´Ninguém quer ver empresas quebrarem´

´Ninguém quer ver empresas quebrarem´

Em entrevista à série Economia na Quarentena, presidente do Bradesco diz que bancos têm interesse em liberar recursos com rapidez

Em entrevista da série Economia na Quarentena, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse que os bancos já começaram a atuar para evitar uma quebradeira e estão liberando recursos para os setores mais afetados pela crise. Ele destacou que, a curto prazo, irrigar a economia com crédito é uma das principais medidas para atenuar a gravidade da turbulência provocada pela pandemia. Ele prevê queda de 3% a 4% no Produto Interno Bruto brasileiro em 2020.

No cenário de crise sem precedentes desenhado pela pandemia de coronavírus, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou ontem, na série de entrevistas ao vivo Economia na Quarentena, do Estadão, que as instituições financeiras estão preparadas para evitar uma quebradeira de negócios no Brasil. Depois de o setor ser criticado pela lentidão na liberação de recursos, o executivo disse que os bancos já começaram a fazer empréstimos mais rapidamente.

Nenhum banco tem interesse de que uma empresa quebre. Este é o pior cenário. Os bancos são os mais interessados em organizar a vida das pessoas, disse Lazari. Ele também ressaltou que, além de repassar dinheiro oficial a pequenas e médias empresas, o sistema financeiro está pronto para auxiliar outros segmentos muito afetados pela crise, como as empresas de energia e as companhias aéreas. O pacote, segundo apurou o Estadão/Broadcast, poderá chegar a R$ 50 bilhões.

Ao mesmo tempo em que reconheceu a gravidade da turbulência causada pela pandemia, que praticamente paralisou a economia global nas últimas semanas, Lazari frisou que ainda é muito cedo para determinar o tamanho do problema. Ele disse esperar uma queda de 3% a 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2020. A perspectiva fica no meio do caminho entre a atual previsão do Bradesco, de queda de 1%, e a expectativa de retração de 5,3% para o País anunciada na terçafeira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em busca de fôlego.

No curto prazo, o executivo disse que não há nada a fazer senão irrigar a economia. As pequenas e médias empresas, por exemplo, têm pressa. Sabendo disso, o governo liberou uma linha de financiamento com taxa de 3,75% a Selic para que negócios com faturamento de até R$ 10 milhões por ano possam pagar as folhas de pagamento de abril e maio, com o objetivo de evitar demissões. O executivo diz que, entre as companhias deste porte que são clientes do Bradesco, 92% já têm o dinheiro pré-aprovado pelo banco.

Embora admita que, no início de março, o Bradesco e outros bancos negaram financiamentos por causa de uma demanda desproporcional, o presidente do Bradesco diz que a definição de um socorro a diferentes segmentos que estão sofrendo muito com a paralisia da economia já está a pleno vapor. Ele ressalva, no entanto, que será uma solução de mercado, que terá juros mais baixos do que os usualmente cobrados, mas com condições menos vantajosas quanto as ofertadas no crédito às PMEs. Já montamos grupos de trabalho com o BNDES, Economia e Banco Central, afirmou.

Toda essa disposição de sair em socorro a diferentes segmentos da economia, de acordo com Lazari, só será possível se o sistema financeiro se mantiver saudável. O executivo citou movimentos que surgiram na internet incentivando o não pagamento de dívidas como negativos para o País. Temos ouvido muito ativismo de que não se deve pagar mais nada. Quando uma pessoa deixa de pagar, outra necessariamente deixa de receber. As pessoas que têm um pouco mais de reserva têm de pagar sim suas dívidas para que economia possa continuar girando, mesmo que de forma mais lenta, disse.

Solução.

Ao contrário do que ocorreu na crise de 2008, em que os altos riscos tomados por bancos norte-americanos causaram uma grande recessão, o presidente do Bradesco lembrou que agora as instituições financeiras são parte da solução da crise. Hoje, nossas agências são parte dos serviços considerados essenciais para a população, afirmou.

Nenhum banco tem interesse que uma empresa quebre. É o pior cenário. Os bancos são os mais interessados em organizar a vida das pessoas

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