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PIB cresceu 0,1% no 4ª trimestre e 1,2% em 2018, estimam analistas

PIB cresceu 0,1% no 4ª trimestre e 1,2% em 2018, estimam analistas

Na próxima quinta-feira, as Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) devem confirmar o decepcionante crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018. Falta apenas esse dado para oficializar uma história já conhecida. Entre o fim de 2017 e o início do ano passado, as expectativas de economistas, governo e empresários eram de um aumento do PIB em torno de 3%.

A recessão encerrada em 2016 abriu espaço para uma expansão em 2017 e esperava-se um ritmo mais acelerado no período seguinte. Mas, num ano conturbado pela greve dos caminhoneiros, incertezas eleitorais, crise da Argentina e aperto das condições financeiras, a alta do PIB, segundo as estimativas de consultorias e instituições financeiras reunidas pelo Valor Data, deve ficar em apenas 1,2%.

É quase a mesma taxa cie 2017, de 1,1%. O intervalo das estimativas é bem estreito, variando de 1,1% a 1,2%. No quarto trimestre quando, passadas as incertezas eleitorais, se aguardava um bom número o resultado também deve ser desapontador, com avanço de apenas 0,1%, após crescimento de 0,8% no terceiro trimestre do ano sobre o segundo, feito o ajuste sazonal. Aqui também não há muita dispersão das projeções, que vão de zero a 0,3%. A média da projeção para 2019, que tem sofrido revisões para baixo nas últimas semanas, é de crescimento de 2,3%.

O PIB fraco do ano passado deixa uma baixa herança estatística para este ano. O banco Haitong calcula que, se sua estimava de expansão de 1,1 % do PIB em 2018 se confirmar, o carregamento estatístico será de 0,5%. Isso significa que, se a atividade permanecer ao longo de todo 2019 no mesmo patamar dos últimos três meses do ano passado, haverá crescimento de 0,5%. `É um número fraco, o que limita as chances de uma alta do PIB maior do que 3%`, diz o economista sênior da instituição, Flavio Serrano. No ano passado, no laclo da demanda, o aumento estimado de 1,8% do consumo das famílias puxou o crescimento do PIB, já que o baixo gasto do governo, estável em relação a 2017 resultado da restrição fiscal e a contribuição negativa do setor externo com aumento maior das importações (8,1 %) que das exportações (3,9%) não ajudaram.

A demanda das famílias, porém, deve ser menor que a alta de 2,3% cio ano anterior, quando o benefício da liberação das contas inativas cio FGTS beneficiou o consumo. A alta taxa de desemprego, que no ano passado cedeu em apenas seis das 27 unidades da federação, segundo o IBGE, contribuiu para um número mais tímido.

No quarto trimestre, essa linha do PIB deve crescer 0,2%, enquanto o consumo do governo deve ficar estável em relação ao terceiro trimestre, na comparação dessazonalizada. `A demanda do governo contribuiu zero, na melhor das hipóteses, para o crescimento do produto. E deve continuar assim. Não só por causa do teto de gastos, mas também por fatores como a queda do saldo de crédito do BNDES`, afirma José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

Ele estima crescimento de 1,1% para 2018 e 1,8% para 2019. Ainda no lado da demanda, a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas, equipamentos, construção, pesquisa e desenvolvimento) deve ter mostrado crescimento de 4% no ano, razoável tendo em vista o resultado do PIB. Mas o quarto trimestre deve marcar uma queda de 1,8% sobre o terceiro.

O investimento é a principal influência de baixa para a atividade no fechamento cie 2018, na avaliação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), que prevê queda de 2,9% no período de outubro a dezembro em relação a julho a setembro. E o dado só não é pior por causa das mudanças nas regras do Repetro, regime fiscal que concede benefícios tributários a bens cio setor de petróleo.

As importações contábeis de plataformas de petróleo passaram a ser consideradas investimentos em capital fixo e, antes, eram contabilizadas como ativos fora do país, mesmo estando em território nacional. Excluídas as compras externas desses itens, a retração cia FBCF é maior ainda, de 4,6%, ressaltam as economistas cio Ibre-FGV Silvia Matos e Luana Miranda, em relatório. Esse efeito também vale para o ano fechado. `Ao incorporar plataformas, o investimento cresceria 4% em 2018, ao passo que, ao desconsiderá-las, o crescimento seria de 2,1%`, afirmam. Serrano, do Haitong, destaca como ponto positivo o fato de o crescimento da demanda doméstica ter sido maior cio que a expansão do PIB.

As projeções do banco chinês apontam para alta cie 1,6% do consumo das famílias, 4,2% dos investimentos e 0,1 % do consumo do governo no ano. Por isso, segundo ele, a expansão prevista para a atividade como um todo `não é ruim`. Sob o ponto de vista da oferta, a grande decepção do ano é a indústria, com crescimento pífio cie 0,4% em 2018, um resultado que se realizado ficará bem abaixo da alta de 1,3% registrada em 2017.

Devido à fraqueza do setor manufatureiro e também da construção civil, o Ibre estima que o PIB industrial caiu 0,6% na passagem do terceiro para o quarto trimestre. Dentro dessa abertura, a construção encolheu 1,6% e a indústria de transformação diminuiu 1,8%, calcula a instituição, movimento que reflete a recessão na Argentina, importante parceiro comercial do Brasil.

Giulia Coelho, economista cia 4E Consultoria, observa que a indústria automotiva tem sofrido com a redução da demanda do vizinho, destino de 70% das exportações de veículos brasileiros. `A crise argentina é estrutural e não deve ser resolvida no médio prazo. Por isso, não esperamos crescimento expressivo da indústria em 2019`, diz. Já os serviços, devem crescer 0,5% no quatro trimestre sobre o terceiro e 1,3% em 2018.

Se a indústria foi fraca, os serviços tampouco mostraram dinamismo no período, afirma Giulia, que estima alta de 0,3% de outubro a dezembro em relação ao trimestre anterior, feitos os ajustes sazonais. `Os serviços decepcionaram um pouco`, diz a economista, para quem as turbulências que prejudicaram o desempenho da economia em 2018 não foram totalmente dissipadas nos últimos três meses do ano. `A atividade não se recuperou totalmente após a greve dos caminhoneiros e tivemos uma eleição conturbada`, afirma ela. Além disso, o mercado de trabalho mostrou reação no ano passado, mas ainda muito lenta, o que tem inibido crescimento maior dos serviços, segmento que depende bastante da renda das famílias.

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