Politizar pandemia é irresponsável, diz Bachelet

Politizar pandemia é irresponsável, diz Bachelet

“Em qualquer país do mundo onde líderes negaram a existência da covid-19 e as evidências científicas, houve um efeito devastador.", sustentou a alta comissária de direitos humanos da ONU

A alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, condenou nesta quarta-feira dirigentes políticos que minimizam ainda hoje o impacto da covid-19 e politizaram a pandemia, enquanto milhares de pessoas continuam a morrer.

Durante entrevista coletiva em Genebra, Bachelet foi incisiva, “É surpreendente constatar que, mesmo agora, certos dirigentes políticos continuam a minimizar seu impacto (da crise sanitária), afetando a aplicação de medidas simples como usar máscara e a necessidade de evitar as grandes aglomerações.”

E acrescentou: “Algumas personalidades políticas falam mesmo ainda com desenvoltura de imunidade coletiva (herd immunity), como se a perda de centenas de milhares de vidas fossem um custo que se pode suportar facilmente para o bem de todos”.

Para Bachelet, “politizar uma pandemia dessa maneira é mais que irresponsável, é totalmente repreensível”.

Indagada por jornalistas sobre a crise sanitária no Brasil, ela deixou claro que não gostava de mencionar nomes, mas que, “em qualquer país do mundo onde líderes negaram a existência da covid-19 e as evidências científicas, houve um efeito devastador. Isso ocorreu em muitos países, não apenas no Brasil, mas também no Brasil”.

As declarações do presidente Jair Bolsonaro minimizando a pandemia, e questionando a vacina que, ao seu ver, seria de seu adversário político, o governador de São Paulo, João Doria, ocuparam espaço também na imprensa internacional.

Michelle Bachelet qualificou 2020 de “ano terrível e devastador”. A crise sanitária contaminou pelo menos 67 milhões de pessoas e matou 1,6 milhão no mundo até agora. E a pandemia “está longe de ter terminado”, disse.

Ela destacou o “impacto devastador” sobre as economias dos países e sobre emprego, renda, educação, saúde e fornecimento alimentar a centenas de milhões de pessoas. Além disso, disse que a crise provocou um enorme retrocesso no desenvolvimento.

“O ano de 2020 fez estragos não apenas em todas as regiões e todos os países, mas também no conjunto de nossos direitos, quer sejam econômicos, sociais, culturais, civis ou políticos”, afirmou. Segundo ela, a covid-19 se somou às fragilidades das “nossas sociedades, expondo todos nossos fracassos em investir na construção de sociedades justas e equitativas".

Para Bachelet, a resposta à pandemia conduziu a novas divisões. “As provas e processos científicos foram colocados de lado, e as teorias conspiracionistas e a desinformação foram difundidas e permitiram, ou mesmo encorajaram, a propagação do vírus”, disse.

De maneira geral, as pessoas já vulneráveis foram as mais afetadas pelo vírus, incluindo no Brasil.

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