Navios do Irã sob sanções americanas estão presos no Porto de Paranaguá

Navios do Irã sob sanções americanas estão presos no Porto de Paranaguá

Impasse no Paraná. Petrobrás diz que não fornece combustível para embarcações, pois teme ser punida nos EUA; caso é desafio para indústria agrícola brasileira, que no primeiro semestre exportou cerca de 2,5 milhões de toneladas de milho para os iranianos

Dois navios de bandeira iraniana estão presos desde o início de junho no Porto de Paranaguá, no Paraná, em razão das sanções dos EUA. Os cargueiros trouxeram uréia e voltariam carregados de milho, mas a Petrobrás teme punições americanas e se recusa a abastecer as embarcações, que estão na lista negra do Departamento do Tesouro dos EUA.

O imp asse ocorre no momento em que o Brasil busca uma aproximação com os EUA e o governo americano aumenta a pressão diplomática sobre o Irã. Em maio de 2018, Donald Trump retirou o país de um acordo que restringia o programa nuclear iraniano em troca da suspensão gradual das sanções.

Para o governo brasileiro, os cargueiros iranianos parados em Paranaguá representam um desafio. Emjunho, durante a cúpula do G-20, em Osaka, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, garantiu que o Brasil não tomaria partido do lado americano de forma automática. `Não tem nenhuma rivalidade ou inimizade como Irã. Pode ser parceiro em algumas coisas`, disse o general.

Para o setor agrícola brasileiro, o impasse é uma péssima notícia. No primeiro semestre, o Irã importou cerca de 2,5 milhões cie toneladas de milho do Brasil, praticamente o mesmo volume importado no mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais.

Além de ser o maior importador de milho do Brasil, o Irã é um dosprincipais clientes da indústria de soja e carne bovina. Consultada pelo Estado, a empresa que exportou o milho para o Irã alega que o transporte

de alimentos, remédios e equipamentos médicos estariam i sento s das sanções. O abastec imento, segundo os exportadores, seria uma compra de combustível feita por uma empresa brasileira junto à Petrobrás.

O caso surpreendeu a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). `Qualquer sanção sobre comida está fora (das restrições americanas)`, afirmou o diretor-geral da Anec, Sérgio Mendes.

Procurada pela reportagem, a Petrobrás confirmou o risco de ser punida nos EUA, por isso se negou a abastecer os navios iranianos, que estão na lista negra do Tesouro dos EUA. `Além disso, os navios vieram do Irã carregados com uréia, produto também sujeito a sanções americanas. Caso a Petrobrás venha a abastecer esses navios, ficará sujeita ao risco de ser incluída na mesma lista, sofrendo graves prejuízos`, afirmou a empresa.

A Petrobrás informou ainda que existem outras empresas com capacidadede atender àdemanda por combustível para os cargueiros. No entanto, os exportadores brasileiros alegam que não há outra alternativa viável e segura para o abastecimendas embarcações, que dependem de um tipo específico de combustível cujo fornecimené monopólio da estatal. A empresa brasileira - que não teve o nome divulgado porque o processo corre em segredo de Justiça - obteve uma liminar do Tribunal de Justiça do Paraná, no começo do mês, ordenando que os cargueiros fossem abastecidos. A liminar, porém, foi suspensa pelo pre sidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A decisão foi preliminar e não tem data para ser avaliada.

Enquanto isso, os cargueiros seguem parados. O navio MV Bavand já está carregado com 48 mil toneladas de milho - avaliadas em R$ 45,5 milhões - e deveria ter partido para o Irã no dia 8 de junho. O MV Termeh aguarda, desde o dia 9 de junho, o combustível para seguir rumo ao Porto de Imbituba (SC), ondo de receberá a carga.

Segundo reportagem da revista Portos e Navios, as empresas gastam US$15 milpordia coma paralisação. Ao menos um outro navio iraniano, o Daryabar, que está na mesma lista de sanções americanas, carregou milho em Imbituba em junho, e partiu, segundo autoridades MV marítimas, que apontam também que outra embarcação do Irã alvo de sanções dos EUA, o cargueiro Ganj, deve chegar ao no Brasil em agosto. / reuters, com FERNANDA NUNES

Teerã retém navio por ´contrabando´ 0 Irã afirmou ontem que apreendeu um navio-tanque estrangeiro e seus 12 tripulantes sob suspeita da prática de contrabando de combustível no Golfo Pérsico - a região está sob tensão há dois meses, após seqüência de eventos envolvendo petroleiros. Segundo a Guarda Revolucionária, o navio foi detido no domingo, ao sul da ilha iraniana de Larak, perto do Estreito de Ormuz.

0 anúncio foi feito em meio às especulações sobre o paradeiro do petroleiro Riah, de bandeira panamenha, desaparecido na noite de sábado. Segundo a TankerTrackers, especializada no acompanhamento de cargas de petróleo, o sinal do sistema de identificação do petroleiro foi interrompido a menos de seis milhas náuticas a oeste de Larak.

Desde maio, pelo menos seis navios foram atacados no Estreito de Ormuz, uma das mais importantes passagens de petróleo do mundo - incidentes que os EUA atribuíram ao Irã. / efe e afp Sob risco `Os navios vieram do Irã carregados com uréia, produto também sujeito a sanções americanas. Caso a Petrobrás venha a abastecer esses navios, ficará sujeita ao risco de ser incluída na mesma lista (de sanções dos EUA), sofrendo graves prejuízos`

NOTA DIVULGADA PELA PETROBRÁS

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