Pessimismo perde força, mas cenário tem muitos riscos

Pessimismo perde força, mas cenário tem muitos riscos

Conjuntura - Mercado de trabalho frágil e alta dos casos de covid são desafios para um PIB que deve ter queda recorde

Desde meados de junho, as estimativas para o Produto interno Bruto (PIB) brasileiro têm ficado menos negativas diante de dados melhores que o esperado em alguns segmentos da economia. Mas enquanto cenários mais negativos ficam para trás, se consolida a percepção de que o tombo do ano ainda será recorde e que, à medida que a pandemia de covid-19 não dá sinais de arrefecer em boa parte do país, há muitos riscos à frente.

No boletim Focus, do Banco Central, a mediana de cerca de 70 estimativas de consultorias e instituições financeiras, passou a se mover para cima no início do mês passado, saindo de queda de 6,5% para recuo de 5,8%. Na semana passada, houve mais uma rodada de revisões, indicando que esse movimento pode prosseguir. Números sobre o emprego formal em junho e a divulgação dos indicadores de confiança cm julho reforçaram uma avaliação menos pessimista.

Estímulos fiscais e monetários, como o auxílio emergencial e a baixa taxa de juros, e a volta gradual da atividade apontam que a recuperação iniciada em maio deve se estender pelo segundo semestre, diz Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.que tem mantido sua estimativa de queda de 4,5% do PIB há meses. A projeção para o ano que vem, de crescimento de 3,9%, também está acima da mediana do Focus, de 3,5%.

Ela também destaca o comportamento da construção civil, que teve saldo positivo de empregos formais e viu crescer o crédito imobiliário em junho por causa das baixas taxas de juros.

Além disso, a forte captação da poupança desde abril indica aumento de liquidez das famílias, o que pode ajudar o consumo nos próximos meses. A elevação dos saldos de poupança, bem como a redução na demanda por crédito da pessoa física indicariam uma queda no consumo mais significativa que a da renda, afirma. `Essa disponibilidade de recursos terá papel fundamental na retomada do consumo à medida que ocorre a reabertura da economia`, afirma. A fragilidade do mercado de trabalho, terminadas as medidas de sustentação do emprego, e o aumento persistente de casos de covid-19 são, contudo, são riscos para o cenário de recuperação, diz Rafaela.

O Bradesco também passou a prever queda de 4,5% no PIB de 2020, dado revisado na semana passada de uma retração de 5,9% por causa de dados de atividade que, segundo o banco, surpreenderam positivamente.

`A produção industrial e as vendas do varejo têm confirmado o movimento mais forte de melhora dos índices de confiança, apontando para uma retomada da atividade que tem o formato de ´V´ na dinâmica trimestral`, diz relatório de revisão cie cenário da instituição. Citando os mesmos fatores, a 4E Consultoria modificou sua estimativa para o ano de -6,1% para -5,6%. Os indicadores antecedentes de julho sugerem continuidade da retomada da atividade no terceiro trimestre, `inclusive com aceleração em alguns setores`, diz o Bradesco. Outro grande banco, o Itaú Unibanco, tem estimativa de retração de 4,5% desde maio.

As preocupações em torno do coronavírus e do enfraquecimento do mercado de trabalho, assim como o efeito do fim dos

Rafaela Vitória, do Banco Inter aprovação de reformas e medidas de controle são desafios para retomada em 2021

estímulos emergenciais, também compõem o cenário de riscos dessas instituições. Estes, diz a LCA Consultoria, são `armadilhas` no caminho da recuperação econômica brasileira que precisam ser desarmadas para que um cenário menos negativo se consolide. A casa prevê queda de 5,6% neste ano. `Mas nosso viés é negativo por causa de dois grandes riscos. O primeiro relacionado à evolução da pandemia. Pode haver uma volta ao isolamento em algumas regiões. E o segundo é que não sabemos como a economia vai reagir após o fim das medidas de auxílio`, afirma o economista da LCA Rodrigo Nishida. Esses riscos parecem estar por trás da recente perda de ímpeto da recuperação da confiança no comércio, avalia a consultoria. O componente de expectativas do índice do setor caiu em julho, o que pode indicar um receio dos empresários em relação à sustentação do consumo. Justamente a dúvida sobre o consumo é um dos fatores de risco para a recuperação que se espera para o PIB em 2021, afirma Rafaela Vitória, do Inter. Mas o cenãrio-base da instituição é de que o excesso de liquidez gerado pela poupança das famílias mais a demanda reprimida devem puxar a economia no próximo ano. A base mais fraca de 2020 ajuda na magnitude do crescimento. A economista também vê a possibilidade da volta do investimento privado por causa dos juros muitos baixos. `O investimento pode surpreender`, diz, num cenário em que haja uma sinalização de que o ajuste fiscal será retomado. `A retomada em 2021 requer grande esforço de medidas de controle e reformas por parte de governo e Congresso. Mas é sim possível ter uma recuperação mais acelerada.`

Para o Bradesco, assumindo que não haverá grande `ressaca` no crescimento do último trimestre deste ano e que a agenda de reformas será retomada, deve haver aceleração do crescimento no próximo ano a estimativa do banco é de alta de 3,5%. ALCA prevê expansão de 3,2%.

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