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Pequim tenta atrair Brasil para seu projeto global

Pequim tenta atrair Brasil para seu projeto global

O vice-presidente Hamilton Mourão deve ser confrontado em sua visita a Pequim, dia 23, ao interesse da China para atrair o Brasil para a chamada Nova Rota da Seda (`One Belt, One Road`, ou Iniciativa do Cinturão e Rota), megaprojeto mundial de investimentos chineses em infraestrutura e que é visto com desconfiança pelos EUA.

A possibilidade de assinatura futura de um memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) é um dos temas que os chineses tendem a levantar. Para a China, a participação brasileira seria um reconhecimento da importância que o Brasil dá a Pequim, superando manifestações hostis de setores do governo Bolsonaro à relação bilateral.

Mourão vai a Pequim comandar a delegação brasileira na reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação (Cosban), a maior instância permanente de diálogo e cooperação bilateral. A expectativa é que o tema da Nova Rota da Seda apareça, portanto, não na Cosban, e sim nos encontros de alto nível de Mourão com o presidente Xi Jinping e outras autoridades.

Lançado em 2013 por Xi, e hoje com 70 países, a Nova Rota da Seda é um ambicioso programa de financiamento de construção de portos, estradas, ferrovias entre a Ásia, África e Europa. Em 2018, a China passou a convidar países da América Latina e Caribe. O Peru, grande produtor de minérios, assinou há duas semanas MoU para participar do programa. Isso, apesar das pressões dos EUA. O Chile, outro aliado de Washington, anunciou em novembro que integraria o programa.

A Argentina já foi convidada. Até agora, segundo diferentes estimativas, Pequim já investiu US$ 200 bilhões na Iniciativa do Cinturão e Rota, mas o montante total de financiamento pode superar US$ 1 trilhão até 2027. A narrativa de Pequim é de que o `One Belt, One Road` abre portas para mais investimentos na maior economia da América Latina. No entanto, setores no Brasil notam que uma participação brasileira não significaria ganhar um cheque a ser descontado logo para investir em infraestrutura.

O programa tem motivações geopolíticas e econômicas. O mais importante é a parte política, com Pequim querendo dar demonstração de força e influência, como ocorreu ao obter entrada da Itália o primeiro país, neste caso, do G-7, grupo dos maiores industrializados , o que causou divisão entre os europeus.

Para certos observadores da cena bilateral, com ou sem Nova Rota da Seda, o investimento chinês continuará a tomar o rumo do Brasil quando Pequim identificar oportunidades no país. Em setores da academia no Brasil, uma participação brasileira 11a Nova Rota da Seda é vista de forma favorável, para maior integração do país no exterior e sem alterar a relação com Washington.

Fontes do segmento notam que o Brasil precisa estar atento também à participação no programa americano pelo qual a Casa Branca tenta se contrapor à iniciativa chinesa.

Xi Jinping promove uma visão mais assertiva da China e, no cenário de um novo padrão de crescimento global menor, busca conquistar mercados para seus produtos de consumo e reduzir o excesso de capacidade industrial do país. `Se o Brasil não receber convite para entrar na Nova Rota de Seda agora, receberá em algum momento, porque os chineses envolvem tudo agora nessa iniciativa`, diz um atento observador.

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