Por Argentina, bloco pode recuar de status, diz Giambiagi

Por Argentina, bloco pode recuar de status, diz Giambiagi

O economista Fábio Giambiagi defendeu que o governo brasileiro solicite ao Mercosul sua regressão ao status de área de livre-comércio deixando de ser união aduaneira caso um eventual governo de Alberto Fernández, na Argentina, se mostre irredutível à proposta de redução da Tarifa Externa Comum (TEC), planejada pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes e que teria a concordância do Ministério das Relações Exteriores.

`Já está colocado que o Brasil vai apresentar ao Mercosul uma proposta de redução tarifária para os próximos anos. Isto posto, a Argentina pode aceitar a tese, mas terdiscordâncias quanto ã velocidade ou intensidade da redução. Aí se pode negociar. Mas, se manifestarem rejeição absoluta à idéia, dada a importância que isso tem para a economia brasileira, poderemos estar diante da possibilidade de que o Brasil solicite ao Mercosul sua transformação no que seria apenas uma área de Hvre-comércio, um passo atrás`, disse.

Por mais de uma vez, em debate sobre os impactos das eleições argentinas para o Brasil e o Mercosul, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio, Giambiagi sugeriu que essa é a compreensão do governo Jair Bolsonaro. Ele atua como chefe do Departamento de Pesquisas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico eSocial(BNDES).

Giambiagi se diz a favor de reduzir em 50% a TEC em um prazo de quaüo a cinco anos, afim de expor mais a economia brasileira a concorrência externa e forçar maior competitividade. Criada em 1994, a TEC do Mercosul é o conjunto de impostos de importação cobrados nas aduanas de seus integrantes com alíquotas que variam de 0% a 35%. Presente, o embaixador José Botafogo Gonçalves lembrou que, ironicamente, sua implementação foi resultado de pressão brasileira junto aos argentinos para sufocar as intenções de abertura das economias menores do bloco, Uruguai e Paraguai.

Uin acerto para o corte de tarifa estaria adiantado junto ao presidente Maurício Macri, mas pode encontrar resistência de Fernández, candidato da ala peronista, historicamente afeita ao protecionismo ele venceu as primárias com folga e tende a confirmar o resultado domingo nas urnas.

Os debatedores se disseram preocupados com a escalada retórica entre Bolsonaro e Fernández, que poderia prejudicar não só a governança do Mercosul, mas trocas comerciais entre Brasil e Argentina e o acordo comercial do bloco com a União Européia, finalizado em junho.

`Fernández fez declarações fortes, dizendo que não se sente nada cingido por esse compromisso (acordo com a UE). Se somarmos a isso as intervenções de Bolsonaro e do chanceler [Ernesto Araújo] sobre as eleições aigentinas, não é um bom princípio para uma relação`, disse o diretor da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), Ricardo Markwald, Ele definiu Bolsonaro como `incontrolável` e lamentou que a política externa do país não seja comandada pelo Itamaraty, mas pelo `discurso ideológico` de Araújo, o que atrapalha a `tradicional paciência estratégica` do Brasil com os argentinos.

Para Markwald, uma pista sobre a futura interação entre os dois países virá da negociação da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que começarão no fim deste mês, depois da eleição local. Ele diz que, se Fernández não buscar um acordo com o FMI tendo algum apoio do banco central americano (Fed), entrará em `marcha para a insensatez`. O FMI anunciou, em setembro, a interrupção da ajuda financeira de USS 56 bilhões à Argentina em razão de incertezas políticas e da moratória da dívida soberana.

Mas o economista disse que, ainda assim, o horizonte do Mercosul pode ser considerado satisfatório. Além do entendimento com a UE, ele citou a revisão do acordo automotivo entre Brasil e Argentina, com livre-comércio a partir de 2029, e a pretensão de ambos de ingressar na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), movimento que indicaria `mentalidade de abertura econômica importante`.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino