Nacionalismo em projetos de lítio ganha força na América Latina

Nacionalismo em projetos de lítio ganha força na América Latina

29/06 Mas até agora países produtores de lítio da região tiveram pouco sucesso ao agregar valor aos setores de matérias-primas

Políticos na América Latina, região que responde por mais da metade dos recursos mundiais de lítio, buscam aumentar o peso do Estado em um setor crucial para livrar o mundo dos combustíveis fósseis.

Na Argentina, estatais de energia entram no mercado de lítio com o plano do governo para desenvolver projetos downstream (de beneficiamento do insumo para aumentar o valor agregado do produto). No Chile, o candidato à Presidência que lidera as intenções de voto quer fazer algo semelhante quando o país redige uma nova Constituição que pode resultar em regras mais rigorosas para mineradoras. No México, o governo estuda a possibilidade de nacionalizar os prospectos de lítio.

No entanto, ninguém fala em expropriar ativos na produção e muito da retórica contra investidores no Chile vem de grupos de oposição. Ainda assim, ao destacar as desigualdades e expor as vulnerabilidades da cadeia de suprimentos, a pandemia incentiva o nacionalismo de recursos que pode levar a condições menos favoráveis para produtores em meio à expansão do mercado de baterias de íon-lítio.

“A confiabilidade do país e dos recursos é algo que as empresas automotivas e de baterias olham”, disse o analista do BTG Pactual, Cesar Perez-Novoa. “Portanto, é um risco.”

A estatal de petróleo argentina YPF confirmou este mês que vai explorar lítio e participar da licitação para a produção de baterias por meio de uma nova unidade, estratégia semelhante à utilizada para diversificar em energias renováveis.

Outra estatal de energia, a Ieasa, ganha novo papel sob o presidente da Argentina, Alberto Fernández, depois que o governo anterior tentou privatizar muitos de seus
ativos. Agora, a empresa disse que vai incorporar o lítio em sua estratégia de negócios, sem dar mais detalhes.

Países produtores de lítio tiveram pouco sucesso ao agregar valor aos setores de matérias-primas, dada a distância dos centros de demanda e, às vezes, ao ambiente de negócios adverso. No caso da Bolívia, os requisitos para investir em projetos downstream têm sido uma das barreiras para a extração do lítio.

A Argentina aposta nos laços com a China para abrir as portas ao sonho de fabricar baterias e veículos elétricos localmente. Autoridades argentinas estão em negociações com a Gotion High-Tech e Ganfeng Lithium.

No Chile, o maior fornecedor de lítio depois da Austrália, a expectativa é de que o processo para reescrever a Constituição inclua um debate sobre como obter mais lucros do setor, regras de licenciamento mais rígidas e a classificação da água como um bem nacional para uso público.

Não está claro se uma nova Constituição pode alterar os direitos de propriedade, uma vez que o Estado já é proprietário dos recursos minerais, disse Renato Garin, professor da Faculdade de Direito da Universidade do Chile, eleito para a convenção que redige a Constituição. A mudança provavelmente será baseada em regras ambientais devido às crescentes preocupações sobre o impacto da mineração de lítio nas salinas do Atacama.

“O que a nova Constituição vai incentivar é um distanciamento do capitalismo de mineração para encorajar mais investimentos em tecnologia”, disse Garin, membro esquerdista independente da assembleia. “Como produzir sem destruir”, afirmou em entrevista. (Com a colaboração de Jorgelina do Rosario e Sergio Mendoza)

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