Ociosidade elevada na economia garante inflação domada

Ociosidade elevada na economia garante inflação domada

Análise: O resultado do índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2018 mostrou uma inflação domada, refletindo em boa parte uma economia com grande ociosidade de recursos, em que a taxa de desemprego ainda é muito elevada de 11,6% no trimestre encerrado em novembro, o equivalente a 12,2 milhões de pessoas.

O IPCA teve alta de 3,75% no ano passado, mais que os 2,95% de 2017, mas consideravelmente abaixo da meta de 4,5%. Em dezembro, o IPCA avançou 0,15%, a menor variação para o mês desde 1994, ainda que tenha ficado um pouco acima da média das projeções dos analistas consultados pelo Valor Data, de 0,12%.

A inflação de serviços e as medidas de núcleo (que buscam eliminar ou reduzir a influência dos itens mais voláteis) ficaram extremamente comportadas em 2018, com variação consideravelmente inferior ao do índice `cheio`. Os preços livres, determinados pelo mercado, subiram apenas 2,91%, enquanto os preços administrados (como tarifas de serviços públicos e gasolina) avançaram 6,22%. No acumulado do ano, a energia elétrica subiu 8,7%, e a gasolina, 7,24%.

Nos últimos meses, porém, esses itens têm registrado um comportamento benigno. Em dezembro, os preços administrados caíram 0,89%, com queda de 1,96% da energia elétrica e 4,8% da gasolina. O efeito da lenta recuperação da economia, num quadro de grande ociosidade, fica evidente no comportamento dos núcleos da inflação. O IPCA EX 2, que reúne alimentos, serviços e bens industriais mais sensíveis ao ciclo econômico, teve alta de apenas 2,2% em 2018, abaixo até mesmo do piso da banda de tolerância da meta, de 3%, segundo números da MCM Consultores Associados.

A média de sete medidas de núcleo, por sua vez, subiu 2,79% no ano passado, de acordo com cálculos da MCM. Em dezembro, porém, houve aceleração da variação dos núcleos. A alta foi de 0,39%, acima do 0,05% de novembro. Não parece, contudo, algo preocupante. A inflação de serviços, por sua vez, terminou 2018 com aumento de 3,34%. Em dezembro, houve elevação mais forte, de 0,62%. O índice de difusão, que mostra o percentual de itens em alta no mês, passou de 54,6% em novembro para 61,1% em dezembro. É um número bastante próximo da média histórica, de 61,8%, apontam os números da MCM.

A inflação de 2018 teria sido ainda mais baixa se não fosse o efeito da greve dos caminhoneiros, paralisação iniciada em 21 de maio, com duração de 11 dias. O evento pressionou os preços de junho, levando o IPCA daquele mês a fechar em alta de 1,26%, um ponto fora da curva num ano marcado por um quadro inflacionário benigno. Nas conta do economista Fábio Romão, da LCA Consultores, a greve acrescentou cerca de 0,5 ponto percentual à inflação de 2018, ou seja, sem ela, IPCA teria ficado na casa de 3,25%. O grupo de alimentação e bebidas teve uma aceleração considerável em 2018. Subiu 4,04%, depois de registrar uma deflação de 1,87% em 2017. No entanto, a alta do ano passado ficou bastante abaixo da média observada entre 2007 e 2016. Nesses dez anos, a inflação anual de alimentação e bebidas foi de quase 9%.

O IPCA baixo de 2018 terá um efeito favorável sobre o indicador deste ano, por causa do efeito da inércia, o fenômeno pelo qual a inflação passada alimenta a inflação futura. Isso deve ajudar a manter o IPCA numa trajetória comportada em 2019, ano em que a meta perseguida pelo Banco Central (BC) é de 4,25%. A mediana das projeções dos analistas consultados pelo BC aponta para um IPCA de 4,01 % neste ano.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino