´Nova política não é falta de diálogo´, afirma Skaf

Paulo Skaf, presidente da Fiesp

´Nova política não é falta de diálogo´, afirma Skaf

Presidente da Fiesp espera que relacao do governo com Congresso melhore e ve preocupacao com a Previdencia

- A Fiesp foi para a rua contra o governo Dilma e fez protestos contra medidas do governo Michel Temer, mas tem poupado Bolsonaro. A Fiesp está alinhada com Bolsonaro?

- No governo Temer teve uma reação muito forte quando houve uma ameaça de aumento de impostos. Independentemente de governos, nós defendemos princípios. O governo Bolsonaro tem três meses. A gente não quer criticar governo, mas que o Brasil dê certo. Temos e sempre tivemos muita independência. Esse governo está muito no início. Há poucos dias me perguntaram sobre ministério e eu respondi que estava satisfeito e feliz vendo o movimento do ministério da Economia, mas preocupado com o MEC. O governo tomou uma atitude com a mudança de ministro. A Fiesp não vai sair criticando o governo com três meses.

- Esse governo, que viu sua popularidade cair em três meses, tem algum problema? Ouvindo o sr. parece que está em céu de brigadeiro...

- Quero ver resultados na Educação, mas começou uma grande reestruturação e redução de ministérios. Tenho certeza que o governo quer acertar. Espero que o diálogo com o Congresso seja melhor. Nova política não é falta de diálogo. Nova política é dialogo, serenidade e transparência. É fazer as coisas de forma séria. Tem muito o que melhorar em relação ao diálogo. Tem de se dar um tempo de afinamento. Política é sinônimo de diálogo e paciência. Democracia vive com política. Dar as costas à política é dar as costas à democracia.

- O ministro da Economia, Paulo Guedes, trava uma disputa com líderes das principais entidades do Sistema S, que ele crítica. A Fiesp não vai se posicionar?

- A Fiesp não fala em nome do sistema S, mas do Sesi e Senai de São Paulo. Sistema S é uma coisa muita abstrata.

- Como está a relação dos empresários com o Bolsonaro?

- O clima da classe produtora com o governo federal é de expectativa. Nem de otimismo, nem de pessimismo. A expectativa das reformas da Previdência e tributária, do ajuste fiscal. Preocupados, naturalmente, todos estamos. Há uma preocupação que as reformas sejam aprovadas e pela retomada do crescimento. O governo está começando. Três meses é pouco tempo.

- O temperamento do presidente e suas declarações polêmicas causam apreensão?

- O governo e o Congresso estão preocupados com esse momento de transição. Não é uma preocupação negativa, mas positiva. Temos de dar um voto de confiança para ele e ao governo dele.

- A agenda ideológica do governo pode atrapalhar as reformas? A ideia de levar a embaixada para Jerusalém causou uma forte reação do mundo árabe...

- O governo brasileiro não falou em abrir uma embaixada, mas um escritório.

- Falou em embaixada, mas depois recuou...

- Um país como Austrália, que depende da venda de carne aos países árabes, tomou posição, mas não fecharam as portas. Não é motivo. Não senti que houve desrespeito aos países árabes. Não podemos fechar portas.

- O governo não perde o foco quando fala o tempo todo em caçar esquerdistas?

- Essa questão ideológica não importa. Ele é o presidente de todos os brasileiros. Talvez ainda haja uma ressaca da eleição do ano passado. Temos pautas mais importantes do que essa.

- Bolsonaro e seu chanceler Ernesto Araújo já disseram que o nazismo foi um movimento de esquerda. Foram declarações infelizes?

- Não quero entrar nesse campo. Sinceramente, esse é um debate totalmente inócuo agora.

- O que achou da decisão de exaltar o golpe de 1964?

- Temos pautas mais importantes para serem tratadas no País. Estamos em uma democracia, e isso pressupõe que as pessoas tenham liberdade de se manifestar.

- O projeto de reforma da Previdência apresentado por Temer era melhor do que o de Guedes?

- Não faço comparações. Não é o caso. O que temos na mão é essa reforma. O projeto apresentado pelo ministério da Economia é muito bom. O impacto fiscal está acima R$ 1 trilhão em dez anos. Há uma pequena gordura. Não adianta fazer uma reforma de faz de conta. Se for muito deformada, pode não fazer o efeito que o Brasil precisa.

- Como avaliou a prisão do Temer?

- Uma situação desagradável para o País. Nesse caso, com controvérsias.

- O que o MDB precisa fazer para mudar sua imagem?

- A imagem é ruim do MDB, PT, PSDB e de todos os partidos. Não vejo partido com imagem boa. Em relação ao MDB, o partido precisa se reinventar. Mudar suas direções nacionais, se repaginar e eu mudaria até o nome.

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