Na Argentina, Odebrecht pagou propina ao governo Kirchner

Na Argentina, Odebrecht pagou propina ao governo Kirchner

Servidores teriam recebido US$ 14 milhões por projeto de água potável

Ex-vice-presidente para América Latina e Angola da Odebrecht, Luiz Mameri é odelator que mais sabor dá ao capítulo argentino da colaboração da empresa.Mameri era a voz da empreiteira no país hermano, onde nunca houvevolume de obras que justificasse a alocação de um executivo exclusivo. Como, emse tratando de Odebrecht, ser a voz da empresa incluía uma engenharia que, alémde obras, envolvia propina, foi ele quem esteve à frente de pagamentosmilionários e ilegais a funcionários do kirchnerismo.

A delação de Mameri, ainda em sigilo, mas obtida pelo GLOBO, mostra quefuncionários graduados do Ministério do Planejamento e da estatal Água eSaneamento Argentino (Aysa) receberam US$ 14 milhões para que a Odebrechtganhasse a licitação do projeto Água Potável Paraná de las Palmas, de limpeza deágua para consumo humano, na capital.

Pela lei argentina, uma empreiteira estrangeira sempre deve se associar aconstrutoras locais para conseguir participar de algum consórcio.

Nesses casos, (eu) era previamente informado por esses empresários que, casovencida a licitação, valores deveriam ser pagos para o partido de governo, deacordo com sua participação no consórcio que viria ser formado, conta Mameri nadelação.

Assim foi com o projeto de Paraná de las Palmas. Após ser procurado por umlobista, Mameri concordou com o pagamento a Raul Biancuso, da Aysa, no total deUS$ 6,6 milhões. Depois, houve pagamento de US$ 6,45 para um funcionário doMinistério do Planejamento autorizar o pagamento.

No mesmo ministério, funcionários ligados a Julio DeVido, ministro do Planejamento sob todo o kirchnerismo, são apontados por Mamericomo beneficiários de propina da obra de soterramento da ferrovia Sarmiento projeto de US$ 1,3 bilhão, em Buenos Aires. Neste caso, o empresário daconstrutora argentina Iecsa foi quem abordou Mameri, em 2007. O delator relatater pago US$ 20 milhões de propina a funcionários públicos para que o consórciovencesse a licitação.

A Lava-Jato já trouxe más notícias também para Maurício Macri. O diretor deInteligência do governo, Gustavo Arribas, foi apontado por uma reportagem do LaNación como beneficiário de repasses do doleiro Leonardo Meirelles, delator noBrasil.

Ontem os Ministérios Públicos Federais do Brasil e da Argentina divulgaramuma nota reclamando da atuação dos governos dos dois países no acordo decooperação firmado para apurar crimes cometidos pela Odebrecht. O Ministério daJustiça brasileiro e a chancelaria argentina estariam criando obstáculos eburocracias que, na prática, estariam atrapalhando as apurações. O Ministério daJustiça, em nota, afirmou que os acordos entre os países devem ser firmados porEstados Partes`, sendo que os nobres MPFs não são Estado Parte`.

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