Para vinícolas brasileiras, concorrência preocupa

Para vinícolas brasileiras, concorrência preocupa

As vinícolas brasileiras veem com preocupação o livre comércio de vinhos entre Mercosul e União Europeia. Para fabricantes, os custos de produção mais altos tiram a competitividade do produto nacional e dificultam o aumento das exportações para o bloco, mesmo com Imposto de Importação zero.

O acordo é excepcional para o Brasil, mas para o setor vinícola é prejudicial. Nosso custo é três vezes maior que o do produtor europeu e não recebemos subsídios, afirma Hermínio Ficagna, diretor superintendente da Vinícola Aurora, líder no mercado de vinhos finos, com 32% de participação, segundo a Nielsen. Ele diz que representantes do setor tentaram convencer o governo a retirar o vinho da pauta do acordo, sem sucesso.

Como medida compensatória para os produtores, o governo anunciou a criação de um fundo de R$ 150 milhões. O fundo terá recursos do IPI cobrado do produto nacional e importado e será usado para renovação de videiras, equalização de juros de financiamentos e investimentos em logística. A criação do fundo precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional.

Estamos muito apreensivos. Sabemos que o governo tem dificuldades de recursos. Não sabemos como esse fundo vai operar; dependendo do volume de recursos, ele não será suficiente para atender o setor, diz Ficagna.

Procurada, a Vinícola Salton, maior empresa de espumantes do país, com 28,8% de participação, segundo a Euromonitor International, informou que aguarda as definições do Ministério da Agricultura para analisar o acordo.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) existem no país 15 mil produtores de uvas e 1,1 mil vinícolas. A entidade observa que, enquanto o fundo brasileiro teria R$ 150 milhões, na União Europeia os produtores têm um programa de apoio com recursos anuais de 1,1 bilhão.

Para Alexandre Angonezi, diretor administrativo da Vinícola Garibaldi, além da falta de subsídios, o setor enfrenta dificuldades com a tributação. Hoje, 55% do preço da garrafa de vinho no varejo são impostos. Isso tira nossa competitividade em relação aos europeus, que pagam menos impostos, diz.

Para Angonezi, devido às diferenças de carga tributária, os vinhos europeus chegarão mais baratos no Brasil, mas os vinhos brasileiros continuarão caros na Europa. Para os produtores, a relação vai continuar desigual, afirma.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, no primeiro semestre do ano as exportações brasileiras de vinhos somaram US$ 6 milhões, com crescimento de 66,75% em relação ao mesmo período de 2018. Em volume, as exportações aumentaram 95,78%, para 3,1 milhões de litros.

Já as importações de vinhos no primeiro semestre totalizaram US$ 170,6 milhões, com queda de 5,6% na comparação anual. Em volume, houve queda de 9,4%, para 52,5 milhões de litros.

Além dos produtores brasileiros, também sofrerão prejuízos os vitivinicultores do Mercosul e Chile, que, além de competirem no mercado brasileiro, poderão sofrer invasões de vinhos baratos da Europa em seus próprios mercados, afirmou o Ibravin, em nota. O instituto defende a adoção de medidas como redução da carga tributária, créditos com juros mais baixos para o setor e ampliação do seguro agrícola.

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