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Os desafios do agronegócio

Os desafios do agronegócio

O agronegocio e o setor mais pujante da economia nacional. Nas últimas décadas o País promoveu uma revolução agrícola. Há meio século o Brasil dependia da importação de comida para alimentar sua população. Hoje é o segundo maior exportador do mundo, atrás dos EUA.

A ONU estima que, para suprir a demanda global até 2050, a produção mundial de carne deve dobrar e a de grãos deve aumentar 50%. Com a maior área de terra agricultável, diversidade de biomas, suprimento abundante dc recursos naturais c pesquisas dc ponta, o Brasil tem a possibilidade de se tornar a maior potência global. Para otimizar es sa oportunidade será preciso solucionar deficiências crônicas, como as da infraestrutura, aumentar a produtividade, investir mais em inovação e responder às exigências ambientais. A edição dc 2019 do Summit Agronegócio do Estado deu uma boa ideia do dinamismo do agronegócio brasileiro, assim como de seus desafios.

Em 2019, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o PIB do setor agropecuário deve crescer 1,4%. Para 2020, prevê-se um avanço de 3,2% a 3,7%, com recordes de produção e exportação na lavoura e na pecuária. Como disse o consultor dc commodities agrícolas Daniel Hueber, a epidemia da peste suína africana na China `é uma explosão dc oportunidades para o Brasil`. No curto prazo, o País também se beneficia da guerra comercial entre EUA c China. `Os EUA perderam fatia do mercado chinês para o Brasil`, disse Hueber, `com um salto de 47 milhões para 64 milhões dc toneladas dc soja exportadas por ano.

Contudo, como advertiu o presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, o sucesso dependerá dc invesximentos logísticos, `incluindo a infraestrutura de estradas, dos portos c dc todos os itens que compõem o escoamento de produção`. A logística dc transporte é o fator que mais prejudica a competitividade da agropecuária nacional. A curto prazo, é necessário melhorar as condições das rotas rodoviárias e ampliar a capacidade dos portos. No médio prazo é preciso promover políticas publicas para áreas praticamente inexploradas nos últimos anos, como ferrovias e hidrovias. As perspectivas abertas pelas novas concessões são promissoras, mas está tudo por fazer.

Em relação ao emprego da tecnologia, viu-se no Summit uma série de inovações em curso, desde aplicativos facilitando o acesso ao crédito, até ouso de drones nas lavouras. Grande parte dessas tecnologias é promovida por startups e disponibilizada a pequenos e médios produtores, que podem aumentar a sua produtividade a baixo custo. A disseminação dessas ferramentas, contudo, esbarra mais uma vez em déficits de infraestrutura. Um total dc 50 milhões dc hectares na área rural ainda não tem acesso à rede digital, prejudicando o emprego dessas tecnologias, a comunicação entre os elos da cadeia e o armazenamento e uso de dados.

Outro grande desafio para o agronegócio é a sustentabilidade, tanto mais considerandose as manobras erráticas c contraproducentes do governo de turno. Não se trata apenas de aperfeiçoar a legislação, os modelos de produção intensiva, o controle dc pesticidas e outras práticas ambientais que ja colocam o País na vanguarda da agricultura sustentável. Trata-se dc comunicar adequadamente essas conquistas. `Temos um agro extremamente eficiente, focado em práticas dc melhoria e tecnologia`, disse a consultora Andrca Cordeiro, `mas há dificuldade dc mostrar lá fora a sustentabilidade do nosso país.` Essa dificuldade, assim como a necessidade de superála, foi amplamente reconhecida c debatida 110 Summit como uma chave primordial para abrir novas portas do mercado externo a produção agropecuária brasileira.

Tudo somado, vê-se que o Brasil está numa posição única de satisfazer duas grandes ambições globais, uma social e outra ambiental: eliminar a fome e preservar a natureza. O País tem tudo para mostrar ao mundo que é possível estabelecer uma relação racional e ética com o universo natural, unindo produção e preservação.

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