Novo presidente iraniano anuncia Ministério com diplomata conservador nas Relações Exteriores

Novo presidente iraniano anuncia Ministério com diplomata conservador nas Relações Exteriores

16:40 - Hossein Amirabdollahian vai liderar as negociações sobre a retomada plena do acordo nuclear, que devem ser marcadas por posições mais duras de Teerã; deputado que votou contra vacinas ocidentais assumirá a Saúde

Uma semana depois de assumir a Presidência do Irã, Ebrahim Raisi anunciou os integrantes do Ministério, com poucas surpresas sobre a linha conservadora a ser seguida por seu governo, a começar pelo Ministério das Relações Exteriores, que tem pela frente a fase final das negociações sobre a retomada plena do acordo sobre o programa nuclear do país. A pasta será comandada por Hossein Amirabdollahian, diplomata experiente, mas alinhado a setores mais conservadores da elite política e militar iraniana.

Amirabdollahian já ocupou o Departamento de Assuntos Árabes e Africanos na Chancelaria e tem bons laços com o Hezbollah, no Líbano, e com a Guarda Revolucionária no Irã. O nome dele será submetido ao Parlamento na próxima semana, mas deve ser aprovado sem grandes sobressaltos.

O novo chanceler substituirá Mohammad Javad Zarif, que ocupou a pasta durante oito anos, desde 2013, e era alinhado à ala reformista da política da República Islâmica. Zarif, que estudou nos EUA, foi um dos principais negociadores do acordo nuclear de 2015 e mantinha forte presença nas redes sociais.

Amirabdollahian terá como primeira e crucial tarefa a condução das negociações em Viena sobre o pacto nuclear, paralisadas pouco antes da eleição que levou Raisi ao poder. O ponto central é o retorno dos EUA ao acordo, três anos depois de o então presidente Donald Trump abandoná-lo e adotar uma política ampla de sanções, ainda em vigor mesmo depois da chegada de Joe Biden ao poder.

O acordo prevê uma série de limites às atividades nucleares iranianas em troca do fim de sanções econômicas e do acesso normal do país às ferramentas de comércio exterior — ele funcionou até 2018, quando os EUA o abandonaram. O Irã manteve algumas de suas obrigações por mais algum tempo, mas foi deixando de lado algumas delas, como o limite ao grau de enriquecimento de urânio, alegando que não havia contrapartida dos demais signatários: Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha.

Apesar das muitas críticas ao plano, inclusive por parte do aiatolá Ali Khamenei, a “linha dura” representada por Raisi e por Amirabdollahian deve manter as negociações, mas adotando uma postura mais dura do que a vista no governo de Hassan Rouhani. Por outro lado, o novo chanceler não deverá enfrentar os mesmos obstáculos impostos a seu antecessor, Zarif, por vezes minado internamente por setores mais conservadores.

Amirabdollahian também integrou equipes de negociadores nos governos do reformista Mohammad Khatami (1997-2005) e do conservador populista Mahmoud Ahmadinejad (2005-2013) e recentemente assumiu posições de destaque em questões e disputas regionais envolvendo o Irã.

— Muitos Estados da região lembram de seu tom e atitudes na crise síria e o associam à projeção de poder do Irã na região — afirmou à Bloomberg Ali Vaez, diretor do programa do Irã no centro de estudos International Crisis Group. — Se ele quiser mudar sua imagem, precisa adotar um tom mais conciliador, além de medidas para ampliar o nível de confiança.

Além do novo chanceler, Raisi anunciou os nomes dos demais 18 ministros, com destaque para Javad Owji, novo ministro do Petróleo, que integrou os conselhos de diversas empresas de energia iranianas, e Bahram Einollahi, novo ministro da Saúde, deputado que assinou uma carta defendendo o veto a vacinas produzidas nos EUA e Reino Unido. Caberá a ele enfrentar uma nova e devastadora onda de casos de Covid-19 — segundo autoridades locais, uma pessoa morre vítima da doença a cada dois minutos. Ao todo, o país registrou 4,2 milhões de casos e 95.111 mortes, com uma média diária próxima de 500. Até o momento, cerca de 3,3% dos iranianos completaram todo o ciclo vacinal.

Outra indicação de Raisi, a de Ahmad Vahid para o Ministério do Interior, levou a protestos por parte do governo da Argentina — as autoridades do país o acusam de ser um dos mentores intelectuais do atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina, em 1994, que deixou 85 mortos e cerca de 300 feridos em Buenos Aires. Contra ele existe um mandado de prisão internacional, e seu nome consta na lista vermelha da Interpol.

"A Argentina expressa, mais uma vez, sua enérgica condenação à indicação de Ahmad Vahidi a um cargo ministerial no Irã", diz comunicado da chancelaria. O texto ainda afirma que a indicação é "uma afronta à Justiça da Argentina e às vítimas do brutal atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina".

Em 2009, Vahidi também foi indicado ao cargo de ministro da Defesa do governo de Mahmoud Ahmadinejad, o que provocou reações semelhantes. Ele nega as acusações, assim como o envolvimento do governo iraniano e do grupo libanês Hezbollah no ataque.

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