Pandemia empobrece 569 milhões em 20 países da América Latina

Pandemia empobrece 569 milhões em 20 países da América Latina

Número de pobres deve aumentar de 186 milhões para 220 milhões, prevê comissão da ONU

A pandemia impôs uma nova e estranha realidade a um mundo povoado por 7,7 bilhões de pessoas, das quais 569 milhões vivem em duas dezenas de países que compõem a América Latina. Do México à Argentina, o impacto econômico do novo vírus já é devastador.

A perspectiva para o curto prazo na região é de empobrecimento. É provável que o número de pobres aumente de 186 milhões para 220 milhões, prevê a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), das Nações Unidas. Na extrema pobreza sobrevivem atualmente 67,5 milhões. Esse contingente poderá aumentar para 90,8 milhões.

São graves as sequelas da crise global para uma região que passou os últimos sete anos convivendo com níveis sofríveis de desempenho econômico. No ano passado, enquanto a economia global cresceu à média de 2,5%, o Produto Interno Bruto da América Latina oscilou 0,1%, ou seja, ficou estagnado. Hoje, “numa abordagem conservadora”, ressalva a Cepal, os dados sugerem queda de 1,8% em 2020.

O declínio da produção na China afeta diretamente Brasil, México, Chile e Peru. No caso brasileiro, não somente pelo impacto nas exportações (mais de US$ 110 bilhões no ano passado), como também porque a indústria chinesa é provedora de insumos automobilísticos, eletroeletrônicos e farmacêuticos.

O Brasil conta com reservas externas substanciais (cerca de US$ 350 bilhões), em tese suficientes para a travessia numa crise em tempos normais. O problema é que a pandemia tornou indefinido o conceito de “normalidade”. Não se sabe a duração, nem a dimensão do estrago. Mas os sinais recessivos são evidentes, como se vê na Argentina, maior comprador de manufaturados brasileiros.

Está quebrada, em grave crise social e relutava em negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A emergência agravou a desordem econômica de tal maneira que o presidente Alberto Fernández decidiu atropelar aliados peronistas e pediu socorro ao FMI. Deve receber US$ 3,5 bilhões para a sustentabilidade da economia.

Já o México, além de tudo, tem a peculiaridade da alta dependência do petróleo, cujos preços voltam a subir. Mas no início da semana o óleo mexicano chegou a US$ 10,37 por barril, o menor nível dos últimos 22 anos. Isso só aumenta a incerteza sobre o futuro da economia e da maior empresa do país, a estatal Pemex, há tempos combalida.

A pandemia expõe a América Latina nas suas maiores vulnerabilidades. A chance de recuperação será proporcional ao êxito dos governos na proteção à população.

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