Navio desembarca combustível do Irã na Venezuela em meio a protestos contra falta de combustível

Navio desembarca combustível do Irã na Venezuela em meio a protestos contra falta de combustível

20:30 - Sanções americanas, ao lado de má gestão, provocaram escassez em um dos países com as maiores reservas do mundo

CARACAS - O primeiro de três petroleiros transportando combustível iraniano para ajudar a Venezuela a aliviar a crise provocada pela escassez de gasolina entrou nas águas do país sul-americano nesta segunda-feira, segundo dados de rastreamento de navios da Refinitiv Eikon.

O petroleiro Forest, de bandeira iraniana, carregado com cerca de 270 mil barris de combustível, entrou na zona econômica exclusiva da Venezuela por volta das 8h05, no horário local, para posteriormente se aproximar do porto de El Palito, segundo os dados. .

O barco cruzou o Oceano Atlântico e o Mar do Caribe sem problemas. Dois petroleiros iranianos seguindo a mesma rota, o Faxon e o Fortune, têm datas de chegada estimadas para o início de outubro.

As três embarcações devem entregar um total de 820 mil barris de gasolina e outros combustíveis para a Venezuela, onde as filas de motoristas esperando nos postos de gasolina aumentaram nas últimas semanas devido à falta de produção nacional, ainda que o país tenha as maiores reservas do mundo.

O Observatório de Conflitos Sociais da Venezuela, uma organização não governamental, disse nesta segunda-feira em sua conta no Twitter que houve novos protestos pacíficos por falta de gasolina e falta de serviços como água e eletricidade, atingindo uma centena de manifestações desde o fim de semana.

Embora os dois países estejam sujeitos a duras sanções dos Estados Unidos, Washington não se moveu para interceptar os navios iranianos.

O país persa fez uma entrega anterior de combustível à Venezuela entre maio e junho. No início de setembro, entregou uma carga de 2 milhões de barris de óleo leve, necessário para que a Venezuela possa beneficiar seu petróleo bruto. O petroleiro José, que fez a entrega, deve partir nesta semana de volta ao Irã com 1,9 milhão de barris de petróleo pesado bruto venezuelano.

A Venezuela costumava comprar o óleo leve dos Estados Unidos, através da Citgo, subsidiária da estatal PDVSA, mas está impedida de fazê-la desde o ano passado, quando o governo de Donald Trump bloqueou o comércio de combustível entre os dois países. Ao lado de um histórico de má gestão nas refinarias venezuelas, as sanções provocaram a atual escassez.

Depois de uma reunião remota na segunda-feira entre autoridades de Caracas e Teerã para discutir o comércio bilateral, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse que o Irã tem sido um mestre no enfrentamento das "medidas coercitivas unilaterais e ilegais" dos EUA.

Em julho, os Estados Unidos apreenderam em águas internacionais a carga de três navios com combustível venezuelano destinado à Venezuela, uma medida ilegal.

Venezuela e Irã, ambos membros da Opep, fortaleceram o comércio bilateral neste ano com o comércio de petróleo bruto, combustível, alimentos e equipamentos de refinaria, entre outros bens industriais.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino