Na presidência da UE, Portugal dá mais ênfase à Índia do que ao Mercosul

Na presidência da UE, Portugal dá mais ênfase à Índia do que ao Mercosul

04/01 Em 37 páginas de programa na presidência da UE, Portugal cita a Índia oito vezes, o Mercosul duas vezes e o Brasil nenhuma

Portugal assumiu a presidência rotativa da União Europeia (UE) dando mais visibilidade à relação europeia com a Índia do que com o Brasil ou Mercosul, numa demonstração de sua prioridade nos próximos seis meses.

Em 37 páginas de programa na presidência da UE, Portugal cita a Índia oito vezes, o Mercosul duas vezes e o Brasil nenhuma. Um representante de Portugal, no fim do ano passado, ao apresentar as prioridades portuguesas, num debate no European Policy Centre, um think tank em Bruxelas, não citou o Mercosul uma só vez.

Portugal aposta em particular na possibilidade de um acordo de proteção de investimentos entre a UE e a Índia. Para isso, os europeus vão realizar uma cúpula com o primeiro-ministro Narendra Modi em maio no Porto.c

Já com o Brasil, não há nada na agenda, apesar de a parceria estratégica com a UE prever uma cúpula cada ano. A última vez em que isso ocorreu foi em 2014, na presidência de Dilma Rousseff. Depois disso, a UE acabou comprando parte da narrativa do PT sobre golpe de Michel Temer e não quis realizar cúpula com ele.

Agora,tudo indica que também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, não querem ou não têm pressa em se reunir com o presidente Jair Bolsonaro, visto na Europa como uma figura tóxica.

A crítica do comissário de Economia da União Europeia, Paolo Gentiloni, ao que chamou de "imagens vergonhosas do Brasil" em meio à pandemia de coronavírus, ilustra como o Brasil é visto no momento na Europa. O comentário de Gentiloni ocorreu em um momento em que o país registrou aglomeração nas praias, incluindo a provocada por Bolsonaro no litoral paulista em plena pandemia.

Para o Mercosul, Portugal diz que vai buscar “contribuir para criar as condições para a assinatura do acordo EU-Mercosul”. Certas fontes concordam que é possível que Portugal faça um esforço para chegar no fim do semestre com o acordo UE-Mercosul na agenda do Conselho da UE, em nível de ministros. Mas o cenário é difícil.

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