Para Fernández, relação com Brasil vai além de ideologias de conjuntura

Para Fernández, relação com Brasil vai além de ideologias de conjuntura

Para Fernández, relação com Brasil vai além de ideologias de conjuntura Na posse, presidente argentino diz que crescimento é mais importante do que pagar dívida

Em Seu discurso de posse como presidente da Argentina, nesta terça fio), Alberto Fernández disse que o país vai continuar priorizando o Mereosul e que querfortalecer a relação cora o Brasil.

 `Com o Brasil, temos que construir uma agenda ambiciosa, inovadora e criativa, que esteja respaldada pela nossa relação histórica e que vá além de qualquer diferença pessoal ou ideológica dos que governam na conjuntura.

Enviado de última hora para a cerimônia por Jair Bolsona ro, o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mouráo, assentiu com a cabeça enquanto ouvia Fernández falar.

Mais cedo, Mourão havia dito que `ambos os países têm de se ajudar mutuamente`.

 O futuro embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, valorizou a presença de Mourão na posse, dizendo ser umgesto `contundente e muito positivo para a nova relação que começa e, principalmente, para o comércio bilateral`.

Acrescentou ainda que pretende, como embaixador, `encerrar a divisão que há entre os dois países´! `As diferenças que tivemos no início devem ficar no passado. Sou um homem de experiência justamente nisso, em promover reconciliações`, disse ã Folha.

Em sua primeira fala oficial, Fernández defendeu a conciliação política no país e prometeu colocar o bem-estar do povo àfrente do pagamento da dívida externa do país.

Ele disse que vai pagara dívida de US$ 57bilhões contraída com o FMI (Fundo Monetário Internacional), `mas antes temos que crescer`. `Não podemosapresentar uma solução que comprometa o futuro de milhões de argentino.

 Segundo o presidente, há `muros` por superar.`Muros da pobreza, da desigualdade, das disparidades do país. Esses são os muros que existem, não os muros ideológicos. Temos que deixar de ap ostar na polarização`, disse. `Digo isso p ara o s q ue votara m em mim e para os que não votaram`.

 Fernández destacou que é necessário um pacto para superar `esse presente penoso, acabar com as dívidas de no ssoscompatriotaseado país.

` Ele culpou a política econômica de seu antecessor, Maurício Macri, e afirmou que `o Estado estará presente, oferecendo linhas de créditos e de bônus, além de recursos para investimentos`.

Acrescentou também que, nos próximos dias, haverá o anúncio de medidas para atender os mais pobres e que chamará um compromisso de empresas e produtores para que os preços não aumentem.

O discurso teve fortes tons da nacionalistas. `Nossas respostaspara essa crise têm de ser criadas por nós mesmos enão vamos seguir receitas de fora.` Neste momento, foi amplamente aplaudido.

Durante a fala, ele voltou a mencionar uma possível reforma judiciária e a criticar os que, segundo ele, usam a política para influenciar a justiça.

 Do lado de fora do Congresso, em Buenos Aires, onde ocorreu o juramento de Fernández, e da Casa Rosada, onde depois tomam posse os ministros, havia grande publico e muitos membros de organizações sociais kirchneristas.

Antes de sair de casa, em Puerto Madero, em direção ao local da cerimônia, Fernández divulgou uma foto ao lado do cachorro, Dylan, tomando suco e ajeitando a gravata.

 Ao entrar no Congresso, ele foi recebido pela vice de Macri, Gabriela Michetti, cadeirante. Ele a levou, empurrando sua cadeira até o palco. A nova vice, Cristina Kirchner, os acompanhou. E Michetti tomou o juramento de ambos.

No Congresso, estavam presentes parlamentares, ex-presidentes, ministros, delegações estrangeiras e familia res dos eleitos, incluindo o filho de Fernández, Estanislao.

 Depois que terminaram de jurar, ouviu-se a marcha peronista, cantada aos gritos pelos presentes. Os eleitos e os ministros recém-desig nados acompanharam o coro.

 O agora ex-presidente Macri apareceu depois do juramento, como manda o protocolo. Os peronistas continuaram cantando. Macri esperou silenciosamente. Seus apoiadores o aplaudiam, mas foram su plantados pelo canto peronista.

 Fernández levantou a mão e pediu que as pessoas se calassem. Logo, Macri entregou o bastão e a faixa presidencial a seu sucessor e deu-lhe um abraço. Os dois se cumprimentaram de modo efusivo e trocaram algunas palavras.

 Já quando Macri esticou a mão para cumprimentar Cristina, ela não o olhou nos olhos e fez cara feia para frente, apenas aceítando o cumprimento.

 Em seu discurso, Fernández voltou a dizer que a Segurança será voltada à prevenção e não â repressão. Fez referência clara à posição do governo anterior. Durante a gestão Macri, policiais que matavam suspeitos de assalto tinham uma pena abrandada.

 O presidente também se referiu à verba publicitária, da qual dependem vários veículos de comunicação, dizendo que haverá uma ^distribuição e uma nova estr utura para a entregadosrecursos. Durante o kirchnerismo, a distribuição da verba publicitária para os meios era usada como umamaneira de controlá-los.

Sob re as mu lheres, ele repetiu `Nem uma a menos`, o lema do coletivo feminista mais engajado do país, e disse que lutaria pelo fim da violência contra a mulher.

Ao final, com lágrimas nos olhos, agradeceu a Nêstor Kirchner, que `me ensinou a tirar a Argentina da prostração` Agradeceu ainda à militância. Fernández disse ainda que quer que seu governo seja conhecido por trazer de volta `à mesa familiar a boa convivência de quempensa diferente e de ter resolvido o problema da fome de muitas famílias`.

 Entre as delegações estrangeiras presentes ao evento, estavam o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que foi com o presidente eleito de seu país, Luís Lacalle Pou. Mario Abdo, do Paraguai, e Miguel Díaz- Canel, dirigente de Cuba, também estavam presentes.

O presidente do Chile, Sebastíán Pínera, cancelou a ida devido ao desaparecimento de avião militar de seu país na noite anterior. A Venezuela de Nicolás Maduro foi representada pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodriguez apesar de haver uma proibição expressa de Macri para que ele não ingressasse no país, porestarna lista de autoridades chavistas vetadas pelo Grupo de Lima (conjunto de paísesque coordena resposta regional à crise venezuelana).

 O ex-presidente equatoriano RafaelCorrea tambémfoi à cerimônia. `Vim aqui para prestigiar o amigo Alberto, mesmo sendo uma vítima de ´lawfarej assim como Lula, como Cristina, e sei que vindo aqui corro o risco de ser preso`, disse à Folha. `Mas eranecessário vir, até para expor esse problema para o mundo. Não quero me vitimizar, precisamos estar juntos e reuni ficar a América Latina.`

Outro ex-presidente de esquerda era o paraguaio Fernando Lugo, que deixou o poder após um processo de impeachment. Entrou sem dar declarações e sentou-se ao lado de Corrêa.

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