num mercado de frutas, 80% dos vendedores receberam diagnóstico de Covid-19. Teve de fechar. Depois, o governo realizou testes em dois mercados grandes de comida, os de Caquetá e Surquillo, e os resultados apresentaram infecções em 65% dos empregados. Também tiveram de fechar.
"Estamos testando gente nos mercados o tempo todo, porque concentram muita gente. Se vemos que o índice de contaminação é maior que 30%, mandamos fechar até segunda ordem", diz Cristina Nina, prefeita do distrito de San Juan de Miraflores.
Em muitos mercados, como o de La Merced, na Cidade do México, cuja entrada é vigiada pela polícia, além das aglomerações dentro dos locais, há ainda a preocupação com o entorno, uma vez que essas áreas concentram vendedores ambulantes, que montam barracas improvisadas.
O mesmo ocorre em La Salada, na Grande Buenos Aires, um dos maiores da América Latina, cujos vendedores já não aguentam mais as restrições. Eles convivem com as medidas há quase 70 dias.
"Não tem como, vivemos disso, a alternativa é montar a barraca nas quadras ao redor do mercado e, quando a polícia chegar, correr", diz Diego Trujillo, 36, que comercializa roupas de inverno.
A Bolívia é outro país em que os mercados populares ocupam papel fundamental na economia regional.
Na região andina, esse tipo de comércio faz parte da tradição indígena e, claro, gera grandes aglomerações, principalmente aos finais de semana, quando frequentadores viajam da áreas rurais até pequenos centros urbanos para vender e comprar produtos.
Recentemente, o governo de Jeanine Añez começou a reabrir alguns deles. Em algumas cidades e na capital La Paz, no entanto, continuam fechados.
Em El Alto, reduto de resistência ao governo interino e de apoio ao ex-presidente Evo Morales, há um outro elemento: protestos e saques ocorrem para pressionar pela abertura dos mercados e manifestar insatisfação contra Añez.

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