Na ONU, Xi Jinping declara que 'democracia não é direito especial reservado a alguns países'

Na ONU, Xi Jinping declara que 'democracia não é direito especial reservado a alguns países'

18:29 - Presidente chinês faz defesa do multilateralismo e critica intervenções militares do Ocidente; Pequim reitera promessa de fornecer ao mundo 2 bilhões de doses de vacina até o fim do ano

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente chinês, Xi Jinping, fez uma extensa defesa do multilateralismo e, em uma referência indireta aos EUA, criticou o que sugeriu ser um "monopólio da defesa da democracia" por parte de alguns países ocidentais.

Em uma fala de cerca de 15 minutos, Xi afirmou que as relações internacionais precisam ser pautadas pelo respeito entre as nações, e que o mundo pode comportar diferentes "caminhos para a modernização". O presidente ainda criticou as intervenções militares ocidentais em países como o Iraque e Afeganistão, que marcaram as últimas duas décadas.

— A democracia não é um direito especial reservado a alguns países, mas sim algo a que todas as populações do mundo possam ter acesso — afirmou. — Ações militares externas e a assim chamada transformação democrática não trazem nada a não ser danos.

Para ele, as diferenças entre as nações deveriam ser resolvidas através do diálogo e cooperação, pautadas pelo respeito mútuo — desde o governo de Donald Trump, as relações entre EUA e China são marcadas pelo antagonismo e competição, uma visão mantida, à sua forma, por Joe Biden, através da criação de frentes vistas como ferramentas para deter o avanço chinês na Ásia e Pacífico.

— O sucesso de um país não precisa significar o fracasso do outro. O mundo é grande o bastante para acomodar o desenvolvimento e o progresso de todos os países — pontuou.

Em outra referência indireta a Biden, Xi Jinping afirmou que seu país "jamais invadirá ou importunará outros [Estados] em busca de hegemonia". Além de mais uma alfinetada relacionada às guerras pós-11 de Setembro, o líder chinês tentou responder aos temores de uma eventual invasão a Taiwan, arquipélago visto como uma península rebelde por Pequim, e tema recorrente das conversas do líder americano com chefes de Estado estrangeiros.

Combate à Covid-19
O líder chinês destinou boa parte do tempo a defender uma ação conjunta para a recuperação e o desenvolvimento econômico depois dos impactos provocados pela pandemia do novo coronavírus.

— Em todos os países, as pessoas estão ansiosas por paz e desenvolvimento e, mais do que nunca, seus anseios por igualdade e justiça estão mais fortes, assim como sua determinação para buscar uma cooperação benéfica a todos — afirmou Xi.

Para ele, o primeiro passo desse desenvolvimento é vencer a Covid-19, uma missão vista como crucial pelo líder chinês. Xi Jinping destacou a necessidade de tomar decisões baseadas na ciência, e colocou a vacinação em massa como ferramenta na luta contra a doença.

Segundo o presidente, a China deve fornecer ao mundo cerca de 2 bilhões de doses de imunizantes até o final de 2021, sendo que 100 milhões através de doações ao consórcio Covax e 100 milhões entregues de maneira direta a nações em desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, Xi Jinping declarou que seu país segue engajado com as investigações sobre a origem do vírus, rejeitando o que chamou de uso político do inquérito. Desde o surgimento dos primeiros casos, os EUA, ainda governados por Donald Trump, acusaram Pequim de não agir para controlar o surto interno, e sugeriram que a pandemia poderia ter causada pelo vazamento acidental de um laboratório em Wuhan.

Tal hipótese é rejeitada por Pequim, mas recentemente a Casa Branca, agora liderada por Joe Biden, passou a defender uma segunda investigação conduzida pela Organização Mundial da Saúde — um relatório prévio, divulgado em fevereiro, aponta que o mais provável é que o vírus tenha sido transmitido por um animal para humanos.

Por fim, Xi Jinping reiterou seus compromissos relacionados ao clima, estabelecendo a meta de, até 2060, atingir a neutralidade de emissões de gás carbônico, promovendo a transição para uma economia verde e anunciando a suspensão de projetos relacionados ao carvão no exterior.

Segurança regional
Antes de Xi Jinping, o presidente do Irã, Ebrahim Raisi, fez, também por vídeo, seu primeiro discurso na Assembleia Geral, e adotou quase imediatamente uma postura crítica em relação aos EUA: citando a invasão do Capitólio e as imagens dos afegãos caindo de aviões militares em Cabul, disse que os americanos “não têm mais credibilidade para impor sua hegemonia”, e que usam o “dinheiro dos contribuintes” para oprimir outras nações.

Raisi atacou as sanções impostas pelos EUA, ligadas ao acordo nuclear, e declarou que elas impediram a aquisição de medicamentos, insumos médicos e vacinas contra a Covid-19, contribuíndo para o agravamento da situação da pandemia no país, o mais atingido no Oriente Médio, com 118 mil mortes. Para ele, tais medidas podem ser comparadas a um "crime contra a humanidade", e as conversas para a retomada plena do acordo nuclear, abandonado pelos EUA em 2018, precisam passar pelo fim de "todas as sanções"

— Todos os lados precisam se manter fiéis ao acordo nuclear e à resolução da ONU em vigor — declarou Raisi. — E nós não acreditamos nas promessas feitas pelo governo dos EUA.

O presidente, eleito em junho, defendeu o papel do Irã na manutenção da segurança regional, ressaltando as ações contra o Estado Islâmico na Síria, dizendo que, sem isso, o grupo terrorista “estaria perto das fronteiras da Europa”.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino