Plano de Biden estabelece que 50% dos novos carros vendidos nos EUA em 2030 serão elétricos

Plano de Biden estabelece que 50% dos novos carros vendidos nos EUA em 2030 serão elétricos

18:33 - Presidente obtém apoio de grandes montadoras, que no entanto ressaltam serem necessários investimentos públicos para a construção de postos de recarga

O presidente americano, Joe Biden, planeja fazer com que metade de todos os veículos vendidos nos EUA utilizem, até o final da década, combustíveis que não emitem carbono. Para as montadoras, a meta ambiciosa só pode ser alcançada com maior investimento governamental em estações de recarga e em outras obras de infraestrutura.

Em um sinal de apoio da indústria, Biden anunciou o plano nesta quinta-feira na Casa Branca, em discurso ao lado dos principais executivos das maiores montadoras americanas e de representantes do sindicato Trabalhadores Automotivos Unidos (United Automobile Workers).

De sua parte, as montadoras prometeram que de 40% a 50% de suas vendas de carros e caminhões novos virão de veículos elétricos até 2030, ante apenas 2% atualmente. Elas, no entanto, impuseram como condição que o Congresso aprove o pacote de infraestrutura de US$ 1 trilhão atualmente no Senado, que direciona US$ 7,5 bilhões para uma rede nacional de estações de recarga de veículos elétricos.

Biden também fortaleceu sutilmente alguns regulamentos sobre poluição, recolocando-os nos níveis vigentes no governo do presidente Barack Obama (2009-2017), posteriormente enfraquecidos durante o mandato de Donald Trump (2017-2021). Além disso, ele anunciou que seu governo está elaborando um conjunto de regras de poluição automotiva ainda mais rígidas para veículos de passageiros e caminhões pesados.

Em seu anúncio, Biden voltou a justificar as medidas atribuindo-as à competição com a China. A transição para energias verdes é vista como estratégica pelo governo dos Estados Unidos, por simultaneamente combater a emergência climática e propiciar uma nova revolução industrial, capaz de aquecer a economia e de gerar empregos no setor produtivo.

A China atualmente é líder global na produção de tecnologias verdes, como baterias de lítio e turbinas fotovoltaicas, por vezes utilizando procedimentos que atores no Ocidente afirmam que violam regras de propriedade intelectual.

Biden disse que "não há como voltar atrás" em um futuro elétrico para a indústria automativa.

— A questão é se vamos liderar ou ficar para trás na corrida pelo futuro. No momento, a China lidera a corrida, sendo um dos maiores mercados do mundo, com crescimento muito rápido — afirmou. — Mas já lideramos o desenvolvimento dessas tecnologias. Não há razão para não podermos reivindicar essa liderança.

O líder americano disse que a presidente da General Motors, Mary Barra, concordou que, quando o primeiro Corvette elétrico for construído, ele próprio vai conduzi-lo — o conversível foi um símbolo americano nas décadas de 1950 e 1960, quando Biden, de 78 anos, começava a dirigir:

— Quando eles fizerem o primeiro Corvette elétrico, eu vou dirigi-lo. Não estou brincando — disse Biden. — O Serviço Secreto está murmurando “oh meu Deus”.

Os decretos são uma peça central dos planos climáticos de Biden e marcam o primeiro grande esforço de seu governo para usar a regulamentação para conter os gases de efeito estufa que aquecem o planeta. Agências federais americanas estão desenvolvendo regras adicionais visando combater as emissões de metano de poços de petróleo e emissões de dióxido de carbono de usinas de energia, após o governo Trump afrouxar os regulamentos.

O plano americano é menos ambicioso do que uma iniciativa anunciada pela União Europeia em meados de julho, em seu novo plano de transição energética. O plano da UE — onde estão os países que tradicionalmente lideram os esforços contra a mudança climática — determina um veto à venda de carros movidos a diesel ou gasolina a partir de 2035. O processo seria gradual, com uma meta de redução de 55% nas emissões de carbono por carros até 2030, em comparação com os níveis de 2021.

As montadoras americanas dizem que estão contando com a ajuda do governo federal para cumprir as metas dos novos veículos. Alguns ambientalistas dizem que os planos não são abrangentes o bastante para reverter catástrofes ambientais, que têm se tornado mais comuns na forma de secas,incêndios florestais e no derretimento de camadas polares. O setor de transporte é responsável pela maior parcela das emissões de gases de efeito estufa dos EUA, de acordo com dados da Agência de Proteção Ambiental.

Em um comunicado conjunto, a Ford, a General Motors e a Stellantis disseram que o plano do governo americano “representa uma mudança dramática em relação ao mercado dos EUA hoje, que só pode ser alcançada com a implantação oportuna de todo o conjunto de políticas de eletrificação prometidas pelo governo”. “Nossos anúncios recentes de produtos, tecnologia e investimentos destacam nosso compromisso coletivo de sermos líderes na transição dos Estados Unidos para veículos elétricos”, acrescenta a nota.

O presidente dos Trabalhadores Automotivos Unidos, sindicato dos trabalhadores da indústria automotiva dos Estados Unidos, Ray Curry, disse em um comunicado divulgado pela Casa Branca que o esforço é necessário para “construir os veículos do futuro”. “Estamos ficando para trás na China e na Europa, à medida que os fabricantes despejam bilhões no crescimento de seus mercados e na expansão de sua manufatura”, disse Curry. “Precisamos fazer investimentos aqui nos Estados Unidos.”

O CEO da Tesla, Elon Musk, disse no Twitter que a fabricante de carros elétricos não estava na lista de convidados para o evento de quinta-feira. “Sim, parece estranho que a Tesla não tenha sido convidada”, escreveu.

Os fabricantes de automóveis americanos já tinham anunciado planos de investir bilhões na produção de frotas neutras em carbono. A GM, por exemplo, prometeu vender apenas modelos com emissões zero até 2035. A Ford disse esperar que 40% de seu volume global de veículos seja totalmente elétrico até 2030, e a Stellantis anunciou a meta de que mais de 70% das vendas na Europa e mais de 40% nos Estados Unidos sejam “veículos de baixa emissão” — ou seja, elétricos ou híbridos — até 2030.

Em março, Biden pediu ao Congresso US$ 15 bilhões em investimentos para construir uma rede nacional com 500 estações de recarga. Apenas metade desse dinheiro deve ser disponibilizado no pacote bipartidário de infraestrutura que o Senado divulgou na semana passada, que está prestes a ser votado.

Atualmente há cerca de 41 mil estações disponíveis para o público nos Estados Unidos, de acordo com dados do governo.

— Para fazer isso da maneira certa, você precisa ter entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões nos próximos 10 anos — disse Joe Britton, diretor executivo da Zero Emission Transportation Association, que disse que 4,5 milhões de carregadores serão necessários quando os Estados Unidos passarem a vender apenas veículos totalmente elétricos.

Britton acrescentou que os US$ 7,5 bilhões disponibilizados pelo projeto de infraestrutura do Senado são suficientes para custear cerca de 735 mil carregadores se, desse total, cerca de 90% forem de nível 2, que usam a mesma voltagem de um secador doméstico, e 10% forem de nível 3, que podem carregar um carro em 15-20 minutos, mas são consideravelmente mais caros.

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