Países latino-americanos expressam oposição à regra de quarentena para a CoP 26

Países latino-americanos expressam oposição à regra de quarentena para a CoP 26

16:50 - Cidadãos de países de “lista vermelha” da pandemia devem cumprir quarentena em hotéis designados pelo governo britânico, medida que é vista como cara e excludente

Países da América Latina estão pedindo ao governo britânico que reveja para a CoP 26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a regra de quarentena de cinco dias imposta às nações que estão na “lista vermelha” do Reino Unido devido à pandemia.

O isolamento, nesses casos, tem de ser feito em hotéis designados pelo governo britânico. A medida é vista como cara e excludente por países em desenvolvimento.

Os governos latino-americanos pedem que a quarentena seja substituída por outras medidas de segurança sanitária e dizem que, se mantida, ela será “prejudicial à legitimidade do evento e de seus resultados”.
Em carta da Embaixada de Honduras no Reino Unido, endereçada a Wendy Morton, ministra para as Américas do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, os governos dizem entender a necessidade de precaução em função da pandemia, “mas também entendemos que segurança pode ser atingida de outras formas.”

Hoje, os Estados Unidos registram cerca de 160 mil casos por dia de covid-19, mas o país está na lista amarela, que não exige quarentena dos participantes. O Brasil, que tem média diária abaixo de 30 mil casos, está na lista vermelha. No Reino Unido, são 34 mil casos por dia para uma população muito menor, e o número vem aumentando.

A carta, assinada pelo embaixador hondurenho Ivan Romero-Martinez, lista medidas alternativas: mais testes durante as duas semanas da CoP 26, o uso de máscaras, distância social e exigências de vacinação.

“O governo do Reino Unido deve estar consciente do fato de a regra de cinco dias de isolamento irá fazer com que um significativo número de países – todos em desenvolvimento – sejam adequadamente representados em Glasgow.”

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“Como efeito não intencional, irá fazer com que um grande número de delegados não participe. São os que não têm recursos para cumprir os cinco dias de quarentena”, segue a carta.

“Isso irá modificar a dinâmica da CoP 26 – o que, afinal, é um encontro das Nações Unidas, e o mínimo que se espera é que todos os países da UNFCCC [ConvençãoQuadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima] possam participar de forma adequada, livre e igualitária”, acrescenta.

Os governos latino-americanos ainda dizem que a medida é discriminatória a um pequeno grupo de países e que sua participação fica comprometida em um fórum multilateral, “de importância crucial para todos os países”.

Honduras preside o Grula, o grupo dos países latino-americanos nas Nações Unidas.

Quase todos eles estão na lista vermelha do Reino Unido.

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