Parlamento europeu diz que acordo Mercosul-UE 'não pode ser ratificado como está'

Parlamento europeu diz que acordo Mercosul-UE 'não pode ser ratificado como está'

Mourão diz que há trabalho diplomático a ser feito para avançar no acordo Mercosul-UE

O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira, 7, uma resolução que manifesta oposição ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, dizendo que o pacto "não pode ser ratificado como está".
Mais tarde, o trecho que citava nominalmente o presidente foi eliminado.
No site do Parlamento Europeu, o documento, aprovado por 345 votos a favor, 295 contra e 56 abstenções, ainda aparece como "provisório", embora esteja na seção de "textos adotados".
O alerta sobre o acordo consta em uma emenda a um relatório de 2018 sobre as políticas comerciais do bloco. O documento concluía que a integração com os sul-americanos teria o potencial de diversificar as cadeias produtivas da Europa e poderia criar um mercado conjunto de aproximadamente 800 milhões de habitantes.
Com o trecho referendado nesta quarta-feira por parlamentares, a análise passa a incluir que o pacto "não pode ser ratificado como está". A rejeição, no entanto, é simbólica e o acordo ainda precisa ser analisado pelo plenário da Casa, bem como em cada um dos parlamentos nacionais dos dois blocos.

O desmatamento na Amazônia. Na semana passada, o eurodeputado português José Manuel Fernandes, que chefia a delegação responsável pelas relações com o Brasil, pediu que as duas partes dialoguem para solucionar o impasse.
No ano passado, após duas décadas de negociações, os países da UE e do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) anunciaram um acordo abrangente para criar a maior zona de livre-comércio do mundo. No entanto, a ratificação do tratado pelos governos europeus encontra resistência firme, em parte devido ao desmatamento acelerado no Brasil e também devido aos temores dos agricultores europeus sobre a concorrência desleal de empresas sul-americanas.
Em 21 de setembro, o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, disse que a UE esperava "um claro compromisso" do Mercosul de garantir que respeitará a seção "desenvolvimento sustentável" do acordo.
Os parlamentos da Áustria e da Holanda já descartaram a ratificação do acordo na sua forma atual, enquanto Bélgica, Irlanda, Luxemburgo e França estão relutantes. Até a Alemanha, grande divulgadora do texto, expressou dúvidas sobre o futuro do tratado. “Temos sérias dúvidas de que o acordo possa ser aplicado conforme o planejado", disse o porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert.

BRASÍLIA - O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que há "ruído" na decisão do Parlamento Europeu de rejeitar simbolicamente o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, com a justificativa de preocupações ambientais. Ele disse que um trabalho diplomático deverá ser feito a partir de agora para tratar do assunto.
Na saída da vice-presidência nesta quarta-feira, 7, ao ser questionado sobre jornalistas sobre o acordo, Mourão destacou que se trata de uma "questão de diplomacia" e lembrou que o acordo demorou 20 anos para ser assinado, o que só aconteceu em junho do ano passado.
"Tem muito ruído nisso aí. Tudo faz parte do trabalho diplomático que tem que ser feito. Vamos com calma", disse. Na visão, do vice-presidente, a discussão do acordo de livre-comércio envolve "muitos interesses", o que dificulta seu avanço.
"O lobby dos agricultores europeus é muito grande. Também tem a questão dos partidos verdes na Europa que são muito fortes. Tem países que estão em processo eleitoral. Países que estão vivendo crises internas ali. As pressões são enormes. Temos que ir manobrando pouco a pouco", declarou.
Relatório aprovado por parlamentares da União Europeia diz que o “acordo UE-Mercosul não pode ser ratificado na sua forma atual”.
Para Mourão, essa decisão é possível de ser revertida e que a viagem de embaixadores para a Amazônia pode contribuir com isso. "Lógico, tudo é reversível. Só tem duas certezas na vida: a morte e pagar imposto." A visita com os embaixadores, segundo Mourão, está prevista para novembro, mas vai depender da situação da pandemia.
Em setembro, o governo brasileiro afirmou que a não aprovação do acordo seria um desincentivo aos esforços do País para fortalecer sua legislação contra desmatamentos e queimadas e poderia agravar ainda mais os problemas ambientais da região.
Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura rebateram relatório encomendado pelo governo francês a um comitê de especialistas independentes, que alertava sobre os riscos ambientais representados pelo acordo.

André Marinho, Emilly Behnke,

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