Pesos pesados do PIB voltam às ruas pela 1ª vez desde impeachment de Dilma

Pesos pesados do PIB voltam às ruas pela 1ª vez desde impeachment de Dilma

Banqueiros e empresários, como Horácio Lafer Piva, José Olympio Pereira, Fábio Barbosa e Antônio Moreira Salles, estiveram na Paulista

Alguns pesos pesados do PIB brasileiro voltaram para a rua pela primeira vez desde os protestos a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Empresários e investidores como Horácio Lafer Piva (acionista da Klabin e ex-presidente da Fiesp), José Olympio Pereira (presidente do banco Credit Suisse), Fábio Barbosa (da Gávea Investimento e ex-presidente do banco Santander), Antonio Moreira Salles (filho do presidente do conselho de administração do banco Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles), Eduardo Wurzmann e Lucia Hauptman estiveram na avenida Paulista neste domingo (12) para protestar contra o presidente Jair Bolsonaro.

Muitos afirmam que Bolsonaro, além de representar uma ameaça à democracia, é ruim para os negócios.

A maioria ainda acredita na possibilidade de surgir uma terceira via para a eleição de 2022 e muitos apostam no enfraquecimento de Bolsonaro, para que um candidato alternativo chegue ao segundo turno contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Se o setor privado não enxerga que é importante lutar pela democracia, pelo menos deveria entender que, sem democracia, nossos negócios valem menos", diz Lucia Hauptman, dona de uma empresa de investimentos.

Grupos de empresários como o Derrubando Muros, que é apartidário, têm feito reuniões e publicado manifestos em prol da democracia.

As turbulências politicas e ameaças golpistas têm gerado incerteza e assustado investidores, na visão de empresários.

É a primeira vez que Hauptman participa de um protesto desde 2016, quando foi aos atos a favor do impeachment de Dilma.

Embora defenda uma terceira via, Lucia não afasta a possibilidade de apoiar Lula em 2022. "O simbolismo de uma volta de Lula ao poder é ruim, mas precisamos ver que Lula seria esse, qual seria sua equipe econômica", diz. "Um segundo governo Bolsonaro seria péssimo, precisamos evitar que ele chegue ao segundo turno. Uma reeleição de um presidente golpista é ruim para os negócios."

Embora decepcionados com a baixa adesão do protesto deste domingo, alguns empresários pretendem participar do ato do dia 2 de outubro, que deve contar também com a participação do PT e PSOL.
"Os investimentos no país estão em compasso de espera por causa das incertezas; os investidores querem uma pessoa previsível e racional no governo", diz o investidor Eduardo Wurzmann, que é do conselho de várias empresas e investe em setores como educação.

Ele relata ter participado de atos a favor do impeachment de Dilma e diz não se arrepender. "A situação tinha ficado insustentável, e, depois, muitos empresários votaram em Bolsonaro para evitar o PT no poder."

Agora, ele se diz preparado para votar no PT caso seja a única opção para tirar Bolsonaro do poder. "Voto em qualquer um que não seja o Bolsonaro. Espero que haja alternativa, alguém que tire Bolsonaro do segundo turno. Mas o fato é que a inflação hoje está mais alta do que era no governo Dilma, o dólar também, nada foi privatizado, reformas estão patinando."

Ele pretende ir ao ato do dia 2. "Estarei aqui, e acho ótimo que esteja a esquerda, o centro e a direita."

Segundo Oscar Vilhena, diretor da Escola de Direito da FGV e colunista da Folha, o ato foi importante por levar pessoas de direita de volta às ruas para criticar tentativa de golpe de Bolsonaro, ainda que não tenha reunido muita gente. Ele aposta que pessoas de direita e esquerda estarão no ato do dia 2 de outubro.

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