Na guerra do 5G, Huawei já tem 60% da UE

Na guerra do 5G, Huawei já tem 60% da UE

Fora da Europa, chinesa também é forte na Ásia e no Oriente Médio e segue lutando contra Trump

Pressionada pela guerra geopolítica deflagrada pelo governo Donald Trump contra a China, a
maior fabricante global de telecomunicações, a chinesa Huawei, vem tentando derrubar as
barreiras impostas por diversos países para impedir o avanço da sua tecnologia de quinta geração
de serviços móvel (5G). Além de seu mercado doméstico, que já é imenso, a região onde a
companhia vem obtendo a maior aceitação é a União Europeia. Dos 27 países desse bloco, mais
de 60% já adotaram a tecnologia 5G da Huawei, afirmou ao Valor o diretor de Cibersegurança da
companhia, Marcelo Motta. Os demais 40% ainda não tomaram uma decisão.

A Alemanha foi um dos mais recentes países do bloco a aceitar a presença da fabricante chinesa.
Há pouco mais de uma semana, o governo alemão aprovou uma nova lei de segurança de redes
que permite o uso da tecnologia 5G da Huawei. Em troca, exigiu garantias sobre a segurança de
seus equipamentos. República Tcheca e Espanha também se posicionaram a favor da
companhia.

Fora da União Europeia, a presença mais forte da gigante chinesa é nos países do Oriente Médio.
Suas maiores redes estão na Ásia, enquanto crescem na Coreia do Sul. No mercado chinês, há
mais de 800 mil estações radiobase 5G instaladas. Até o fim de dezembro de 2020, a previsão era
que o total chegaria a 1 milhão, segundo o diretor. A China conta com cinco fornecedores de
infraestrutura 5G, mas Motta garante que a Huawei está bem posicionada, sem revelar
participação de mercado.

Conhecidos como ERBs, rádios ou antenas, as estações radiobase são equipamentos que as
operadoras colocam nas torres de celular para formar suas redes e possibilitar que os usuários se
comuniquem.

Para se ter uma dimensão do tamanho do mercado chinês, no Brasil há pouco mais de 102 mil
rádios instalados, sendo só uma pequena parte já preparada para 5G.

Embora 5G não seja uma evolução das atuais redes 4G, as operadoras precisam que a nova
geração se comunique com as anteriores. Por isso, as teles consideram que teriam elevados
custos se tivessem que romper repentinamente com determinado fornecedor, pelo atual modelo
de negócios. No Reino Unido, por exemplo, o governo vetou a compra da tecnologia da Huawei a
partir de janeiro de 2021 e exige que as empresas de telecomunicações troquem a tecnologia da
fabricante em suas redes até 2027. O gigante britânico BT Group afirmou que isso vai lhe custar
cerca de US$ 650 milhões.

Nos EUA, espera-se que parlamentares aprovem verba de US$ 1,9 bilhão para financiar a
remoção de equipamentos de redes de telecomunicações que, segundo o governo Trump,
apresentam riscos à segurança nacional. Camberra, capital da Austrália, também proibiu a
Huawei de participar de seu processo para escolha de fornecedor de 5G.

No Brasil, o Grupo de Trabalho 5G da Câmara dos Deputados tenta comprovar a segurança dos
sistemas da Huawei, em uma reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que se
opõe ao presidente Jair Bolsonaro, que aderiu à briga comercial dos EUA contra a China.

Contrários ao banimento da empresa chinesa, presidentes das principais operadoras, liderados
pela Conexis Brasil Digital, que as representam, se reuniram com o ministro das Comunicações,
Fábio Faria, no fim de novembro. As teles rechaçam qualquer interferência ideológica nos rumos
dos negócios no país. Na semana passada, a Conexis afirmou que o resultado do encontro tem
sido positivo.

Desde 1998 no Brasil, a Huawei participou de todo o processo de construção das novas redes
desde então. Sua infraestrutura está instalada em todas as grandes operadoras, além das
pequenas regionais e provedores de internet. Mesmo assim, enfrenta a oposição do governo
Bolsonaro. “Em função do cenário, é normal que o governo tenha desconfianças. Estamos aqui
para esclarecer”, minimizou Motta

Mais de 90% das instalações de 4G no Brasil são divididas entre a Huawei e a sueca Ericsson,
ficando outros fornecedores com os 10% restantes. Dos 90%, a Huawei detém fatia de 40% a
45% dos rádios instalados, segundo Motta.

“Os fornecedores globais já atuam no país nas tecnologias 4G, 3G e 2G. Uma eventual restrição a
fornecedores do 5G pode atingir também a integração com a infraestrutura já em operação, com
consequências diretas nos serviços oferecidos e custos associados, mais uma vez prejudicando
os cidadãos brasileiros usuários dessa infraestrutura”, afirmou a Conexis.

Sobre as acusações de Trump de que os sistemas da Huawei são vulneráveis à espionagem,
Motta garantiu que isso não é verdadeiro e que o grupo tem feito demonstrações a esse respeito
no Brasil para as operadoras, o governo e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Para a Conexis, as grandes teles têm bastante conhecimento para tratar da segurança e
privacidade das redes.

“O absurdo de tudo isso é que forneço equipamentos que fazem parte da rede da operadora.
Quem opera é ela, a gente não tem acesso. Não temos os dados. A rede dela é protegida”,
destacou o diretor de Cibersegurança.

A Huawei tem dois centros globais de transparência e segurança cibernética, um na China e outro
na Bélgica. Lá, a companhia abre o código fonte para o governo esclarecer dúvidas e fazer testes
com base em critérios técnicos, disse o executivo. Os clientes da Huawei usam esses centros,
segundo o diretor, para pedir certificação internacional de segurança. No Brasil, isso é feito via
Anatel

A companhia tem fábrica em Sorocaba (SP), que já produz pequenos equipamentos de 5G. Com
investimentos feitos na automação, conseguiu reduzir o tempo de produção de 17 para 7 horas,
disse Motta. Outra fábrica em Manaus (AM) produz equipamentos para banda larga.

Questionado se a guerra geopolítica tem prejudicado os negócios no Brasil, o diretor da Huawei
diz que “o ano foi extremamente movimentado”, com aumento superior a 50% no tráfego de
internet devido à pandemia. “Trabalhamos forte com as operadoras no Brasil [...] para que
pudessem fazer o incremento de suas redes”, disse. “Apesar de todas as acusações, ainda temos
o apoio dos clientes.”

Motta assegurou que a Huawei não busca tratamento diferenciado, mas sim técnico e igualitário,
como no mercado alemão. “É o que vai acontecer aqui e 1.200 funcionários não vão
desaparecer”, afirmou, referindo-se a uma possível liberação de sua tecnologia 5G pelo governo
Bolsonaro.

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