Não vamos nos arriscar com isso, diz presidente do BC sobre alta da inflação

Não vamos nos arriscar com isso, diz presidente do BC sobre alta da inflação

Campos Neto alertou que a autoridade monetária já havia alertado sobre o avanço na última reunião do Copom

NOVA YORK - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou que a autoridade monetária está atenta aos desdobramentos da inflação no curto prazo. Durante evento com investidores em Nova York, ao ser perguntado sobre o IPCA de março, que ficou acima do projetado pelo mercado, ele disse: “não vamos nos arriscar com isso”.

O IBGE divulgou nesta manhã que o IPCA de março ficou em 0,75%, acima da média das projeções dos analistas . Na última reunião do Copom o BC havia alertado que a inflação provavelmente aceleraria no curto prazo e que o índice acumulado em 12 meses poderia atingir um pico entre abril ou maio. 

Campos Neto contemporizou a gravidade da alta mas manteve o foco no controle dos preços: “Basicamente foi transporte e alimentação, mas mesmo assim” foi acima do esperado. "Nossa principal tarefa é manter a inflação sob controle,” afirmou, ressaltando também que o BC está atento aos canais de transmissão da inflação, especialmente choques ocorridos em 2018, como a greve dos caminhoneiros, cujo impacto foi maior que o esperado, e como eles podem afetar expectativas.

“Achamos que 2018 teve todos os tipos de choque que pode haver,” disse ele, citando a incerteza eleitoral como um exemplo disso.  Outro choque veio da normalização das taxas de juros nos países ricos e como isso causou saída de capitais em mercados emergentes, disse ele, citando Argentina e Turquia como exemplos de tendências que desincentivaram investimentos no Brasil. 

Campos reconheceu que “a recuperação não é o que gostaríamos”. Ele ressaltou que o crescimento sustentável depende de três fatores: a reforma da Previdência, controlar gastos com funcionalismo, e realizar reformas para aumentar a produtividade.

Ele defendeu as reservas internacionais do Brasil como “um seguro importante a um custo reduzido”. Falando sobre possíveis mudanças no crédito rural e imobiliário, ele disse que “não somos contra subsídios, somos contra a falta de transparência.” Ele disse que o BC estuda um novo modelo de financiamento para a atividade rural, com foco nos pequenos e médios produtores. No mercado imobiliário, a ideia é modernizar os mecanismos usados para levantar fundos, permitindo transparência sobre os subsídios e ampliando as opções.

Campos Neto comentou ainda que sua maior surpresa ao assumir o comando da autoridade monetária é “que ninguém do BC estava falando de cibersegurança.” Segundo ele, o BC quer incentivar o desenvolvimento do setor financeiro brasileiro – um esforço centrado na digitalização e desburocratização de processos.

Em seu discurso na “XP Conference 2019 – Brazil: First 100 days,” Campos Neto traçou o panorama conhecido dos investidores que têm acompanhado suas falas recentes, exaltando reformas microeconômicas da Agenda BC+ e esforços para estimular a digitalização do mercado financeiro, com vistas a democratizar o acesso. Um exemplo é o sistema do BC para analisar operações de cartão de crédito, que não existia em 2013. Outro é a explosão de fintechs no país, especialmente na área de pagamentos, disse ele.

Mudanças recentes no BNDES, com a Taxa de Longo Prazo e novo foco do banco de desenvolvimento, mostram que quando o governo reduz sua presença, abrindo espaço no mercado, o setor privado floresce, argumentou.

Entre as iniciativas do BC para aumentar a inclusão financeira, Campos Neto citou microcrédito, cooperativismo, desenvolvimento do mercado de capitais e convertibilidade – no último item, o BC está focado em eliminar burocracia, simplificar regras e facilitar operações no mercado cambial.

Campos Neto reforçou a importância de ter “cautela, serenidade e perseverança” na política monetária e destacou que o cenário global permanece desafiador para os mercados emergentes, com riscos crescentes de desaceleração mundial mesmo com o cenário mais suave de normalização dos juros nas economias desenvolvidas.

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