“A ordem mundial acabou”: Lula e Amorim afirmam que sistema mundial terá que ser reconstruído

“A ordem mundial acabou”: Lula e Amorim afirmam que sistema mundial terá que ser reconstruído

14:26 - "Um mundo já extremamente desigual se tornará ainda mais, levando adiante todos os tipos de conflitos e convulsões sociais", afirmam o ex-presidente e o ex-chanceler em texto publicado pela Internacional Progressista

O ex-presidente Lula e o ex-chanceler Celso Amorim publicaram nesta terça-feira (2) um artigo em que pregam a discussão de uma nova ordem multilateral a partir do impacto da pandemia do coronavírus no atual sistema internacional e nos sistemas políticos nacionais.

“Os sistemas políticos estão sob estresse, enquanto líderes populistas autoritários tentam usar o sentimento de insegurança trazido pela pandemia para aumentar seu próprio poder pessoal, enfraquecendo assim democracias já frágeis. Alguns deles, de Donald Trump a Jair Bolsonaro, adotaram uma atitude de negação, ignorando recomendações de cientistas e especialistas em saúde”, diz trecho do texto publicado no site da Internacional Progressista. O movimento foi lançado em maio e reúne lideranças latino-americanas e internacionais.

Segundo eles, “parece haver um consenso quase universal de que o sistema mundial terá que ser reconstruído de forma muito fundamental” e questionam quais caminhos percorrer. “A frase que muitas vezes se ouve a respeito das conseqüências da pandemia é: ‘o mundo nunca mais será o mesmo’. E, de fato, é de se esperar que a humanidade aprenda as lições dessa investida inesperada de uma entidade microscópica que continua a trazer morte e miséria, especialmente para aqueles que estão no fundo de nossas sociedades desiguais”, afirmam.

“A humanidade pode entrar em uma nova era de “guerra de todos contra todos”, com enormes riscos para a segurança e prosperidade da humanidade. Um mundo já extremamente desigual se tornará ainda mais, levando adiante todos os tipos de conflitos e convulsões sociais. Nesse contexto, o recurso unilateral à força armada pode tornar-se ainda mais freqüente, prejudicando ainda mais o diálogo e a cooperação pacífica”, analisam.

Lula e Amorim terminam o texto pregando utopias. “Pode soar utópico pensar nesses termos em um momento tão árido da história, no qual a própria civilização parece estar em risco. No entanto, para aqueles de nós que creem na capacidade humana de encontrar respostas criativas a todos os tipos de desafios inesperados, soar utópico não é impedimento à ação coletiva. Nem deveria nos fazer desistir e desesperar”, afirmam.

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