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Montadoras começam a parar e parte do comércio terá de fechar

Montadoras começam a parar e parte do comércio terá de fechar

O coronavírus começa a paralisar a indústria automobilística no Brasil ea provocar o adiamento de investimentos no setor. General Motors e Mercedes-Benz darão férias coletivas a partir do fim deste mês e a Volkswagen protocolou pedido, na Secretaria do Trabalho, para poder anunciar férias a qualquer momento.

Depois de atingir o setor na Ásia e Europa, a pandemia de coronavírus já começa a paralisara indústria automobilística no Brasil e a provocar o adiamento de investimentos no setor. General Motors e Mercedes-Benz darão férias coletivas a partir do fi m do mês e a Volkswagen deve anunciar férias a qualquer momento. A GM também decidiu adiar o plano de investimentos para preservar o caixa. No setor de serviços, os shoppings deverào fecharas portas por pelo menos 15 dias nas principais cidades do país. Além deles, na capital paulista decreto municipal determinou o fechamento das lojas de rua até o dia 5 de abril exceto padarias, postos de combustíveis, farmácias, supermercados, feiras livres, bares e restaurantes.

Entidades do setor apoiaram formalmente as medidas, mas pedem a abertura de negociações, com as três esferas de governo, para adiar o pagamento de tributos. `Na prática, o que o setor precisa mesmo é ajuda financeira`, disse Nabil Sahyon, presidente da Alshop. 

O coronavírus começa a paralisar a indústria automobilística no Brasil ea provocar o adiamento de investimentos no setor. General Motors e Mercedes-Benz darão férias coletivas a partir do fim deste mês e a Volkswagen protocolou pedido, na Secretaria do Trabalho, para poder anunciar férias a qualquer momento. A GM decidiu também adiar o plano de investimentos para reforçar o caixa e o presidente da operação na América do Sul, Carlos Zarlenga, considera importante recorrerão `layoff` {afastamento temporário de pessoal) para evitar `perda de empregos`. Essa ferramenta, porém, precisa da participação do governo na liberação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

 

`Temos que tomar medidas de curtíssimo prazo para preservar o caixa frente a uma situação que não sabemos quanto tempo vai durar`, diz Zarlenga. Segundo ele, nos últimos dois dias a atividade `ficou abaixo do estimado`. `A demanda está caindo e vai cair mais`, destaca. Segundo ele, é impossível detalhar hoje a reprogramação do mais recente plano de investimentos cia montadora no país, o maior do setor, e que totalizaria RS 10 bilhões entre 2020 e 2024.`Essa crise é diferente; a incerteza é o maior problema`, afirma. O `layoff` foi muito usado pela indústria automobilística entre 2015 e2017, auge da última crise no setor. Essa ferramenta prevê afastamento temporário do trabalhador. Nesse período, ele recebe uma parte da remuneração com recursos do FAT. O restante é negociado com o empregador. Para Zarlenga, o afastamento temporário é uma das melhores saídas para evitar o desemprego no setor.

 

Ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos divulgou que a Caoa Chery demitiu 59 trabalhadores da fábrica emjacareí e encerrou as atividades da linha de motores. Até o fechamento desta edição, o Valor aguardava uma confirmação da empresa. `Os cortes colocam os trabalhadores numa grave situação de desemprego justamente no momento em que mais precisam de estabilidade, salário e plano de saúde, com a proliferação do coronavírus no país`, destacou o sindicato, por meio de nota. Segundo a entidade, as demissões , que envolvem produção e área administrativa, representam cerca de 10% do total de 540 funcionários da Caoa Chery na cidade. A empresa teria informado ao sindicato que os cortes foram definidos diante da perspectiva de queda na produção. Já na GM, os operários das quatro fábricasSão Caetano do Sul (ABC pa ulista), São José dos Campos, no interior de São Paulo, Gravataí (RS)eJoinville (SC) tirarão duas semanas de férias a partir do dia 30. Os empregados da fábrica da Argentina entraram em período de férias na segundafeira e uma menor, no Equador, também vai parar, segundo Zarlenga. Ao todo, a montadora americana emprega 19 mil pessoas na América do Sul. As equipes das áreas administrativas estão em `home office`.

 

A Mercedes-Benz, maior fabricante de caminhões e ônibus do país, concederá folgas e férias a partir do dia 25 nas quatro fábricas do país. O retorno dos trabalhadores está previsto para o dia 22 de abril. Mas a data pode mudar, `dependendo da situação do país`, destacou a direção da montadora por meio de nota. Segundo a empresa, o objetivo visa `cuidar dos empregados e familiares na prevenção da covid-19`. Com cerca de 10 mil empregados no país, a montadora tem fábricas em São Bernardo do Campo, no ABC, Campinas (SP), juiz de Fora (MG) e uma de automóveis, em Iracemãpolis, no interiorde São Paulo. A GM é a primeira montadora a revisar investimentos no Brasil. Os recursos envolvem principalmente a renovação da linha de produtos. Sete modelos estavam previstos para serem lançados neste ano. O primeiro, a nova geração do utilitário esportivo Tracker, foi apresentado â imprensa ontem por meio de `streaming`.

 

Para evitar a proliferação da covid-19, a GM cancelou a apresentação presencial no São Paulo Expo e levou para o pavilhão somente seus executivos, que, dali, fizeram a apresentação do novo veículo por meio de vídeo. O veículo, que é produzido em São Caetano, está nas lojas desde segunda-feira, a preços entre RS 82 mil e RS 112 mil, mas a empresa não tem idéia do tamanho da demanda nesse momento de incertezas. Além do uso do `layoff` para manter empregos, o envolvimento do governo e também dos bancos, destaca Zarlenga, serão necessários para preservar a oferta de crédito para o financiamento de veículos.

 

Ele aponta exemplos como o cia Coréia, que reduziu em até 70% os impostos sobre o consumo como forma de evitar uma brusca queda na demanda durante a epidemia do novo coronavírus. `É difícil, hoje, saber se a evolução da epidemia aqui será a mesma da Coréia, de Cingapura ou da Itália, Por isso, a importância de medidas como essas`, destaca. Zarlenga elogiou, por outro lado, as medidas anunciadas segunda-feira pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como o prazo de três meses para depósito do FGTS. As conversas por vídeo não conseguem substituir o olho por olho. Mas em momentos de crise a preocupação do interlocutor é cristalina mesmo em vídeo. Ao falar com o Valor por meio do Skype, ontem Zarlenga estava visivelmente abalado com o novo cenário. Como ele disse, a incerteza é a parte mais difícil desse novo desafio mundial.

Marli Olmos e Adriana Mattos

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