Paulo Guedes vai criar secretaria dedicada a plano de privatizações

Paulo Guedes vai criar secretaria dedicada a plano de privatizações

Estrutura fortalecerá a pasta do ´superministro´. Hoje, venda de ativos é coordenada pelo Planalto e pelo BNDES

BRASÍLIA - O governo Jair Bolsonaro terá uma secretaria de Privatizações, responsável pela implementação do amplo programa de desestatização que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende executar. Ela ficará sob o guarda-chuva do próprio Guedes, fortalecendo ainda mais a pasta do `superministro`. Hoje, as privatizações são coordenadas pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), subordinado à Secretaria-Geral da Presidência da República, e pelo BNDES. A criação da secretaria foi confirmada ontem por Guedes, que, no entanto, não detalhou o que acontecerá com o PPI a partir de janeiro nem como será o papel do BNDES nas privatizações. O futuro presidente do banco, Joaquim Levy, tem como uma de suas missões trabalhar na venda de estatais. Guedes também não citou quais companhias serão as primeiras a entrar no programa de privatização.

O superministro de Bolsonaro se reuniu ontem com o economista Roberto Castello Branco, escolhido para comandar a Petrobras no novo governo. A empresa está na mira do programa de desestatização, mas Castello Branco evitou falar no assunto. Agora é a pré-temporada, o campeonato mesmo começa em janeiro desconversou, ao chegar para o encontro com Guedes.

Castello Branco disse apenas que a prioridade da estatal deve ser acelerar a exploração dos campos do pré-sal. Indagado sobre a possibilidade de a União partilhar com estados e municípios a receita decorrente de um megaleilão do pré-sal, que pode proporcionar arrecadação de R$ 100 bilhões, o escolhido para comandar a Petrobras disse que isso é assunto do Executivo: Isso não é função da Petrobras. Guedes voltou a afirmar que ainda não definiu o comando de outras estatais, como Banco do Brasil. Um dos cotados para o cargo é o atual presidente da Petrobras, Ivan Monteiro. O futuro ministro também reafirmou que não haverá aumento de impostos, quando perguntado por jornalistas: Não, aumento de imposto não. De jeito nenhum.

 

CRESCIMENTO DE 5%

Ontem, em reunião da equipe de transição, o futuro ministro discutiu o plano de desestatização e também o programa do governo para as áreas de desenvolvimento, produtividade e emprego. As metas da equipe incluem fazer com que a economia brasileira cresça a uma taxa de 5% a partir de 2020, gerando 10 milhões de empregos e avançando 30 posições no ranking de competitividade do Banco Mundial. Responsável pela formulação de medidas nesse sentido, o economista Carlos da Costa afirmou que a idéia é implantar o que chamou de `Estado liberal desenvolvimentista`, no qual o governo criaria as condições para que o setor privado faça investimentos e crie postos de trabalho.

O Brasil tem uma vastidão de oportunidades de geração de empregos e total condição de crescer a uma taxa de 5% ao ano. Com uma agenda de aumento da produtividade, o crescimento virá pelo lado da oferta, sem gerar inflação disse Costa, acrescentando: Estamos falando de um Estado liberal desenvolvimentista. Segundo ele, não se trataria de `um Estado ausente, como alguns dizem`. E um Estado que dá as condições para o setor privado crescer. Como liberais, somos defensores da liberdade das empresas para investir, para contratar completou.

 

BAIXA PRODUTIVIDADE

Segundo Costa cotado para comandar uma das secretarias que ficarão sob o guarda-chuva de Guedes , a agenda tem quatro diretrizes: desenvolver os mercados de capitais, de trabalho e de intangíveis (valor agregado que os produtos adquirem por meio do desenvolvimento de marcas, pesquisas ou canais de distribuição) e promover uma abertura gradual e negociada da economia. Ele lembrou que o Brasil tem hoje 25% da produtividade do trabalho observada no mercado americano. Isso é resultado de um custo de crédito elevado, do custo da mão de obra e da alta carga tributária. Mas ele aposta que a agenda de reformas do governo Bolsonaro pode fazer com que essa produtividade cresça ao menos 20% em um período de 4 a 6 anos.

Costa disse apostar em crescimento de 3,5% para a economia já em 2019. Mas ressaltou que todo o trabalho feito para aumentar a produtividade e a competitividade só será eficiente se vier acompanhado de ajuste fiscal. E por isso que o foco está hoje em fazer avançar a reforma da Previdência e em zerar o déficit das contas públicas, explicou Costa.

MARCELO CORRÊA, MATEUS COUTINHO E MARTHA BECK

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