Posição sobre direitos humanos na Venezuela gera tensão na Argentina de Fernández

Posição sobre direitos humanos na Venezuela gera tensão na Argentina de Fernández

01/10 - 18:34 - Embaixador do país na OEA relativizou recentes relatórios da ONU, entre eles o que afirma que o governo Maduro é responsável por graves violações dos direitos humanos

O governo do presidente argentino, Alberto Fernández, enfrenta fortes tensões internas e externas por declarações feitas por seu embaixador na Organização de Estados Americanos (OEA), Carlos Raimundi, que relativizou nesta semana relatórios recentes elaborados no âmbito das Nações Unidas sobre violações dos direitos humanos na Venezuela.

Embora a Casa Rosada mantenha uma postura favorável à negociação com o presidente Nicolás Maduro para que possam ser realizadas eleições gerais no país, o governo Fernández já reconheceu, publicamente, sua preocupação com a situação dos direitos humanos e a grave crise política e humanitária que se vivem na Venezuela.

As declarações de Raimundi causaram profundo mal estar na ala mais moderada do governo argentino. O embaixador está vinculado ao kirchnerismo e suas opiniões representam o setor mais radical da aliança entre peronistas e kirchneristas. Em suas declarações, que foram desautorizadas internamente pelo presidente, Raimundi defendeu o governo Maduro e lamentou que a Venezuela tenha sofrido "um forte assédio intervencionista" nos últimos anos, em clara referência à atuação do governo americano comandado por Donald Trump, em aliança com parceiros regionais como Brasil e Colômbia.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores argentino afirmou que "a posição argentina em relação à Venezuela é continuar apoiando a necesidade de que sejam reestabelecidas plenamente as instituições democráticas". Na mesma nota, o governo argentino diz que "a Venezuela tem a responsabilidade sobre o pleno respeito dos direitos humanos" e manifesta "nossa grande preocupação pelas graves violações dos direitos humanos que são informadas" em recentes relatórios de missões da ONU.

Em Buenos Aires, especula-se com um pedido formal de afastamento do embaixador político, que Fernández teria demorado alguns dias em aceitar no início de sua gestão. As declarações de Raimundi caíram como um balde de água fria entre os funcionários do governo argentino que participam das negociações entre o país e o Fundo Monetário Internacional (FMI), onde o peso dos EUA é enorme. A última coisa que Fernández precisava neste momento era de um conflito com o governo americano pela Venezuela de Maduro.

Na próxima semana, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) discutirá os relatórios elaborados pelas missões da ONU nos últimos meses. Um deles, resultado de uma missão especial que teve o objetivo específico de confirmar se Maduro e seu governo comentem, ou não, crimes de lesa humanidade, descreveu em mais de 400 páginas o que definiu como um plano sistemático de ataque à população civil. Na CIDH, disse uma fonte argentina, o governo Fernández dirá o que vem dizendo há algum tempo: que o governo venezuelano viola os direitos humanos, por ação ou omissão.

O recente envio de uma missão da União Europeia (UE) a Caracas não alterou, ainda, os planos de Maduro de convocar eleições legislativas para o próximo dia 6 de dezembro. Os representantes da UE tentaram convencer o chefe de Estado venezuelano a adiar o pleito, oferecendo, em troca, a possibilidade de realizar a observação internacional. Mas o presidente insistiu em dizer que seria inconstitucional postergar a eleição. Se o plano for, de fato, mantido, a Assembleia Nacional será renovada daqui a dois meses, o que anulará definitivamente a AN controlada pela oposição, presidida por Juan Guaidó e reconhecida por mais de 50 países.

O pedido de adiamento da UE conta internamente com o apoio do também líder opositor Henrique Capriles, que negociou recentemente com Maduro a liberação de mais de 100 presos políticos e deputados preseguidos pelo regime.

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