O acordo Mercosul-Efta

O acordo Mercosul-Efta

Na esteira do pacto com a União Européia (UE), o Mercosul concluiu as negociações coma Associação Européia dc Livre Comércio (Efta, na sigla em inglês), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, Como mostrou a reportagem do Estado, alguns integrantes da equipe econômica consideram este tratado mais abrangente c ambicioso do que o firmado com a UE, Não exatamente.

Na esteira do pacto com a União Européia (UE), o Mercosul concluiu as negociações coma Associação Européia dc Livre Comércio (Efta, na sigla em inglês), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, Como mostrou a reportagem do Estado, alguns integrantes da equipe econômica consideram este tratado mais abrangente c ambicioso do que o firmado com a UE, Não exatamente. Ele não é tão abrangente, já que a associação com a UE inclui, além do íivre-comércio, uma dimensão política e outra de cooperação institucional. Do ponto de vista estritamente comercial, contudo, o pacto é de fato ambicioso.

Os países da Efta são pequenos, mas ricos. Com um PIB de US$ 1,1 trilhão, o maior do mundo cm termos per capita, o bloco importa cerca dc USS 400 bilhões ao ano, é o nono maior ator no comércio mundial de bens c o quinto 110 comércio dc serviços. O acordo cobrirá 98% do comércio bilateral, envolvendo bens agrícolas e industriais, além de serviços, investimentos, compras governamentais, fácilitação de comércio e barreiras rcgulatórias. A Efta deverá zerar imediatamente as tarifas de importação sobre produtos do Mercosul, enquanto este terá 15 anos para reduzir as tarifás a zero.

O acordo dará acesso mútuo a setores de serviços, como comunicação, construção, turismo e serviços profissionais e financeiros, Além das oportunidades para o agronegócio, também garantirá às empresas nacionais acesso ao mercado de compras públicas da Efta, avaliado em cerca de US$ 85 bilhões. O Ministério da Economia estima um incremento ao PIB de USS 5,2 bilhões em 15 anos, com um aumento de US$ 5,9 bilhões nas exportações e US$ 6,7 bilhões nas importações. O compromisso vem em boa hora, já que as exportações para os países da Efta estão 110 menor nível da última década.

O presidente Jair Bolsonaro comemorou: `Mais uma grande vitória de nossa diplomacia de abertura comercial`. Na verdade, a conquista, assim como a do acordo com a UE, se deve mais ao empenho dos presidentes Maurício Macri e Michel Temer em reverter a rota do atraso traçada por petistas, kirchneristase outros ideólogos terceiro-mundistas. Durante mais de 20 anos, o Mercosul assinou poucos acordos (Egito, Israel, índia e Autoridade Palestina) e jamais chegou a mplementar plenamente uma área dc livre comércio,

Na contramão de um movimento global de protecionismo, o Mercosul precisa aproveitar estas conquistas para alavancar outras, compensando anos de estagnação. Além dos Estados Unidos, o bloco pode acelerar negociações com Canadá, Coréia do Sul e Cingapura, e considerar sua integração à Parceria Transpacífica, grupo que incluí Japão e mais sete países asiáticos, além de México, Chile e Peru.

O Brasil, cm particular, tem adiante um caminho tão promissor quanto desafiador. Além das reformas previdcnciária, tributária e tarifaria, é preciso promover a desburocratização e simplificação de negócios, além de segurança  jurídica e melhorias em infraestrutura a fim de reduzir o `custo Brasil`, que torna os negócios e a produção nacional tão pouco atrativos e competitivos.

O acordo com a Efta, tal como o celebrado com a UE, ainda deve ser ratificado pelos Parlamentos dos países envolvidos. Assim, um dos desafios para oPaís será pôr limites aodestampatório de seu presidente, com seu potencial dc fabricar crises intempestivas, cm particular cintcmas sensíveis como a proteção da Amazônia e da biodiversidade. A primeira-ministra da Noruega - que suspendeu os repasses de recursos do FundoAmazônia - já declarou que o acordo vem em `péssimo momento, agora que a Amazônia está em chamas`, enquanto na Suíça, o mais importante país do bloco, vários grupos políticos prometem sc opor á ratificação do pacto. Nestas circunstâncias, o Brasil não precisa dc palavras grandiloqüentes de seu presidente. O seu silêncio já será uma grande vitória e música para os ouvidos de quem quer trabalhar por um comércio vigoroso entre o Brasil c a Efta.

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