Para o Brasil, acordo sino-americano tem mais importância que epidemia

Para o Brasil, acordo sino-americano tem mais importância que epidemia

Em termos comerciais, a reaproximação entre os governos de Washington e Pequim para frear a guerra comercial continua a provocar o monitoramento forte do lado brasileiro.

O interesse comercial imediato do Brasil na China está mais sobre como será implementada a primeira fase do acordo de Pequim com os Estados Unidos do que no impacto econômico do coronavírus, afirmam fontes que acompanham os negócios entre os dois grandes emergentes. Os efeitos do Vírus serão observados mais no médio prazo, envolvendo por exemplo a redução do consumo pela economia chinesa.

Sobre a epidemia, o foco brasise leiro agora está em retirar cerca de 40 brasileiros de Wuhan, depois que eles pediram ajuda pelas redes sociais, em vídeos mencionando ações semelhantes dadas por outros países a seus nacionais que estavam na cidade da China mais afetada pela epidemia da versão mais recente conhecida do coronavírus.

Em termos comerciais, a reaproximação entre os governos de Washington e Pequim para frear a guerra comercial continua a provocar o monitoramento forte do lado brasileiro.

Pelo entendimento anunciado pelo presidente Donald Trump há algumas semanas, a China se comprometeu a comprar adicionalmente US$ 12,5 bilhões de produtos agrícolas no primeiro ano e US$ 19,5 bilhões a mais no segundo ano, comparado a 2017.

O Brasil soube aproveitar o recuo americano na China. Em 2017, as vendas brasileiras de algodão representaram 5,6% do total importado pelos chineses, enquanto as importações procedentes dos Estados Unidos representaram 45% do total.

Em 2019, o algodão importado do Brasil passou a ter 23,9% de fatia do que a China importou, enquanto dos EUA o percentual ficou em 20,8%.

 Com relação à soja, em 2017 o Brasil vendia 52,8% do que a China importou, enquanto as vendas dos EUA representaram 35,2%. Em 2019, a soja brasileira tinha 66,9% do mercado na China, e os EUA, apenas 17,4%.

No caso do frango, o último ano em que os EUA exportaram para a China foi em 2014, por causa da gripe aviária.

Naquele ano, o Brasil vendeu 46,2% do que a China comprou, comparado a 43,5% no caso do frango americano. Em 2019, as exportações brasileiras passaram a ter 83,6% do total importado pela China.

 Assim, o retorno das vendas americanas a níveis anteriores causará perdas aos brasileiros em relação ao que tinham em 2019. Mas fontes importantes minimizam cifras já publicadas, de prejuízos de até US$ 10 bilhões.

 Muito vai depender de como os chineses vão implementar o acordo com os EUA. Oficialmente, funcionários de Pequim dizem que as importações vão ser feitas sob condições de mercado. Ao mesmo tempo, porém, Pequim se comprometeu com as metas de compras com a Casa Branca.

 O segundo ponto relevante é até que ponto o Brasil poderá sofrer mais perdas, se as exportações americanas avançarem além da fatia de mercado que tinham. Os EUA acham que podem vender mais soja, carne suína, algodão e trigo, por exemplo.

No entanto, alguns analistas colocam em dúvida a capacidade americana de abastecer o mercado chinês já com os volumes acertados por Donald Trump.

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