Portugal, Espanha e Suécia confirmam casos da Ômicron, que se espalha pela Europa

Portugal, Espanha e Suécia confirmam casos da Ômicron, que se espalha pela Europa

16:00 - Mais países impõem restrições de viagem para tentar conter variante; China anuncia doação de 1 bilhão de doses anti-Covid para a África

LISBOA — Já em cinco continentes, a variante Ômicron da Covid-19 continua a se espalhar pelo mundo, que impõe novas restrições para conter seu avanço. Portugal identificou 13 casos da cepa, detectada inicialmente no Sul da África, todos eles em jogadores de um time de futebol sediado em Oeiras, na região metropolitana de Lisboa. A Escócia também confirmou seis infecções causadas pela nova cepa, enquanto a Espanha e a Suécia detectaram cada uma um caso.

Os casos portugueses, conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) nesta segunda-feira, são relacionados à equipe Belenenses SAD, com sede em Oeiras, que disputa a Primeira Liga. Um dos atletas do time, Cafu Phete, havia retornado da África do Sul no dia 17 de novembro.

A maior parte dos atletas, segundo a imprensa local, estão com seus ciclos vacinais completos. Todos têm casos leves ou assintomáticos e permanecem em isolamento, assim como a equipe técnica. As pessoas com quem tiveram contato também farão testes para a doença.

O time entrou em campo pela última vez no sábado, em um jogo contra o Benfica, comandado por Jorge Jesus, escalando apenas nove jogadores devido a um surto de Covid entre o elenco — até então, não se sabia que as infecções eram causadas pela Ômicron. Entre eles, dois goleiros, com um atuando na linha.

O primeiro tempo acabou com um placar de 7 a 0 a favor da equipe do ex-técnico do Flamengo, mas a partida não pôde ser retomada porque o time mandante ficou com apenas seis atletas em campo. Ambos os times afirmaram que, se não tivessem entrado em campo, poderiam ser penalizados pela liga portuguesa.

Em Portugal há ainda um caso suspeito de um passageiro que retornou de Moçambique no domingo ainda está em análise. Além disso, amostras provenientes de 218 passageiros de um voo com origem em Maputo também foram colhidas. Neste caso, dois positivos foram detectados, mas apenas um levanta suspeitas, uma vez que a variante ainda não foi identificada.

O caso espanhol, segundo o jornal El País, foi detectado em um passageiro recém-retornado da África do Sul. O infectado, segundo as autoridades de saúde, está bem. A infecção confirmada pela Agência de Saúde Pública da Suécia também é em um passageiro que esteva em território sul-africano há pouco mais de uma semana.

Casos na Escócia
Entre os seis casos detectados na Escócia, por sua vez, há pessoas que não viajaram recentemente para o Sul da África.

— Isso sugere que já pode haver transmissão comunitária desta variante — disse a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, nesta segunda. — Não há evidência de que ela seja sustentada ou que ela seja disseminada neste momento.

Ao todo, o Reino Unido já registrou 11 casos da nova Ômicron — além dos seis registrados na Escócia, outros dois foram registrados no resto do país nesta segunda-feira. Os britânicos restringiram todas as viagens para o Sul da África, tornaram o uso de máscaras novamente obrigatório em lojas e no transporte público e anunciaram que vão aplicar doses de reforço em toda a população adulta.

A Ômicron já foi detectada em ao menos 17 nações, sem nenhuma morte relatada até o momento. São elas: África do Sul e Botsuana; Austrália, Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Escócia, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Tcheca e Suécia; Israel, Hong Kong e Canadá. Vários outros investigam casos suspeitos.

O real impacto da Ômicron, designada como “variante de preocupação” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda é desconhecido, e os laboratórios levarão cerca de duas semanas para avaliar como ela responde às vacinas. Ela apresenta um total de 50 mutações, quase o dobro das vistas na Delta — mais de 30 delas apenas na proteína spike, usada pelo vírus para invadir as células e alvo da maior parte dos imunizantes.

Evidências preliminares sugerem que a nova variante aumenta o risco de reinfecção, é mais transmissível e menos suscetível às defesas geradas pelas vacinas que, segundo especialistas, ainda assim deverão garantir boa proteção contra casos graves e mortes. A OMS advertiu nesta segunda que a Ômicron representa um “risco muito elevado” para o planeta.

Novas restrições
Diante dos riscos, mais países anunciaram novas restrições ao deslocamento: se Japão e Israel barraram a entrada de todos os estrangeiros, a maior parte das nações têm como alvo o Sul da África. O Camboja baniu nesta segunda-feira a entrada de viajantes que passaram recentemente por 10 nações africanas, assim como o Paraguai.

O Chile anunciou restrições similares para estrangeiros que estiveram em sete países do Sul da África, além de determinar que, a partir do primeiro dia de 2022, apenas pessoas adultos já vacinados com as doses de reforço terão acesso a passaportes sanitários.

A Polônia, por sua vez, disse que banirá os voos vindos de sete países africanos e prorrogará a quarentena obrigatória de viajantes vindos destes países de sete para 14 dias. Criará também novos limites para a ocupação de bares ou restaurantes, quer deverá ser reduzida pela metade, sem contar pessoas com seu ciclo vacinal completo.

O temor é que a cepa agrave ainda mais a quarta onda de Covid-19 que a Europa, particularmente o Leste e o Centro do continente, atravessam.

As restrições voltaram a ser alvo de reclamações da África do Sul nesta segunda. De acordo com o presidente do país, Cyril Ramaphosa, o mundo deve resistir restrições de viagem "injustificáveis e sem embasamento científico":

— Precisamos resistir às restrições de viagens injustificáveis e sem embasamento científico que estão prejudicando economias e setores que dependem das viagens — afirmou. — Há uma ordem mundial em que a riqueza de um país é a diferença entre saúde e doença.

A África do Sul é há meses, junto com a Índia, um dos principais proponentes da suspensão das patentes de vacinas anti-Covid. O assunto deveria ter sido debatido em uma reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta semana, que foi adiada por um período indeterminado devido às restrições de viagem impostas pela Suíça, onde a OMC fica sediada.

Enquanto muitos países ricos e emergentes já administram doses de reforço e têm injeções de sobra, apenas 6,6% da população africana de 1,2 bilhão de habitantes está totalmente vacinada. Nesta segunda, o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou a doação de 1 bilhão de doses adicionais para o continente, além das 200 mil já destinadas à região.

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