Na ofensiva contra a oposição, governo de Ortega detém líderes estudantis e camponeses à frente dos protestos de 2018

Na ofensiva contra a oposição, governo de Ortega detém líderes estudantis e camponeses à frente dos protestos de 2018

19:17 - Universitário Lesther Alemán e agricultor Medardo Mairena foram detidos na noite de segunda-feira; Mairena se torna agora o sexto candidato presidencial preso

A polícia da Nicarágua deteve na noite de segunda-feira dois dirigentes universitários e quatro líderes camponeses que estiveram à frente dos protestos de 2018, que pediam a renúncia do presidente Daniel Ortega, no poder desde 2007. Entre os presos estão duas figuras relevantes da oposição: o estudante Lesther Alemán e o agricultor Medardo Mairena, que se torna agora o sexto candidato à eleição presidencial de novembro preso desde o mês passado pelo sandinismo.

Além dele, foram detidos os candidatos Cristiana Chamorro, Félix Maradiaga, Arturo Cruz, Miguel Moral e Juan Sebastián Chamorro, primo de Cristiana, após uma operação iniciada em 2 de junho que já prendeu cerca de 30 pessoas, entre empresários, políticos, jornalistas e ativistas.

Alemán — o líder universitário que em 2018 confrontou Ortega com um grito de “renda-se” durante um diálogo nacional convocado pela Igreja Católica — foi preso na noite de segunda-feira, segundo a Aliança Universitária Nicaraguense (AUN), grupo do qual faz parte, junto com o estudante Max Jérez.

— Lesther e Max estiveram em uma casa segura por um longo tempo devido ao cerco que estavam sofrendo. Desde ontem [segunda], havia presença policial na casa. Hoje cedo pude falar com Lesther e ele me disse que estava emocionalmente estável. Infelizmente foram presos covardemente àquela hora da noite, como é de costume — relatou Yubrank Suazo, ex-preso político e membro da coalizão opositora Aliança Cívica, da qual também fazem parte os universitários detidos. — Esses alunos são um baluarte de coragem e dedicação à luta da azul e branco [cores da coalizão]. Lesther disse há poucos dias que, como adversário de Ortega, estava preparado para a prisão ou a morte.

O Movimento Camponês, um forte grupo opositor na Nicarágua, também denunciou a detenção de seu líder e candidato presidencial, Medardo Mairena, além dos agricultores Pedro Mena, Fredy Navas e Pablo Morales.

Mairena já havia sido detido durante os protestos de 2018 e libertado um ano depois, após uma anistia decretada por Ortega. O candidato de origem camponesa foi condenado a 216 anos de prisão na época e, em sua detenção de mais de 11 meses, denunciou ter sofrido tortura e maus-tratos.

Ortega, um ex-guerrilheiro que governou o país de 1979 a 1990, voltou ao poder em 2007 com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e permanece no cargo após duas reeleições sucessivas. Ele tem empregado uma controversa Lei de Segurança Nacional para perseguir a oposição, em geral alegando que seus opositores incitam a intervenção estrangeira. A lei 1.055, aprovada no final do ano passado, permite que candidatos presidenciais sejam excluídos se eles se manifestarem a favor das sanções americanas.

UE vai adotar novas sanções
Com a série de prisões, seu regime acabou com quase toda a oposição nicaraguense, abrindo o caminho para mais uma reeleição nas eleições de novembro.

Nesta terça-feira, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, anunciou que vai propor nos próximos dias a adoção de novas medidas restritivas e sanções contra o governo.

— Iremos propor ao Conselho da União Europeia a possibilidade de tomar medidas restritivas no estilo das que já foram tomadas no passado, para que não afetem os cidadãos — disse ao Parlamento Europeu. — Nós queremos pressionar o governo, e não castigar mais o povo da Nicarágua. Para nós, a saída democrática é a única possível para a crise na qual o país está imerso. Estamos avaliando as ferramentas que possuímos, começando por novas sanções.

Os EUA já impuseram sanções à filha de Ortega, Camila Antonia Ortega Murillo, e a três dos aliados do presidente. No mês passado, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e mais 59 países pediram a liberação de todos os detidos. Mas, apesar da condenação internacional generalizada, Ortega garante que “não dará um passo atrás” ao encarcerar os oponentes.

— Aqui não estamos julgando políticos, não estamos julgando candidatos. Os criminosos que atacaram o país estão sendo julgados — disse, em 23 de junho.

Segundo ele, os detidos estavam tentando organizar “outro golpe”, semelhante ao ocorrido em abril de 2018 para derrubá-lo.

— É isso que estamos perseguindo, investigando, e é isso que será punido no devido tempo, conforme exigido por lei.

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