MP denuncia ministro do Turismo por esquema de candidaturas laranjas do PSL

MP denuncia ministro do Turismo por esquema de candidaturas laranjas do PSL

04/10 - 20:00 - PF pede ao Ministério Público que ele seja condenado por três crimes. Bolsonaro decidiu manter Marcelo Álvaro Antônio no cargo

Baseado-se em informações repassadas pela Polícia Federal, o Ministério Público denunciou o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e outras 10 pessoas por envolvimento no esquema de candidaturas laranjas montada no PSL em Minas Gerais. As diligências conduzidas pela PF apontam que Marcelo era o líder do esquema, e que ele “quem decidia pela continuidade ou interrupção” do desvio de recursos. Na esquema, mulheres se lançaram candidatas, nas eleições de 2018. No entanto, os recursos eram desviados para benefício dos envolvidos no esquema criminoso. Mesmo diante da denúncia, o presidente Jair Bolsonaro decidiu manter o ministro no cargo e “aguardar o desenrolar do processo”.

Na manhã desta sexta-feira (4/10), a PF encaminhou ao Ministério Público as informações sobre as diligências. No documento, o ministro é descrito como "o 'dono' do PSL mineiro". Na ocasião, ele era presidente estadual do partido. Para a corporação, ele "possuía o total domínio do fato, controle pleno da situação, com poder de decidir a continuidade ou interrupção do repasse de recursos do fundo partidário".

Entre os demais denunciados estão ex-assessores do ministro, como Haissander de Paula e Mateus Von Rondon, presos em junho deste ano, além de acusadas de serem candidatas laranjas, como Camila Fernandes, Debora Gomes e Naftali Tamar. A PF aponta que os investigados são suspeitos pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita eleitoral e associação criminosa. Essas ilegalidades têm penas previstas de seis, cinco e três anos respectivamente. 

O promotor de Justiça Eleitoral, Fernando Abreu, afirma que houve repasse de verba destinada para candidaturas femininas para concorrentes do sexo masculino, o que caracteriza desvio de dinheiro. "O que se percebeu no âmbito do Ministério Público, de acordo com a prova dos autos, à formação de uma associação criminosa com o objetivo de direcionar recursos recebidos pelas candidatas mulheres para outros candidatos homens no curso da investigação. Diante desse contexto, pela prova produzida nos autos, chegou-se a conclusão de que havia duas lideranças, na verdade um beneficiário direto, o denunciado Irineu, e talvez a liderança direta dessa associação, o denunciado Marcelo", disse o promotor.

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), integrante da base do governo no Congresso, citou a presunção de inocência, prevista na Constituição Federal, e defendeu que o ministro fique no governo até o fim do processo.  "Basta você entrar na política para ter processo e inquérito, e nós temos que respeitar que todos são inocentes até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória e ponto final. Por esse motivo, eu sequer vou tocar nesse assunto", disse.  

A parlamentar defendeu ainda a gestão dele a frente da pasta. "Ele tem condições, sim, de tocar (o Ministério), é um excelente gestor e vai ter direito ao contraditório, ampla defesa”, completou.

O senador Major Olímpio, um dos congressistas de maior proximidade do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, defendeu que o ministro deixe o cargo. No entanto, ele lembrou que Marcelo é deputado federal e poderá voltar ao Legislativo caso saia do governo. “Sempre lembrando que indiciamento não é pré-julgamento ou que já se esgotaram as chances de se defender. Eu, particularmente, no lugar do Marcelo Álvaro, pediria para sair do ministério para me defender com os argumentos na Justiça e retornaria à Câmara dos Deputados, onde ele tem mandato, para ele se defender”, disse.

 

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