Na Cúpula do Mercosul, Brasil defende que entrada no acordo com União Europeia seja bilateral

Na Cúpula do Mercosul, Brasil defende que entrada no acordo com União Europeia seja bilateral

Representantes do governo brasileiro defenderam, durantes as primeiras reuniões da 54ª Cúpula do Mercosul, nesta segunda-feira na cidade de Santa Fé, na Argentina, que o acordo de livre comércio com a União Europeia, firmado no final de junho, comece a entrar em vigor logo após a aprovação do parlamento de cada país.

A expectativa é que a parceria comece a valer em dois anos , mas também carece da aprovação do parlamento europeu. O acordo deve ser um dos principais temas do encontro com os chefes de Estado do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

- A preferência do Brasil é que a entrada em vigor seja bilateral. Ou seja, se o Brasil aprovar em primeiro lugar já entra em vigor para o Brasil. E assim se os outros países demorarem mais entra depois para ele - disse Pedro Miguel da Costa e Silva, coordenador brasileiro para o Mercosul.

Negociadores de Argentina, Uruguai e Paraguai também demonstram inclinação pela bilateralidade na validade do acordo.

- Os tempos (no Mercosul) mudaram. Hoje precisamos de instrumentos efetivos para dar respostas rápidas às expectativas do setor exportador e produtivo dos nossos países --disse a diretora-geral de assuntos de integração e Mercosul da chancelaria uruguaia, Valéria Csukaki.

Na esteira do acordo com a União Europeia, as reuniões entre os quatro países miram avançar em outras alianças que já estão em discussão. A perspectiva é que o acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês), bloco do qual fazem parte Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, possa ser concluído nos próximos meses. Outro acordo que deve avançar até 2020  é o do Mercosul com o Canadá.

- A negociação com o EFTA estamos próximo de uma possível conclusão. Claro, isso depende do outro lado, mas é o mais avançado. O segundo mais avançado é com o Canadá, que nós achamos que se continuar no ritmo atual existe uma chance de terminar no início de 2020 - disse Costa e Silva.

O presidente Jair Bolsonaro chega a Santa Fé na quarta-feira pela manhã para participar da cúpula. Na ocasião, os presidentes do quatro países assinarão um acordo para o fim da cobrança do roaming internacional. A medida deverá ser chancelada pelos parlamentos dos países que compõem o bloco. Ainda não há prazo para que a cobrança para ligações internacionais entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai deixe de existir.

Durante o encontro, o Brasil assumirá a presidência pró-tempore do Mercosul, substituindo a Argentina, do presidente Mauricio Macri, no comando do bloco. Segundo fontes diplomáticas, o Brasil, ao assumir o comando do bloco, deverá seguir com ações para simplificar e desburocratizar as relações comerciais e institucionais entre as nações que compõem o próprio bloco e outros países.

Desde domingo, dia 14, funcionários dos governos e diplomatas realizam encontros preparatórios. O ministro das Relações Exteriores, chanceler Ernesto Araújo, e da Economia, Paulo Guedes, são esperados em Santa Fé nesta terça-feira.

Durante as reuniões preparatórias, também estão sendo discutidos pelo menos outros dois acordos. Um é sobre a troca de informações migratórias entre os quatro países, e o outro é a possibilidade de brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios terem assistência consulares de qualquer nação que compõe o bloco quando não houver representação de seu país de origem. Os encontros do Conselho do Mercosul acontecem a cada seis meses. O próximo está previsto para ocorrer no final do ano no Brasil.

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