Por redução de tarifa no Mercosul, Guedes diz que apoia que Uruguai negocie fora do bloco

Por redução de tarifa no Mercosul, Guedes diz que apoia que Uruguai negocie fora do bloco

26/10 Ministro afirma que parceiro exigia esse aval para aceitar corte na TEC, que taxa produtos de outros países. Uruguaios iniciaram conversas com China

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que falta apenas o apoio do Uruguai para que o Mercosul reduza em 10% as alíquotas da Tarifa Externa Comum (TEC).

Segundo o ministro, os uruguaios querem, em troca, que o Brasil concorde com a possibilidade de os sócios negociarem acordos de livre comércio em separado dos demais membros do bloco. Guedes ressaltou que o governo brasileiro não vai se opor a essa proposta.

— O Uruguai disse que nos apoia, mas quer o apoio para avançar em negociações com outros países. Nós, brasileiros, não temos nada contra isso — disse Guedes, durante o lançamento da agenda legislativa da Frente Parlamentar de Comércio e Investimentos do Congresso, em solenidade no Itamaraty.

O Uruguai anunciou, no início de setembro, que estaria iniciando conversas para um acordo bilateral com a China, o que vai contra os princípios do Mercosul de negociações apenas em bloco.

Em seguida, Guedes complementou:

— Se algum parceiro quiser avançar com o Uruguai, deixa avançar. Se outro parceiro preferir ficar um pouco fechado, porque está enfrentando problemas econômicos importantes, também compreendemos.

Ao falar sobre o "parceiro que prefere ficar um pouco fechado", Guedes se referia à Argentina, que criou dificuldades nas negociações para a redução das tarifas de importação, mas acabou concordando com a ideia na semana passada, quando o chanceler daquele país, Santiago Cafiero, veio a Brasília. Em seguida, o governo paraguaio anunciou sua posição favorável.

Guedes lembrou do lobby contrário à redução da TEC, feito pelo embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli. O diplomata diplomata argentino chegou a recorrer a dois ex-presidentes, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, em busca de apoio.

— Estamos tentando a modernização do Mercosul . Houve um momento em que um embaixador argentino chegou a conversar com dois ex-presidentes — afirmou. — Conversamos com os argentinos e dissemos que “compreendemos essa negociação dificil, mas vocês têm que compreender a nossa situação” — completou.

'Bad guy' e 'good guy'
Paulo Guedes admitiu que tem um estilo mais agressivo e menos diplomático que seu colega de Esplanada dos Ministérios, o chanceler Carlos França. O ministro brincou:

— França é o good guy (bom rapaz, em uma tradução livre) e eu sou o bad guy (mau rapaz).

Para o ministro, o Brasil foi pioneiro ao criar o Mercosul, mas acabou ficando para trás. O bloco sul-americano, repetiu Guedes, é uma gaiola que aprisionou os seus integrantes. O momento atual, afirmou, é de recuperar o tempo perdido.

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