ONGs francesas pedem a Macron que bloqueie acordo Mercosul-UE

ONGs francesas pedem a Macron que bloqueie acordo Mercosul-UE

19:10 - Em carta aberta publicada em jornal, dez entidades afirmam que desmatamento da Amazônia tem 'fiança de Bolsonaro'

Entidades ambientais francesas fizeram um apelo, nesta sexta-feira, para que o governo Emmanuel Macron tome uma atitude contra o desmatamento da Amazônia. Isso passaria por adotar regras mais estritas para a importação de produtos agrícolas e bloquear o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

Presidentes de dez ONGs, entre elas as seções francesas de WWF e Greenpeace, assinaram uma carta aberta no jornal Le Monde. Eles lembram que, no primeiro semestre deste ano, o desmatamento na Amazônia aumentou 17% frente ao mesmo período de 2020.

E afirmam que, no ano passado, a destruição de mais de 310 mil km2 de floresta teve "a fiança do presidente Jair Bolsonaro".

O texto cita ainda estudo publicado este mês na revista Nature, segundo o qual a Amazônia já emite mais carbono do que captura, por causa das queimadas. "O ritmo de destruição é tal que os cientistas alertam: se não houver nenhuma ação imediata, a Floresta Amazônica se transformará em savana, levando à destruição irreversível desse ecossistema essencial à sobrevivência da Humanidade."

Os representantes das entidades lembram que, em 2019, Macron reconheceu a responsabilidade da França na questão ambiental e prometeu se engajar na luta contra a destruição da Amazônia. No entanto, dizem, desde então a França não reduziu suas importações, e o desmatamento se acelerou.

"Se a França adotou, em novembro de 2018, uma 'estratégia nacional de luta contra o desmatamento importado', esta é letra morta, por falta de vontade política", afirmam.

Eles defendem que o governo francês adote medidas para "forçar os importadores a garantir que os produtos que colocam no mercado não estejam ligados ao desflorestamento ou à destruição de ecossistemas."

O texto ressalta ainda que, segundo estudos encomendados pelo próprio governo, o acordo Mercosul-UE aumentaria o desmatamento nos países do bloco latino em 25% ao ano, por seis anos. "A França deve bloquear a adoção desse acordo", afirmam.

A França assumirá, em 2022, a presidência da UE e por isso, dizem os signatários, precisa garantir "um acordo ambicioso", que impeça que as empresas coloquem no mercado europeu produtos ligados ao desmatamento ou à violação dos direitos humanos.

Parlamentares franceses já se posicionaram contra o acordo Mercosul-UE, assim como os Holanda e Áustria.

Procurados para se manifestar a respeito da carta publicada no Le Monde, os ministérios da Economia e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informaram que não iriam comentar o assunto. O Ministério do Meio Ambiente ainda não retornou o contato.

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