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´Não chegamos no fim do ciclo´, diz Kawall

´Não chegamos no fim do ciclo´, diz Kawall

Um dos principais economistas do país, Carlos Kawall estava disposto a revisar suas estimativas para a queda da Selic em 2020 até que foi surpreendido pelas novas projeções do Banco Central para a inflação,

O risco, na sua avaliaçã o, era de que a autoridade monetária elevasse suas estimativas para o IP- CA, adotando uma postura ainda mais conservadora que a do mercado. No entanto, a autoridade se alinhou à visão dos analistas e manteve a leitura de que a inflação seguirá com alguma distância da meta, de 4% no próximo ano.

`Esse quadro sugere que tem espaço para a Selic cair mais, inclusive abaixo de 4,25%, que é o consenso no mercado`, afirma Kawall, que acaba de assumir o cargo de diretor de pesquisa econômica do ASA Bank, novo banco de Alberto Safra. Ex-secretário cio Tesouro, Kawall afirma que o salto nos preços de carnes e o avanço dodólarsão choques transitórios na inflação. Dessa forma, o quadro ainda é benigno, inclusive do ponto de vista do cenário internacional, o que afasta o risco de uma alta de juros em 2020.

`O juro deve ficar num nível um pouco mais baixo e a normalização só vai ocorrer em 2021. Vai chegar um momento em que essa vai ser a grande pergunta [o timing de normalização], mas não chegamos no fim cio ciclo. As pessoas estão se precipitando em colocar uma alta já no ano que vem. Ainda está cedo`, afirma.

 

Valor: Qual foi a grande novidade do comun içado do Copom ?

Carlos Kawall: A grande surpresa foram as projeções de inflação, que vieram muito baixas. Mesmo com o dólar a RS 4,20 e a Selic caindo para 4,25% durante boa parte do ano, o cenário híbrido manteve a projeção em 3,7%. Jã no cenário de mercado, foi para 3,5%. A gente, por exemplo, imaginava que o cenário de mercado traria estimativa de 3,8% e o híbrido teria projeção de 4%. Muita gente estava falando cie 3,9% e 4% em 2020, mas veio com um número muito baixo, tendo em vista que a meta de inflação é de4% para o anoque vem.

 

Valor: 0 que as novas projeções sugerem para o rumo da Selic?

Kawall: Esse quadro sugere que tem espaço para a Selic cair mais, inclusive abaixo de 4,25%, que é o consenso no mercado. Eu jã tinha a expectativa de que cairia para 4% em 2020, mas tenderia a mudar para 4,25% caso as expectativas para as projeções de inflação nos modelos cio Banco Central tivessem sido confirmadas. Todo esse quadro sugere que, mantidas as condições atuais, a Selic cai para 4,25% em fevereiro e pode ir para 4% em seguida. Essa expectativa sai fortalecida. Faz sentido reduzir o ritmo e dar passos menores visto que a taxa está muito baixa. Eu faria a mesma coisa.

 

Valor: O que pode ter jogado as projeções para baixo?

Kawall: Tem uma hipótese de que a mudança está concentrada em preços de administrados. Muita gente está trabalhando com número de energia elétrica muito baixo, próximo de zero, no ano que vem. Se o Copom tinha um número alto e revisou nessa direção, faz muita diferença. Isso só saberemos na semana que vem, com a divulgação da ata da reunião. Mas vale dizer que, apesar da surpresa, as projeções do Banco Central agora estão muito próximas das estimativas no mercado. A Focus tem 3,6% de inflação no ano que vem. Ninguém tinha elevado estimativa para 2020 mesmo com o choque nos preços de carnes e o dólar alto. O Banco Central suipreende, mas a projeção agora está mais alinhada. Novas projeções de inflação sugerem que tem espaço para a Selic cair maisr inclusive abaixo de 4,25%`

 

Valor: Mas o Copom também reiterou que o momento atual exige cautela...

Kawall: O Copom manteve a cautela e retirou o risco de a inércia da inflação de curto prazo jogar a inflação ainda mais para baixo. Isso parece inteiramente justificado pela pressão nos preços das carnes, que acaba afetando os índices de inflação de novembro e dezembro. Não faz sentido falar de inércia baixista de inflação no curto prazo. Além disso, retirou o trecho que fala de novos ajustes e fala só de cautela. Essa leitura pura e simples poderia induzir uma leitura mais ´havvk´ [favorável ajuro alto], mas não dá para dizer isso com projeções de inflação tão baixas. Cautela existe porque o patamar do juro está muito mais baixo e a expectativa de retomada da economia está sendo confirmada, mas os núcleos de inflação estão confortáveis a ponto de projetar inflação de 3,7% em 2020.

 

Valor: Cotti os ajustes /to comunicado, o Copom deixa qual mensagem sobre os próximos passos?

 

Kawall: É um Banco Central confortável com o quadro de inflação, o cenário externo, e seguro com a condução da política monetária. Agora, vai esperar até fevereiro para decidir se faz ajustes adicionais de 0,25 ponto percentual na Selic. Inclusive,a decisão no Brasil coincidiu com a reunião do Federal Reserve [o banco central americano], que não projetou altas de juros em 2020 e está pronto a agir se riscos se materializarem. É um ambiente benigno nesse contexto lã de fora. Quanto à inflação, houve choques de preço da carne e como diz o próprio nome são apenas choques e uma pressão no câmbio, em boa medida causada por um elemento até esdrúxulo, que foi o erro nos dados de exportação. Mas os núcleos de inflação estão muito confortáveis.

 

Valor: Quaí a sua perspectiva para uma normalização da política monetária?

Kawall: O juro deve ficar num nível um pouco mais baixo e normalização só vai ocorrer em 2021. Vai chegar um momento que essa vai ser a grande pergunta, mas não chegamos no fim do ciclo. As pessoas estão se precipitando em colocar uma alta já no ano que vem. Ainda está cedo. Para mim, a alta ocorre em 2021 não necessariamente de forma rápida. O hiato (diferença entre nível do PIB e seu potencial] está muito aberto. Estamos sendo surpreendidos com a dinâmica de inflação. Para se ter uma idéia, no fim de 2018, havia expectativa de que a Selic terminaria o ano em 7%. Estamos comjuro de4,5%.

 

Valor: Mas os dados de atividade, pelo menos na margem, estão mostrando uma melhora. O hiato nâo estáfechando?

Kawall: Estamos crescendo acima do potencial e o hiato está fechando, mas ele ainda é muito grande. Tem uma nova realidade de mercado de trabalho mais flexível. Ainda tem bastante ociosidade. Não acredito que uma economia que caiu 7% e agora está crescendo 2% vai ter pressão inflacionária. Isso é bem mais para frente.

 

Valor: Quais as similaridades entre o momento atual e oJim do ciclo de afrouxamento em 2018 na gestão de llan Goldfajn?

Kawall: A situação agora muito mais confortável. Na época, o llan enfrentava a incerteza com a eleição e a reforma da Previdência. Hoje, passou eleição, reforma foi aprovada e tem um cenário político mais estabilizado com menos incerteza. Ali, política monetária foi até onde situação permitia. Agora é um momento muito melhor.

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