O rali das commodities

O rali das commodities

Forte demanda vinda da China é o principal fator que explica a disparada no preço das matérias-primas

O momento é de cavalgada dos preços das commodities. Nesta quinta-feira, o petróleo valia 55,31% a mais do que no último dia útil de junho de 2020; o minério de ferro, 76,05%; o milho, 52,39%; e a soja, 56,52% (veja gráfico). A guinada abrange a maior parte das matérias-primas, desde o cobre até o café.

O principal fator responsável por essa alta é a forte demanda da China, que não está apenas em plena recuperação econômica, como também passa por uma fase de incentivos ao consumo interno. Os preços do petróleo avançaram nos últimos dias em consequência do aumento do inverno no Hemisfério Norte, que pressionou a demanda por aquecimento e paralisou unidades produtoras de óleo nos Estados Unidos.

Mas há um fator secundário. Com diferenças, em praticamente todo o mundo industrializado, a recuperação econômica depois da pandemia está provocando avanço na demanda por commodities. Enquanto estava mergulhado na recessão, o setor produtivo reduziu os estoques, que agora estão sendo novamente preenchidos.

Para a economia do Brasil, esse novo rali das commodities traz importantes consequências, mas de naturezas opostas. Como o País é grande exportador de minérios e de proteínas vegetais (especialmente soja e milho), a alta dos preços de mercado em dólares tende a aumentar as receitas do setor primário (mineração e agropecuária) e ajudar no desempenho das contas externas.

É provável que este seja o começo de uma nova fase de bonança que poderia favorecer a recuperação da economia brasileira. Infelizmente, essa transferência de benefícios não é automática. Na última vez em que houve grande demanda internacional pelas matérias-primas e alimentos do Brasil, a partir do início do século 21, a política econômica não aproveitou a boa maré para avançar no ajuste fiscal.

Ao contrário, os tempos de fartura foram vistos pelos políticos como uma nova oportunidade para gastar mais e adiar as reformas. O repeteco desse erro é um dos riscos que corre o Brasil.

Mas há as contrapartidas negativas dessa alta. A primeira delas é a puxada na inflação, principalmente a partir da alta dos combustíveis e dos alimentos, que só não tende a ser maior porque o PIB está engatinhando, há enorme capacidade ociosa no sistema de produção e o consumidor está sem recursos.

O impacto político imediato incide sobre os preços da Petrobrás. Apesar do reajuste determinado nesta quinta-feira, a paridade dos preços do diesel e da gasolina em relação aos preços internacionais continua atrasada, como reconhece a Petrobrás. Por isso mesmo, ela vem sendo acusada pelos importadores independentes de combustíveis de trabalhar com preços baixos demais e, assim, de prejudicar a concorrência.

Pretender que a Petrobrás segure mais os reajustes implicaria não apenas prática de subsídio ao consumidor, mas, também, perda de receitas de caixa – com prejuízo para sua capacidade de pagamento da dívida, majoritariamente, em dólares.

A prática realista de preços no mercado de combustíveis, por sua vez, tenderá a acirrar os conflitos com o setor de transportes, que não consegue repassar ao frete o aumento de seus custos. A alta dos combustíveis terá de ser repassada também às tarifas dos transportes urbanos. No passado, isso deflagrou conflitos de rua.

O governo federal tenta mudar o fator gerador do ICMS para evitar maior volatilidade nos preços finais dos combustíveis e, com isso, frear a reação dos caminhoneiros. É evidente que esse ajuste, se vier a ser feito, será em detrimento da receita dos Estados.

A tensão na área dos combustíveis dá uma ideia do impacto político que a alta das commodities pode gerar não só na área do petróleo, mas também na dos alimentos.

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